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domingo, 15 de março de 2020

Editorial da Folha de SP

Precaução máxima
A letalidade está por ora estimada em 3,6%. O número definitivo, a ser calculado após o fim da epidemia, deverá ser menor.
A distribuição dos óbitos por faixa etária chama a atenção. A mortalidade não chega a 0,2% entre menores de 40 anos, mas vai a 8% na faixa entre 70 e 79 e bate em impressionantes 14,8% entre aqueles com mais de 80. Há estudos que apontam letalidade ainda maior para os mais velhos.
A grande incógnita reside no número de pessoas que serão infectadas. Os sinais que vêm dos países em que a epidemia de covid-19 está mais madura sugerem um quadro mais tranquilizador, mas, de novo, os conhecimentos são precários.
Não há como descartar o risco de que, depois que os chineses encerrarem as quarentenas, o vírus volte a circular com força, ou que a moléstia se torne endêmica.
Os óbitos diretos são apenas parte do problema. A grande dificuldade em epidemias, deixando de lado o impacto econômico —já devastador— e considerando somente o aspecto sanitário, é que milhares de pessoas ficam doentes ao mesmo tempo, levando a uma sobrecarga dos serviços de saúde.
Isso significa que portadores de outras moléstias são afetados. Em prontos-socorros lotados, nos quais médicos e enfermeiros faltaram porque ficaram doentes, quem sofreu um infarto corre risco de morte muito superior ao normal. Em tal cenário, ademais, praticamente todas as cirurgias não emergenciais acabam adiadas.
Especialmente preocupante em relação à covid-19 é que os doentes em estado crítico podem precisar de até três semanas de leito de UTI com suporte ventilatório. Trata-se de desafio até para países ricos e com rede hospitalar muito mais desenvolvida que a brasileira.
Não resta muito a fazer para deter a epidemia, mas cumpre agir para evitar que uma enorme quantidade de casos ocorra ao mesmo tempo.
Como nas fases iniciais a transmissão obedece a um padrão exponencial, uma redução, ainda que modesta, no ritmo de contágio resulta, dentro de algumas semanas, em importante queda no total de pacientes —o que proporciona um bem-vindo alívio para o sistema.
Há indicações de que isso é factível. Países como Japão e Cingapura, apesar de estarem entre os primeiros a registrarem casos, parecem ter conseguido evitar o pior. Algumas províncias chinesas que não foram pegas de surpresa também lidaram relativamente bem com a situação. Mesmo a Coreia do Sul, duramente atingida, conseguiu superar a adversidade.
A diferença entre os países mais e menos afetados pela epidemia está nas decisões tomadas no início da crise —além de alguma sorte.

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