Por José Roberto de Toledo - Estadão
Muito mais do que os prefeitos, quem perdeu cacife nas eleições das
capitais estaduais foram os governadores. Dos 26, nada menos do que 16
têm avaliação negativa nas principais cidades dos Estados que governam,
segundo as mais recentes pesquisas do Ibope. Na média, os governadores
têm 34% de ruim/péssimo, contra apenas 24% de ótimo/bom. Ou seja, saldo
negativo de 10 pontos.
É uma situação oposta à de 2012. Por essa mesma época da campanha
na eleição municipal passada, o saldo médio de popularidade dos
governadores nas capitais era 20 pontos positivo: 41% de ótimo/bom
versus 21% de ruim/péssimo. A variação foi de 30 pontos em quatro anos, e
no sentido errado.
Em 2012, só seis governadores eram impopulares nas capitais,
enquanto 18 tinham saldo positivo em 10 pontos ou mais. Eram queridos o
bastante para subir em palanques, aparecer na propaganda eleitoral,
fazer carreatas. Desta vez, a maioria deve se concentrar no apoio
político e financeiro aos apadrinhados.
Os governadores mais mal-avaliados nas suas capitais são: Suely
Campos (PP - Roraima), com 62 pontos negativos em Boa Vista; Waldez Góes
(PDT - Amapá), com 57 pontos negativos em Macapá; Marcelo Miranda (PMDB
- Tocantins), com 46 pontos negativos em Palmas; José Ivo Sartori (PMDB
- Rio Grande do Sul), com 43 pontos negativos em Porto Alegre; e
Francisco Dornelles (PP - Rio de Janeiro), com 41 pontos negativos entre
os cariocas.
Outros sete governadores têm saldo ao menos 10 pontos negativos
nas capitais de seus Estados. Do maior ao menor déficit: José Melo de
Oliveira (PROS) em Manaus, Beto Richa (PSDB) em Curitiba, Simão Jatene
(PSDB) em Belém, Jackson Barreto (PMDB) em Aracaju, Geraldo Alckmin
(PSDB) em São Paulo, Marconi Perillo (PSDB) em Goiânia e Paulo Câmara
(PSB) no Recife.
Pode-se creditar essa perda de prestígio popular dos governadores
às crises política e econômica. Mas, se fosse só isso, o desgaste se
repetiria com a mesma intensidade entre os prefeitos das capitais.
Aconteceu, mas em escala bem menor.
Na média, os prefeitos das capitais estaduais têm cinco pontos a
menos de ótimo/bom do que há quatro anos, comparando-se apenas pesquisas
do Ibope feitas na mesma época em 2012 e 2016. De lá para cá, os 34% de
avaliações positivas viraram 29%, sempre na média. E os 32% de
ruim/péssimo viraram 31%. O saldo, portanto, oscilou apenas 3 pontos,
enquanto o dos governadores variou 30. A diferença de dez vezes deve ter
outra explicação.
Saúde e segurança são os problemas municipais mais frequentemente
apontados pelos eleitores das capitais. São áreas com obrigações
compartilhadas por prefeitos e governadores. A crise na Brigada Militar
gaúcha, por exemplo, poderia resultar na impopularidade do governador
Sartori em Porto Alegre, por causa do aumento da criminalidade. Mas isso
não explica os casos das cidades onde os governadores ainda são
populares.
Outra hipótese é que como há mais governadores em segundo mandato
do que prefeitos de capitais que não podem concorrer à reeleição, o
desgaste de estar há muito tempo no poder poderia ser a causa do maior
desprestígio do poder estadual entre os eleitores. A explicação caberia, por exemplo, em São Paulo, Paraná, Goiás,
Pará e Rio de Janeiro, onde o mesmo partido ou grupo político governa há
seis anos ou mais.
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