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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Governo adere ao primeiro-damismo para suavizar imagem sisuda e masculina

Brasilia, DF, Brasil 05.10.2016 A primeira-dama Marcela Temer foi ao PalAcio do Planalto na manhA desta quarta-feira (5), ao lado do presidente Michel Temer, para participar do lanCamento do programa CrianCa Feliz, do qual sera embaixadora Foto:Pedro Ladeira/Folhapress cod 4847 

Nunca o atual governo sorriu tanto. Fotos e vídeos do discurso de estreia de Marcela Temer pululavam nas redes sociais. Ao contrário das menções em geral mais negativas à gestão de Michel Temer na internet, as que predominaram ontem (5) foram referências positivas, até elogiosas. Tudo por causa da primeira-dama.

Durante o evento de lançamento do Criança Feliz programa voltado para a primeira infância, mas sem formato até agora muito claro– um assessor ficou surpreso. "Quando ela apareceu, a plateia se entortou para vê-la. Quando acabou, todos queriam chegar perto dela, não do presidente", disse, sob condição de anonimato.

A descrição do auxiliar e o impacto que a estreia de Marcela provocou ao longo do dia dão pistas do que veremos nos próximos dois anos.

Para quem tem calafrios com o primeiro-damismo –acha antiquado e até machista–, um recado: a exploração da imagem da primeira-dama veio para ficar. Ministros estão convencidos de que a jovem Marcela, 33, traz frescor a um governo sisudo, masculino e repleto de cabeças brancas.

Nas palavras de um estrategista, o Planalto não está interessado em dar à mulher de Temer a aura de formuladora nem de gestora de programa social, como tinha a intelectual Ruth Cardoso, mulher de FHC.

Assessores dizem que partiu de Marcela o desejo de ser embaixadora de um programa como o Criança Feliz por ter identidade com os temas da infância e da maternidade, mesmo não sendo uma especialista no assunto.

Quem é contra a função de primeira-dama, sobretudo quando é atrelada a campanhas sociais menos estruturais, como a do agasalho, por exemplo, diz que o posto reforça o estereótipo da mulher que cuida de casa, dos filhos e da família. Já para os defensores da ideia, a instituição joga luz e audiência sobre causas públicas importantes.

Na história, Marcela Temer parece ficar entre Dona Ruth e Dona Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Lula, que optou por não se envolver com ações assistenciais.

Com ou sem polêmica, o fato é que a madrinha do Criança Feliz deu ao governo a ideia de que pode melhorar a sua própria imagem.

Dá para entender: com a impopularidade do governo Temer em alta, a presença da primeira-dama pode vir muito bem a calhar.

Em sua primeira fala pública desde que se tornou primeira-dama, Marcela Temer disse se sentir feliz por poder "colaborar com causas sociais". Ela fez um breve discurso no lançamento do programa Criança Feliz, na manhã desta quarta-feira (5), em evento no Palácio do Planalto.

Marcela, que será uma espécie de embaixadora do programa em caráter voluntário, leu um texto ao longo de três minutos durante a cerimônia. Ao final de sua fala, ganhou um beijo no rosto do presidente Michel Temer.

"Quem ajuda os outros, muda histórias de vida. Por isso, fico feliz por colaborar com causas sociais do nosso país", afirmou Marcela, ao iniciar sua fala. "Cada brasileiro, cada brasileira, importa, desde a gestação, para desenvolver o Brasil."

"O momento mais importante para as habilidades humanas é o dos primeiros meses de vida. Esse sentimento os guiará por toda a vida. Cada dia que conversamos com nossos filhos pequenos, carregamos nos braços e cantamos uma canção de ninar, estamos ajudando em seu desenvolvimento", afirmou Marcela, que é mãe do filho caçula do presidente.

A primeira-dama foi bastante aplaudida pelo público de convidados pelo governo, que encheu as cadeiras do hall monumental do Palácio do Planalto, onde normalmente são realizados eventos do tipo.

Na cerimônia, Temer afirmou que a escolha de Marcela como embaixadora visa "incentivar" as mulheres do país a aderir ao programa. "Devo dizer que a presença da Marcela como embaixadora visa exatamente incentivar as senhoras mulheres do país, autoridades. Seguramente Marcela um dia vai convidar as senhoras primeiras-damas e as senhoras prefeitas municipais para estarem todas aqui em Brasília. Para que não fique apenas como um programa da União, mas que seja de toda a Federação, portanto, da União e igualmente de todos os Estados", disse o presidente.

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