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domingo, 18 de setembro de 2016

Os Jogos invisíveis: damos pouca atenção à Paralimpíada para não encarar o medo da imperfeição

Por Kátia Rubio, autora do livro ATLETAS OLÍMPICOS BRASILEIROS (Editora SESI-SP)
O esporte se apresenta para a sociedade contemporânea como um fenômeno de grande abrangência social tanto do ponto de vista do espetáculo como também da atividade profissional e comercial. Tema polêmico como a pena de morte ou o aborto, o esporte afeta e divide profundamente opiniões por provocar polarização emocional e ideológica a respeito de um objeto investido de libido e afetividade, daí a dificuldade em se observar neutralidade ou indiferença.

Uma das justificativas possíveis para tamanha mobilização afetiva está no fato de que vários dos valores vinculados ao esporte contemporâneo remontam à sua origem, reforçando um imaginário que contempla a areté (virtude), a kalokagathia (beleza), a agonística (a disputa na competição), assim como a perseverança observada na construção e busca da melhor forma atlética.

Minha relação com os Jogos Olímpicos me coloca na posição de fonte para quem procura informações sobre os Jogos Paralímpicos, muito embora eu não seja uma especialista no tema. Essa é a razão desse texto. Tento aqui responder ao porquê de o evento Paralímpico ser tão desprezado, tão invisível, aos meios de comunicação, mesmo depois de todo o “sucesso” que seu primo rico viveu na cidade maravilhosa. Para ele não há os inúmeros canais em TV aberta ou paga, as centenas de narradores e comentaristas que propalaram opiniões mais ou menos abalizadas sobre o que acontece nas competições ou ainda as infindáveis entrevistas e exposições com os medalhistas nos programas esportivos, nos jornais regionais e nacionais. Apenas essa constatação já demonstra que falamos de dois eventos distintos, tratados com distinção indesejada, apesar de estarem sob a tutela do mesmo comitê organizador que tem apenas um presidente.

Busco os argumentos para essa tentativa no campo do imaginário, uma vez que por mais que eu tente usar de dados objetivos eles não respondem a contento à indagação inicial. 

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