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sábado, 7 de julho de 2018

Copa 2018: Deuses caídos

Por Luiz Fernando Veríssimo - Estadão
Crepúsculo dos Deuses seria um título adequadamente wagneriano para essa Copa. Divindades caíram dos seus pedestais. Cristiano Ronaldo estreou espetacularmente, marcando os três gols que entusiasmaram Portugal no seu primeiro jogo, contra a Espanha. Depois caiu, lamentando não jogar num time de ‘cristianos ronaldos’ que, pelo menos, lhe devolvessem a bola redonda como ele merecia. Messi caiu se perguntando “o que é que eu estou fazendo, jogando por um país que não é o meu, quando eu poderia estar em Barcelona, comendo presunto pata negra com jerez, vendo a Copa na TV e torcendo pela Espanha?” Neymar caiu do seu pedestal e rolou pelo chão, cuidando para não desmanchar o penteado, e pensando “acham que é fácil simular contusão? E os anos de laboratório gestual?” Suárez caiu cantarolando Saudade do Cavani. Uma categoria de deuses não exatamente caídos, mas que também já estão numa zona crepuscular, é a dos que se despedem sem mais pernas, mas com dignidade. Maior exemplo: Iniesta, da Espanha. Alguns nomes que tinham nos anunciado como candidatos a deuses não decepcionaram. O melhor deles é o Mbappé, da França. Mas, no quesito “que jogadores vistos na Copa da Rússia você gostaria de ser no seu time?”, minha escolha seria: Isco, Hazard e De Bruyne. E, se alguma alma caridosa quisesse comprar o Kane e dar para o Internacional, eu não recusaria.

Sei que já falavam do Tite como candidato à presidência, pois seria o único capaz de dar um jeito neste país. Mas ele também é um deus caído. Acho que deve ficar. Desde que se comprometa a escalar Douglas Costa para o jogo todo.

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