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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Dom Orani está preocupado com segurança do Rio nos Jogos Olímpicos

Dom Orani ficou dez minutos sentado na calçada durante tiroteio
O cardeal Dom Orani Tempesta demonstrou novamente preocupação com a segurança do Rio durante as Olimpíadas, depois de ter ficado por pelo menos dez minutos no meio de fogo cruzado entre policiais militares e bandidos, em Santa Teresa, na sexta-feira (10). Assim como outras dezenas de pessoas, Dom Orani teve que sair do carro que o levava ao aeroporto durante a intensa troca de tiros no Morro do Fallet. Na tarde do mesmo dia, uma operação da Polícia Militar na vizinha comunidade do Querosene, culminou com a morte de Carlos Eduardo Nogueira da Silva, de 19 anos.

“Em minhas orações (naquela noite) roguei a Deus que tenha misericórdia do Rio e dos cariocas, que estão às vésperas de sediar mais um grande evento de nível mundial”, contou dom Orani. De acordo com ele, os momentos de pânico que enfrentou poderiam ter “acontecido com qualquer outro cidadão.” O cardeal revelou o drama enfrentado por ele — o terceiro em menos de dois anos, que o colocou em sério risco de vida —, junto com outras dezenas de trabalhadores presos no confronto. Segundo Dom Orani, serviu como uma nova experiência.

“Vejo, ao experimentar na pele (o desespero e medo de balas perdidas), como uma forma de poder sofrer junto com o povo o que a Igreja me confiou”, disse Dom Orani, que na sexta-feira, em vídeo, afirmou que a “sociedade está doente”. “Tanto no aspecto moral, como social e na segurança”, desabafou, conclamando as pessoas a lutarem pela “reconstrução da sociedade.”

Há um ano, Dom Orani foi vítima de um assalto e teve seu carro roubado na Rua Goiás, em Quintino. Em setembro de 2014, ele foi assaltado por três homens armados também em Santa Teresa. Um dos ladrões chegou a reconhecer o cardeal e pediu desculpas pelo roubo de objetos de estimação e da Igreja.Não é a primeira vez que Dom Orani demonstra preocupação com o Estado. No início de maio, em carta assinada por ele e bispos de todas as dioceses, manifestou “angústia diante das inúmeras formas de sofrimento pelas quais a população vive” e classificou a situação atual como “catástrofe social”.

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