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sábado, 4 de abril de 2009

Música santarena na capital gaúcha

Quem relata esse fato marcante da música santarena é o Vicente Malheiros da Fonsêca, ilustre leitor deste blog e magistrado da Justiça do Trabalho:

"Em dezembro de 1973, a VARIG formulou um convite a um grupo de artistas santarenos para um concerto de músicas santarenas em PortoAlegre, sede da referida empresa.

E lá fomos nós para as terras gaúchas. O grupo foi integrado por Wilson Fonseca (maestro,compositor, poeta e pianista), Emir Bemerguy (poeta), Edenmar da Costa Machado (Machadinho, cantor e violonista), Antônio Waughan (cantor), Vicente Fonseca (compositor e pianista), Laudelino Silva (compositor e cavaquinista), Moacir Santos (compositor e violonista) e Alfonso Gimenez (fotógrafo).

Viajamos de Santarém para Porto Alegre, com escalas em Belém e pernoite no Rio deJaneiro, com todas as despesas pagas pela VARIG. No embarque em Santarém, houve logo um problema com o Moacir Santos, pois ele não dispunha de qualquer documento. Na condição de magistrado, fui obrigado a interferir e me responsabilizar pelo seu embarque. Mas outros fatos curiosos aconteceram ainda naquela viagem.

Quando viajávamos de Belém para o Rio de Janeiro, o Laudelino Silva "confundiu" a toalhinha úmida, distribuída pelas comissárias para limpar as mãos e o rosto, e, pensando que se tratava de "tapioquinha", lascou uma mordida para "provar" um pedaço do apetitoso "alimento"... Foi uma gozação geral.

Ao chegarmos no aeroporto "Santos Dumont", no Rio de Janeiro, para pernoitar, o Laudelino apanhou uma mala, imaginando que fosse sua. Então, apareceu um "gringo" tentando explicar-lhe que a mala não era do Laudelino, mas do gringo. Instalou-se uma breve discussão. O Laudelino falava que "esses gringos vêm para o Brasil para roubar a gente" etc. (é claro que o "gringo" não entendia patavina). Afinal,verificou-se, com a ajuda de funcionários do aeroporto, que a mala era realmente do"gringo" e não do Laudelino. Bastou conferir a papeleta de despacho de bagagem...Daí em diante, a turma passou a chamar o Laudelino de "ladrão de mala"...(de brincadeira, claro). Mas ele pegava "corda".

Saindo do aeroporto, deveríamos ir para o hotel. O Laudelino - que logo avisou que conhecia o Rio de Janeiro - fez sinal para apanhar um táxi. Entrou no veículo e deu o lugar de destino: "Hotel Santos Dumont". Acontece que o hotel ficava do outro lado da praça, em frente ao aeroporto. Portanto, a "bandeirada" do táxi nem chegaria a mexer... O motorista quase expulsou o Laudelino do táxi e sugeriu que ele carregasseas malas e fosse a pé para o hotel ali pertinho... Parece que fez um acordo com o motorista sobre o preço da corrida...

Outro grupo foi para o Hotel Glória, no Rio. E ali tivemos a grata surpresa da visita do Miguel Augusto. Ele, então, nos levou (papai, Emir, Moacir e eu) para passear na "Cidade Maravilhosa", naquela noite. Fomos ao Corcovado. Mas aí houve um impasse. O Moacir sofre de "vertigem das alturas", de modo que ele não conseguia subir as escadas, quando chegamos próximo ao Cristo Redentor. Ficava muito tonto. Moacir tinha vindo lá de Santarém, mas - depoisde subir o morro, no bondinho terrestre - ficou com medo de subir as escadas para poder ver mais de perto a famosa imagem do Cristo Redentor. Ele quase vomitou e não tinha onde esconder a cabeça de tanta tontura. Parecia uma avestruz ou até mesmo"mocorongo" (no sentido pejorativo)...No embarque do Rio de Janeiro para Porto Alegre, mais um problema. Não queriam deixar o Moacir seguir viagem, pois, como disse, ele não tinha qualquer documento. Não adiantava falar que ele tinha embarcado em Santarém. Aí eu tive que, mais vez,interferir, como magistrado, para me responsabilizar por ele. Só que dessa vez, houve um atraso de mais de uma hora. E quando o nosso grupo entrou no avião, fomos vaiados pelos passageiros que estavam dentro da aeronave todo aquele tempo,aguardando o embarque do Moacir... E era um vôo internacional, pois a aeronave seguiria depois para Buenos Ayres. Que vexame...

