RECANTO DOS POETAS, COMPOSITORES E ESCRITORES
Coisas do futebol santareno
Autor: José Wilson Malheiros
Esta me foi contada pelo meu amigo Ataualpa Rebelo, um dos maiores artilheiros do futebol santareno de todos os tempos, vestindo a camisa gloriosa do América.
Vez por outra, os times considerados “grandes”, de Belém, vinham excursionar por Santarém e na maioria das vezes levavam peia.
São Francisco e São Raimundo eram as duas maiores torcidas da cidade. Mas, o América era considerado a terceira força e seus torcedores estavam, principalmente, entre a chamada “jovem guarda”.
Para não ser demais alongado, cito, de memória, alguns craques que honraram a camisa rubra do simpático time mocorongo: Licurgo, Ataualpa, Manoel Moraes, Abdala, Valério, Coruja, Dedé, Merabet, Botica, Tovica...
Peço licença para não citar todos, já que a memória me falha e porque o Cristóvam Sena já escreveu, melhor do que eu, a história do meu segundo clube na cidade e citou todos os nomes.
Vou entrar, de novo, no assunto principal.
Era a tarde de um domingo ensolarado e o velho estádio estava lotado, para ver o jogo entre o América e o Paysandu, de Belém.
Havia na cidade, um árbitro de futebol bastante querido por todos, por sua simpatia, simplicidade e por ser apelidado com o nome daquela ave gritalhona e colorida, das nossas florestas.
A partida já estava para terminar e não passava do zero a zero.
A equipe de Belém era campeã e tinha um plantel de grandes craques, no qual despontava o goleiro Asas.
Quase no final do jogo, o nosso amigo árbitro passa pelo Ataualpa e cochicha:
- Vê se tu cai dentro da área que eu marco pênalti!
O Paysandu tinha um zagueiro corpulento e viril chamado Gilvandro.
No lance seguinte, dentro da área do time de Belém, Ataualpa cai no chão, se contorcendo, após ser esbarrado pelo zagueiro belenense.
Era aquilo que hoje, na gíria futebolística, se chama de “Migué”.
O pênalti foi marcado.
Após muita confusão, finalmente, Manoel Moraes se apresenta para bater.
Chutou da primeira vez e o goleiro pegou.
A arbitragem entendeu que o guardião se mexeu antes do tempo e mandou repetir o pênalti.
Novamente o goleiro Asas pegou.
Mais uma vez foi determinada a repetição da penalidade máxima, mas, não foi cobrada, já que os jogadores dos dois times acharam que aquilo era demais e desistiram da cobrança.
E o placar terminou em branco, mesmo.

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