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sábado, 15 de maio de 2021

 LEITORADO

"Caro Ercio, sou santarena e resido em Manaus desde 1952 quando eu e meus pais nos mudamos de Santarém para cá. Sou professora aposentada e meu nome é Vilma Siqueira e tenho 82 anos. Ontem, meu amigo, chorei bastante, e o motivo foi este: meu querido pai, Agostinho, falecido já fazem 5 anos, guardava com muito carinho uma garrafa de Paumary, bebida tipo licor, que era produzida em Santarém. E uma moça que cuida de mim, ao limpar um armário deixou cair a garrafa e no chão foi quebrada. Não tinha nem mais o rotulo identificador da bebida. E não faz tempo que em conversa com uma conterrânea mocoronga eu disse a ela: vou tirar uma foto desta garrafa e mandar pro Ercio, que gosta destas coisas. Mas, infelizmente, agora isto não será possível mais. Me desculpe, querido amigo".

Digo eu (Ercio):

Querida Vilma, lembro que uma pergunta que sempre surge nas conversas de santarenos da Velha Guarda é esta: com quem estará a receita do preparo do Paumari? Dizem que era um legado de família, transmitida de mãe para filhos e guardada em segredo de geração em geração, como um tesouro valioso. Sabe-se que, até o dia em que faleceu, a receita estava nas mãos da Carmelita, cartorária, filha da dona Bibi que era quem preparava a saborosa bebida. Agradeço a vontade que você teve de me mandar uma foto da garrafa quebrada e que lhe causou aborrecimento.

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