Enfim, chegamos em Porto Alegre. O concerto dos artistas de Santarém foi um sucesso. Até o papai e o Emir cantaram. Eu creio que tenho uma foto que retrata este aspecto. A casa estava lotada e a platéia nos aplaudiu demoradamente. Houve também uma apresentação de duas mocinhas, que dançaram e cantaram músicas típicas do folclore gaúcho.

No final do concerto, a platéia pediu que apresentássemos músicas de carimbó. O Antônio Waughan (acostumado a cantar em conjuntos de baile) não se fez de rogado. Eu fui para o piano, o Machadinho e o Moacyr, no violão, o Laudelino no cavaquinho, e os outros na percussão improvisada ou ajudando no canto. O concerto virou uma festa. Todos dançaram empolgados com o ritmo contagiante do carimbó paraense. Era 8 de dezembro, dia da Festa de N. S. da Conceição, Padroeira de Santarém e também de Porto Alegre. Foi realmente um momento de glória para a música santarena, brilhando no extremo sul do país".

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Discurso histórico de Márcio Moreira Alves

Márcio Moreira Alves ficou conhecido pelo discurso que fez na Câmara dos Deputados em 2 de setembro de 1968 sugerindo o boicote às comemorações do Sete de Setembro. Foi o pretexto utilizado pelo governo militar para instaurar o AI-5 (Ato Institucional número 5), que se transformou em um dos principais símbolos da ditadura (1964-1985).
Leia abaixo a íntegra do discurso:

"Senhor presidente, senhores deputados,
Todos reconhecem ou dizem reconhecer que a maioria das forças armadas não compactua com a cúpula militarista que perpetra violências e mantém este país sob regime de opressão. Creio ter chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela democracia. Este é também o momento do boicote. As mães brasileiras já se manifestaram. Todas as classes sociais clamam por este repúdio à polícia. No entanto, isto não basta.

É preciso que se estabeleça, sobretudo por parte das mulheres, como já começou a se estabelecer nesta Casa, por parte das mulheres parlamentares da Arena, o boicote ao militarismo. Vem aí o 7 de setembro.

As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem junto com os algozes dos estudantes. Seria necessário que cada pai, cada mãe, se compenetrasse de que a presença dos seus filhos nesse desfile é o auxílio aos carrascos que os espancam e os metralham nas ruas. Portanto, que cada um boicote esse desfile.

Esse boicote pode passar também, sempre falando de mulheres, às moças. Aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais. Seria preciso fazer hoje, no Brasil, que as mulheres de 1968 repetissem as paulistas da Guerra dos Emboabas e recusassem a entrada à porta de sua casa àqueles que vilipendiam-nas.

Recusassem aceitar aqueles que silenciam e, portanto, se acumpliciam. Discordar em silêncio pouco adianta. Necessário se torna agir contra os que abusam das forças armadas, falando e agindo em seu nome. Creia-me senhor presidente, que é possível resolver esta farsa, esta democratura, este falso impedimento pelo boicote. Enquanto não se pronunciarem os silenciosos, todo e qualquer contato entre os civis e militares deve cessar, porque só assim conseguiremos fazer com que este país volte à democracia.

Só assim conseguiremos fazer com que os silenciosos que não compactuam com os desmandos de seus chefes, sigam o magnífico exemplo dos 14 oficiais de Crateús que tiveram a coragem e a hombridade de, publicamente, se manifestarem contra um ato ilegal e arbitrário dos seus superiores."

Morre o jornalista e ex-deputado Márcio Moreira Alves

O jornalista e ex-deputado Márcio Moreira Alves , de 72 anos, faleceu na noite desta sexta-feira, de falência múltipla dos órgãos, no Hospital Samaritano, no Rio. Ele estava internado há cinco meses por causa de sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O velório será realizado na Assembleia Legislativa do Rio, mas ainda não tem hora marcada.

A trajetória do jornalista - que foi colunista do GLOBO por dez anos - foi marcada pela defesa da democracia. Marcio Moreira Alves foi uma das primeiras vozes a se levantar contra as violências e ilegalidades do regime militar. Ele escreveu os primeiros livros com as denúncias das torturas que aconteciam nos calabouços e nos quartéis.


Seu discurso de oposição no Congresso Nacional, em 2 de setembro de 1968, conclamando o povo a "boicotar o militarismo", levou o governo a criar o AI-5. Em dezembro do mesmo ano, foi cassado pelo regime militar, e passou um período de exílio no Chile e na Europa.

