Segundo ela, o choro do parlamentar ao anunciar sua saída da cadeira de presidente da Casa, quinta-feira (7), foi de "lágrimas de crocodilo". "Ele, que é investigado, que tem conta na Suíça, que cometeu desvio de poder", afirmou a petista no ato "Mulheres com Dilma em Defesa da Democracia", no centro de SP, no início da noite.
Antes, a presidente afastada havia estado em Taboão da Serra, na Grande SP, em manifestação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) no condomínio João Cândido, conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida Entidades.
Lá também as ironias a Cunha estiveram presentes na fala de Dilma. "Mulher não renuncia, porque mulher não cede à luta", disse ela. "Pediram, insinuaram, até pressionaram para que eu renunciasse. Jamais faria isso, sabe por quê? Porque o povo me deu 54 milhões de votos."
A presidente afastada também voltou a afirmar que sofre uma "injustiça" no processo de impeachment. "Eu sou inocente, não tenho conta na Suíça, nunca roubei", afirmou. Cunha é acusado de possuir contas abastecidas com dinheiro de origem ilícita no país europeu, e a existência delas está no cerne do processo que pode resultar em sua cassação na Câmara e que ele tenta evitar com a renúncia.
"A injustiça é a pior coisa que pode acontecer a uma pessoa, principalmente se é presidente da República", afirmou ela. "Porque se fazem isso com a presidente, podem fazer com qualquer brasileiro."
Cunha também foi tema no discurso de Guilherme Boulos, coordenador do MTST. Ele afirmou que Cunha havia planejado "nas sombras" o processo de impeachment de Dilma e também debochou do choro do deputado. "Nós queremos vê-lo chorar na cadeia", afirmou, enquanto o público ovacionava.
A gestão interina de Michel Temer (PMDB) também foi criticada nos discursos da petista, que o acusa de querer acabar com o programa de moradia Minha Casa Minha Vida.
Segundo ela, a gestão de Temer está fazendo um "desmonte das políticas sociais". "Eles querem acabar com a faixa um [de famílias com renda de até R$1.800, a mais baixa do programa]. Acabar com a faixa um é acabar com o Minha Casa Minha Vida", afirmou Dilma à plateia de milhares de membros do MTST.
Machismo - Já no ato de mulheres de movimentos sociais, no bairro da Liberdade, Dilma voltou-se para a questão do machismo que afirma que teria motivado parte do processo contra ela e criticou o governo de "homens brancos e ricos" que seria a gestão de Temer —muito criticada por não escalar nenhuma mulher para o primeiro escalão. "Eles querem que sejamos 'belas, recatadas e do lar", ironizou, em referência à primeira-dama, Marcela Temer. "Nós não abrimos mão do 'belas', mas o resto é preconceito."
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