Raissa Santana entrou para a história no último sábado, 1, como a
segunda mulher negra a vencer o Miss Brasil - Deise Nunes foi a primeira
a receber o título 30 anos atrás. A jovem, natural da cidade de
Umuarama, no Paraná, desbancou candidatas de outros 26 estados. Em
entrevista, ao 'Estadão' Raíssa falou das expectativas com o novo posto e
de polêmicas geralmente relacionadas a concursos de beleza (machismo,
racismo e exclusão entre elas). Confira alguns trechos:
Como é para você ser a segunda miss negra do Brasil?
Eu não me vejo como representante da beleza negra, me vejo
como representante da beleza da mulher. Por ter um jejum de 30 anos sem
uma miss negra no Brasil, isso acabou ganhando um destaque, mas eu não
me vejo como uma representante só da beleza negra, mas sim de todas as
mulheres independentemente de cor e raça.
Você pretende ser porta-voz da causa negra?
Sim. Quero e usar toda essa repercussão para ajudar meninas e mulheres a
se aceitarem mais, a estar de bem com seu próprio corpo. Não apenas com
o cabelo, mas também com seus traços negros.
Você já alisou o cabelo?
Eu adoro o meu
cabelo e hoje me aceito. Mas já passei por essa fase também de ter
cabelo liso, de não me aceitar. Então, eu quero usar isso agora para
ajudar as meninas que estão passando por essa fase de não se aceitar.
Uma
discussão que ronda a disputa de miss é sobre machismo. O concurso é
acusado de usar a mulher como objeto. Qual é a sua opinião sobre isso?
Acredito que os concursos de beleza estão mudando muito. A mulher não é
só a beleza, ela tem uma voz. Ela não está ali para mostrar apenas o
que é por fora. Ela é uma formadora de opinião. O conceito de miss mudou
muito. Neste ano, o concurso ressaltou bastante essa questão de a
mulher ter voz ativa e não ser apenas um objeto.
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