Arcebispo "mocorongo"

Deu na coluna do Bernardino Santos (O Liberal):
"Um nome cotadíssimo para suceder dom Orani é o atual bispo de Imperatriz/MA, dom Gilberto Pastana, natural de Santarém e que, há muitos anos, trabalhou em Belém. Está preparado para a função de arcebispo".

Fim de semana

A vida é assim mesmo: umas coisas vão piorando, outras melhorando, o passado já era, o futuro não existe. Vamos, portanto, viver o melhor deste fim-de-semana, diletos leitores deste blog.

Clonando Pensamento

"Quero, ó Pai, ó Cristo, com Tua imprescindível ajuda, praticar a sublime religião que me legaste, vivendo plena e apaixonadamente, aquela Fé maiúscula que tem duas universais dimensões: uma, vertical, que nos eleva a Deus, e outra, horizontal, que nos empurra em direção ao próximo, para amá-lo e ajudá-lo. E eis formada uma cruz - o símbolo perfeito da Fé!" (Emir Bemerguy)

Deu no claudiohumberto.com.br

Camargo doou R$ 3,5 mi para reeleição de Lula
O grupo Camargo Corrêa, acusado de superfaturar mais de R$ 71 milhões em obras públicas e fazer doações ilegais a partidos políticos em todo o País, foi um dos principais financiadores da campanha de reeleição do presidente Lula, em 2006. Três empresas do grupo fizeram doações oficiais de mais de R$ 3,5 milhões ao Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República do Partido dos Trabalhadores.
Tá feia a coisa
Depois de seis meses no topo da lista dos medicamentos mais vendidos, o Viagra perdeu o lugar para o Dorflex. Ganhou a dor de cabeça.
Não passará
Aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a indecente recriação de 7,3 mil vagas para vereadores terá dificuldades no Congresso.

Protesto fecha todas as prefeituras em Alagoas

As 102 prefeituras de Alagoas amanheceram ontem com suas portas fechadas. Apenas os serviços essenciais, como postos de saúde e abastecimento de água, funcionaram. A paralisação em protesto contra a redução dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) atingiu até a Prefeitura de Maceió.

O protesto foi decidido no mês passado, durante reunião com mais de 80% dos prefeitos na Associação dos Municípios de Alagoas (AMA).
Uma delegação de gestores municipais, da qual participou o prefeito da capital, Cícero Almeida (PP), viajou para Brasília a fim de pressionar os líderes no Senado e na Câmara.

No Senado, a comitiva foi recebida por Renan Calheiros (PMDB-AL), que prometeu cobrar do governo uma medida compensatória para fazer frente às perdas que os municípios tiveram com a queda na arrecadação da União neste início de ano. (Fonte: O Estado de S.Paulo)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sefer se cala diante de colegas

O deputado Luiz Sefer (sem partido) depôs ontem, pela segunda vez, sobre as acusações de estupro, atentado violento ao pudor e violência presumida contra uma criança diante da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedofilia. Durante as três horas e meia em que permaneceu no auditório da Assembleia Legislativa, Sefer mais ouviu do que falou. Sob a alegação de que o último depoimento, à CPI do Senado, havia sido uma 'experiência dramática e traumatizante', o deputado se absteve de responder às perguntas feitas pelos membros da comissão. Abriu uma exceção ao silêncio, no entanto, para apresentar o que considera ser a prova irrefutável de sua inocência: o laudo médico comprovando a virgindade de uma das menores de idade envolvidas no processo e supostamente vítima de abusos sexuais cometidos por ele.

A estratégia de ficar calado causou indignação na deputada Regina Barata (PT) que entregou simbolicamente ao relator da CPI, Arnaldo Jordy (PPS), o pedido de cassação do mandato de Sefer, solicitação que será oficializada na manhã de hoje, quando a representação chegar às mãos do presidente da AL, Domingos Juvenil (PMDB). O pedido já havia sido feito pelo Psol, porém a deputada Bernadete Ten Caten (PT), vice-presidente da comissão de direitos humanos, explicou que segundo o regimento interno da AL, o pedido de cassação tem que ser feito por um partido que tenha representação na casa.

