De Roberto DaMatta - Estadão
"Como diz um sábio: ´Quem honra a vida, pensa inevitavelmente na morte . Eu que ouvi falar da morte desde que me entendo por gente, e fui atrás do seu paradoxo além do meu coração para encontrá-la nos livros,com a seguinte observação:
– A morte é a experiência mais paradoxal da consciência, justamente porque o morto que a experimenta e vive, dela não fala. A inescrutabilidade da morte, jaz nessa contradição. Dividimos tudo uns com outros, mas a morte, com a qual temos um inevitável encontro, nos sequestra para sempre. E assim ninguém sabe, nem mesmo de um filho, pai, mãe, irmão ou pessoa amada como é morrer. Os sonhos, doenças, aventuras, delírios e viagens nos levam ao liminar, mas dele voltamos. Não podemos, porém, compartilhar a morte porque ela só nos deixa o morto. A morte, na sua indiferença absoluta, é o limite da sedução dos engajamentos sociais. Por isso, ela tem o poder de fechar feridas, enterrar ternuras e inaugurar saudades.
Diante do morto, falamos baixinho e choramos por amor. Aquele contraditório amor que tudo perdoa."
"Como diz um sábio: ´Quem honra a vida, pensa inevitavelmente na morte . Eu que ouvi falar da morte desde que me entendo por gente, e fui atrás do seu paradoxo além do meu coração para encontrá-la nos livros,com a seguinte observação:
– A morte é a experiência mais paradoxal da consciência, justamente porque o morto que a experimenta e vive, dela não fala. A inescrutabilidade da morte, jaz nessa contradição. Dividimos tudo uns com outros, mas a morte, com a qual temos um inevitável encontro, nos sequestra para sempre. E assim ninguém sabe, nem mesmo de um filho, pai, mãe, irmão ou pessoa amada como é morrer. Os sonhos, doenças, aventuras, delírios e viagens nos levam ao liminar, mas dele voltamos. Não podemos, porém, compartilhar a morte porque ela só nos deixa o morto. A morte, na sua indiferença absoluta, é o limite da sedução dos engajamentos sociais. Por isso, ela tem o poder de fechar feridas, enterrar ternuras e inaugurar saudades.
Diante do morto, falamos baixinho e choramos por amor. Aquele contraditório amor que tudo perdoa."
Nenhum comentário:
Postar um comentário