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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Quem estiver na Lava Jato vai ter que entregar o cargo', diz Padilha

Eliseu Padilha, Chefe da Casa Civil do Governo Temer, em entrevista ao jornal Folha de SP, disse que "Quem estiver na Lava Jato vai ter que entregar o cargo".

Para o chefe da Casa Civil, a Operação Lava Jato, que pode comprometer outros ministros de Temer, não vai desestabilizar o governo.

A seguir, trechos da entrevista concedida na sexta-feira (3).

O governo ainda tem ministros citados na Lava Jato. Diante de duas quedas, não seria mais aconselhável afastar outros na mesma situação?
Quando o presidente Michel Temer foi formar o ministério, perguntou aos candidatos: "Você foi mencionado, citado na Lava Jato? Em relação a isso, avalia que há algo mais ou não?". Os que foram consultados disseram que não.

Ao que o presidente disse, "pois bem, se algo acontecer, mostrando que não é bem assim, peço que vocês pensem imediatamente em pedir exoneração, caso contrário terei de fazê-lo". Esse assunto está fechado da parte dele.

A delação do Sérgio Machado atinge a cúpula do PMDB. Isso não fragiliza o governo e coloca em dúvida seu futuro?
Quanto ao governo, não. E explico por quê. Na Lava Jato, se aparecer alguém do governo, já se sabe qual a posição do presidente: é que a pessoa deixe a equipe. Portanto, [o governo] não será atingido diretamente de nenhuma forma, fica preservado.

Em relação ao Congresso e o governo, as últimas votações têm mostrado que o presidente Temer continua contando com mais de dois terços do Legislativo, como ocorreu na votação da abertura do impeachment na Câmara e no Senado Federal.
O envolvimento de outros parlamentares não pode alterar o julgamento?
Não. Já surgem muitas informações de delações que atingem também a oposição, de forma muito forte. Ou seja, está havendo quase que um nivelamento nas referências. Referem-se a um lado e a outro também, então politicamente no Congresso não dará nenhum efeito.

Na sociedade, o que pode apenas haver é que quem imaginou que, depois do impeachment, não teria mais nenhuma referência na Lava Jato, não foi assim e não será assim. Teremos Lava Jato ainda por muito tempo, delações que ainda não conhecemos.

O presidente recebeu críticas neste início de governo de ser indeciso, ceder a pressões.
Ninguém é presidente da Câmara dos Deputados três vezes, ninguém é presidente do PMDB, partido bastante complexo internamente por tanto tempo quanto ele, sem ser um estrategista político.

Essas aparentes mudanças, recuos são parte da estratégia política dele. Ele já disse, de forma clara, que não tem compromisso com o erro. Quando sente que fez algo equivocado, ele muda.

Fazem isso as pessoas que têm decisão, senão ficam na indefinição permanente. Tem de ter poder de decisão, saber o que quer e decidir. E ele tem estatura para dizer isso.

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