Marcada para começar às 15h, a sessão começou às 16h40. O presidente da comissão, deputado Adamor Aires (PR) disse que aquela seria a oportunidade de Sefer se defender, mas Sefer declarou que só falaria em uma sessão privada. 'Eu não me furto a prestar esclarecimentos. Durante a CPI do Senado por mais de quatro horas eu fui linchado e humilhado publicamente. As pessoas estavam com idéias pré-formuladas ao meu respeito. Aquela foi uma experiência traumática e dramática, a exposição trouxe, inclusive, danos à saúde de meus familiares. Foi muito difícil ver que no dia seguinte ao meu depoimento pessoas que mesmo sem conhecerem uma linha do inquérito de minha acusação me condenavam. Por isso, acredito que basta a vocês apenas uma transcrição do depoimento dado naquela ocasião, porque sendo os fatos os mesmo, as perguntas serão as mesmas e as respostas serão as mesmas dadas anteriormente', declarou.

Sefer entregou ao deputado Aires uma nova solicitação para depor em sessão fechada. O presidente consultou os demais membros da CPI sobre o pedido e ele foi unanimemente negado. Diante da negativa da comissão, o que seria o depoimento de Sefer transformou-se na leitura de várias páginas de inquérito seguida por uma série de perguntas que, em sua maioria, ficaram sem respostas. Sefer acreditava possuir um grande trunfo em mãos. Ele levou à CPI documentos que segundo ele 'incontestavelmente desqualifica de forma clara e materializada' a acusação. Ele pediu que o conteúdo não fosse revelado nos próximos dois dias. Segundo ele, as novas provas ainda não haviam sido adicionadas ao processo. 'Este instrumento muda o curso do entendimento que muitas pessoas já têm formado. Tenho certeza que o tempo vai mostrar que está havendo o linchamento de um homem inocente', declarou.

Apesar do pedido, o relator da comissão, Arnaldo Jordy, declarou, após rápida avaliação nos documentos, que à primeira vista não havia nenhum relato importante naquelas páginas: 'Pelo que li aqui este documento não diz nada'.

Documentos comprovariam virgindade de suposta vítima

A reportagem teve acesso com exclusividade aos documentos. As primeiras páginas são fragmentos dos depoimentos prestados pela conselheira tutelar Nazaré Cristina da Fonseca, responsável pela denúncia, nos quais ela afirma ter ouvido da suposta vítima de Sefer, a época com 9 anos, que a criança presenciou Sefer mantendo relações sexuais com a menor de idade 'S' que tinha 12 anos e já morava na casa do deputado há mais tempo. Entretanto durante depoimentos prestados em Belém e posteriormente em Brasília, a criança nega que tenha presenciado qualquer atividade sexual de Sefer, mas afirma que ela e outra menina que morava há mais tempo com o parlamentar sofriam abusos sexuais.

O trunfo de Sefer, segundo ele 'caiu do céu nos últimos dias', quando a mãe de 'S', Nilma dos Santos Rodrigues, foi até a Seccional da Pedreira e registrou o boletim de ocorrência nº 00011/2009.002680-2 para comunicar que sua filha, hoje com 15 anos, estava sendo 'vítima de difamações'. Nilma afirma que a filha é virgem e por isso solicitou que a menina fosse submetida a exames de conjunção carnal. Fernando Flávio Silva, diretor da seccional, atendeu ao pedido.

Segundo o advogado de Sefer, Osvaldo Serrão, antes de levar a filha aos médicos particulares, Nilma procurou o Instituto Médico Legal para que os exames fosse realizados lá, porém lá ela teria sido informada que estes tipos de exames só poderiam ser realizados na Fundação Santa Casa. Entre os documentos apresentados por Sefer, consta a declaração da Santa Casa, que se negou a fazer os exames pois o quadro não se configurava como abuso sexual. Estão anexados ao documento, dois atestados médicos, feitos em clínicas particulares, que comprovam a virgindade da menina.

Outra novidade foi apresentada por Carlos Bordalo (PT). Bordalo encaminhou à mesa a foto de uma menina de 14 anos que teria morado na casa de Sefer entre 2002 e 2003 e seria também vítima de abuso. Sefer foi enfático: 'nunca vi essa pessoa antes. Eu quero que meu filho amanheça morto se essa moça morou na minha casa', declarou. Sobre a acusação que pesa sobre seu pai, Elias Sefer, o deputado declarou acreditar na inocência de seu genitor e afirmou que foi solicitada uma perícia no aparelho telefônico do mesmo, pois suspeita-se que o telefone de Elias Sefer tenha sido clonado. (Fonte: AMAZÔNIA)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Clonando Pensamento

"O elevador é um inesperado ponto de reunião onde se reúnem pessoas que nunca cogitavam se reunir um dia". (Eno Teodoro Wanke)

"Invejar é uma forma aberrante de prestar homenagem à superioridade". (José Ingenieros)