Deu na Folha.de São Paulo:
"Papa Francisco diz que Lula foi condenado injustamente e que Dilma tem 'mãos limpas'"
O papa Francisco disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi condenado pela Justiça sem provas, e que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) tem "mãos limpas", além de ter sofrido um processo de impeachment classificado por ele como injusto. A declaração foi feita em entrevista exibida na quinta-feira (30) na rede argentina C5N. O pontífice lembrou dos exemplos brasileiros quando perguntado sobre o "lawfare", termo usado para definir o uso do sistema de Justiça de determinado país para perseguição política de adversários. Ele citou outros países, como Equador, Argentina e Bolívia. "O lawfare abre caminho nos meios de comunicação. Deve-se impedir que determinada pessoa chegue a um cargo. Então, o pessoal o desqualifica e metem a suspeita de um crime. Então, faz-se todo um sumário, um sumário enorme, onde não se encontra [a prova do delito], mas para condenar basta o tamanho desse sumário. 'Onde está o crime aqui?' 'Mas, sim, parece que sim...' Assim condenaram Lula", afirmou o religioso. Quando o entrevistador mencionou que Dilma foi cassada em 2016 por um "ato administrativo menor", o líder da Igreja Católica afirmou que a ex-mandatária é "uma mulher de mãos limpas, uma mulher excelente". O papa ainda citou o "fumus delicti", termo jurídico em latim para conceituar a comprovação de um crime por meio de indícios suficientes de autoria, e ainda disse que "às vezes, a fumaça do crime te leva ao fogo, outras vezes é uma fumaça que se perde porque não há fundamento". Por fim, quando o jornalista encerrou o assunto dizendo que "inocentes são condenados", o pontífice ressaltou que "no Brasil, isso aconteceu nos dois casos", referindo-se a Lula e a Dilma. Para ele, "os políticos têm a missão de desmascarar uma Justiça injusta". Dilma perdeu o mandato em 2016 em processo de impeachment que tramitou na Câmara dos Deputados e no Senado. Ambas as Casas consideraram que a então presidente cometeu crime de responsabilidade pelas chamadas "pedaladas fiscais", com a abertura de crédito orçamentário sem aval do Congresso. A decisão, no processo e no mérito, foi acompanhada sem contestação pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Em dezembro passado, Francisco já havia dito em entrevista a um jornal espanhol que o processo que levou Lula à prisão começou por uma notícia falsa. "Um julgamento tem que ser o mais limpo possível, com tribunais que não têm outro interesse senão fazer justiça", disse na ocasião. O papa disse ainda, à época, que notícias falsas sobre líderes políticos são gravíssimas. "Eles podem destruir uma pessoa", disse.
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