No "Painel" - Folha de SP
Ouvidos moucos A voz de Ricardo Lewandowski
anunciando o fim da votação ecoava da televisão da biblioteca do Palácio
da Alvorada. Ao lado de Lula, Dilma Rousseff observava atenta a sessão
que, após quatro meses, selaria seu destino. Aliados choravam, inclusive
Rui Falcão, presidente do PT. O silêncio foi quebrado quando o placar
mostrou o número de apoiadores da petista: 20. “Filho da puta!”, soltou
Dilma, referindo-se a Telmário Mota (PDT-RR), que mudara de lado após
promessa de cargos.
Até tu? Dilma também se decepcionou ao ver seu ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) votando a favor de sua inabilitação.
Tô voltando pra casa A ex-presidente tem dois
destinos possíveis: Porto Alegre ou Rio, onde a mãe tem um apartamento.
Paula, sua única filha, não apareceu para vê-la durante seu exílio do
Planalto. Dizia que precisava cuidar do filho bebê. Mas assessores se
ressentiam da ausência.
Valendo! Palacianos fizeram uma competição para ver
quem sacava primeiro da parede a foto oficial de Dilma. Temer só vai
pendurar seu retrato quando voltar da China.
Adotá-lo-ei Anunciada a sentença, um ministro
virou-se para Michel Temer: “E agora? É presidente ou presidento?”. Para
surpresa geral, o peemedebista entrou na brincadeira: “Presidento”.
Eu já sabia Já na terça-feira, Renan Calheiros havia
recebido sinais de que o fatiamento da pena de Dilma poderia ser
aceito. Depois disso, tarde da noite, teve duas conversas, uma com
Eunício Oliveira e outra com três petistas.
Ctrl+Z Questionar no STF o fatiamento do impeachment
pode ser um tiro no pé do governo — pois, no limite, não se descarta que
o Supremo, ao decidir o assunto, mande refazer a votação.

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