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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Ultimato ao PT

SANTANA DO LIVRAMENTO, RS, BRASIL, 11-10-2014: O canditado à reeleição ao governo do estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), durante comício, em Santana do Livramento, RS. (Foto: Fabian Ribeiro/Raw Image/Folhapress) *** PARCEIRO FOLHAPRESS - FOTO COM CUSTO EXTRA E CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS *** 
Principal derrotado nas eleições municipais, o PT precisa ter humildade, evitar o discurso de vítima e fazer mudanças radicais de métodos e de direção. O diagnóstico é do ex-ministro Tarso Genro, um dos principais líderes do partido.

O fiasco nas urnas exige transformações na sigla, diz o ex-governador gaúcho. "O PT sofreu um isolamento na sociedade, e isso foi bem explorado pelos adversários. É hora de lamber as feridas. O partido errou e tem que compreender que a reação foi a redução drástica de sua votação."

Tarso faz um ultimato: não participará mais de debates internos enquanto o partido não trocar a direção. "Só voltarei se houver uma mudança completa na executiva. Isso não significa jogar suspeição sobre os companheiros que estão lá. Mas precisamos compreender que fomos derrotados e temos que mudar."

Ele se diz contrário à ideia de entronizar o ex-presidente Lula no comando da sigla, em substituição a Rui Falcão. "Acho que o Lula não quer e não deve ser presidente do PT. Ele é uma liderança maior que o partido, tem que ficar solto", diz.

Para o ex-ministro, a Lava Jato ajudou a projetar uma "monstruosa onda antipetista que se disseminou no país". "Agora precisamos avaliar que erros o partido cometeu para facilitar este cerco, que direcionou as investigações quase de maneira exclusiva contra o PT", afirma. "É verdade que o partido contribuiu para isso."

Na contramão de alguns rivais, Tarso diz que o PT não vai se dissolver na crise em que mergulhou. "Não acho que o PT vá definhar ou desaparecer. Mas precisamos fazer uma revolução democrática. Estamos numa curva histórica", afirma. "Uma sociedade democrática precisa de partidos de esquerda. O PT precisa olhar seus parceiros com humildade e abandonar a postura hegemonista", prossegue o ex-ministro, em aceno a siglas como PC do B e PSOL. "Não vamos sobreviver com dignidade se voltarmos a contar com aliados como o PMDB", conclui.

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