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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Abriram-se os armários e as portas, gavetas, frestas

Por Marli Gonçalves, jornalista - No Diário do Poder
Os esqueletos estão saindo, batendo os ossos, chacoalhando tudo, tirando a paz de muita gente, fazendo um barulho danado. Remexem a terra da Terra. São palavras não ditas, denúncias retomadas, assédios e relações mal explicadas, sensações, vontades... O que vem mais por aí?

Que momento interessante esse, uma espécie de expurgo antes de o mundo se acabar. Um tipo de desabafo mundial, confissões do Apocalipse, ninguém mais se segura. É um tal de línguas destravadas e mentes nebulosas dando o que falar. Deve ter sido alguma chacoalhada astral, e parece que o epicentro ocorreu em Brasília, não sei se o ar seco, a falta de água, se alguém pôs alguma coisa na bebida de uns ministros (que droga será essa?)

Os olhinhos juntos do Ministro da Justiça, o Torquato, até se realinharam quando, em entrevista, soltou cobras e lagartos aos pés do Corcovado, do Rio de Janeiro. Sua boquinha mandou bala perdida para todo o alto escalão de tudo; como quem não quer nada, já que em nada foi preciso nas acusações e observações, lançou uma nuvem de raios sobre cabeças premiadas que, pelo menos até agora quando escrevo, continuam apenas se batendo entre si. O lado acusado não tem muito como se defender, com dados a seu favor. O outro, o atirador, está fazendo que não é com ele. Pelo menos não disse que não disse o que disse.
 
Aí vem doideira, total, coisa pra tratamento urgente - se é que ainda há tempo: a Ministra dos Direitos Humanos, a Luislinda, entronada muito mais como representante da mulher e dos negros, solicita, bem quietinha, que seu pobre salário de mais de 30 mil possa ter somado com mais um, de outros 30 mil, mais os 3 e pouco. Total pretendido: sessenta e lá vai pedrada mil reais por mês. Mas não foi assim só. Pediu. Pediu e justificou, entre outras alegando que a negativa desse pedido seria como, parecida, lembraria, a escravidão. Revelada a sua insanidade, percebido o barulho, voltou atrás. Vai ficar só com os 30 mil e uns quebradinhos. E está muito infeliz e preocupada com isso. Como vai comer, se vestir, ficar digna do sobrenome, só com esse troco? (Sim, quanto mais ela se defendeu, mais disse insanidades, mais se afundou).
 
Acabou? Não! No meio de tudo isso, de um governo que toda hora tropeça e perde um pedaço da razão, que está sendo mastigado lentamente por aliados oportunistas, o Ministro da Economia, o Henrique, o único que parecia trabalhar até agora, declara que é, sim, presidenciável. O que todo mundo já sabia, claro. Mas que não era preciso dizer; não era hora; não tem cabimento; não tem sentido, não ajuda ninguém.

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