POR ONDE ANDAM OS JOGADORES PARAENSES?
Autor: Cristovam Sena, ex-craque do futebol santareno e do Paysandu:
O fiasco de Remo e Paysandu na série C do campeonato brasileiro, que vem se repetindo ao correr dos anos, vem sendo motivo de críticas que soam de todos os cantos, a respeito da ausência de jogadores paraenses nas suas equipes.
Creio que um dos motivos dessa ausência, foi o fim dos campeonatos de seleções municipais, que deixaram de ser disputados não sei a partir de quando. Eu participei de dois deles, o último em 1968 (foto)
Primeiro ocorria uma disputa regional entre as seleções municipais. Em seguida, os campeões regionais decidiam num torneio em Belém, quem levantava o caneco de campeão.
Esses torneios finais serviam de vitrine para os três grandes clubes da capital, na época a Tuna Luso ainda era considerada grande, observarem os jogadores e contratar os que consideravam com qualidades técnicas de defender seus mantos sagrados.
Para termos uma ideia, no torneio final de 1968, foram contratados seis da nossa seleção: Acari, Bosco, Tovica, Palito, Caveirinha e eu. Dessa turma, a maioria preferiu estudar e largou o futebol.
De seleções posteriores, foram contratados o Belterra, Chico Monte Alegre, Darinta e outros que não lembro agora.
Faço destaque para o Belterra, que considerava um dos melhores zagueiros que vi jogar. Na época, eu comparava seu futebol ao do zagueiro chileno Gamarra, por dois motivos, a perfeita colocação para se antecipar nas disputas com os atacantes, e a lealdade com os adversários dentro de campo.
Não tenho certeza se o Belterra foi expulso, pelo menos uma vez. Quanto ao Gamarra, na Copa do Mundo de 1998 na França, deixou a competição sem cometer uma única falta, nos quatro jogos disputados. Prova maior de lealdade não pode existir.

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