O governo federal prepara uma ofensiva com foco publicitário para desarmar a bomba das manifestações com o mote Não vai ter Copa e transformar o Mundial em dividendos políticos para a presidente Dilma Rousseff. O primeiro passo foi oficializado ontem com a troca do comando da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. Na quinta-feira, a ministra da Secom, Helena Chagas, pediu o afastamento do cargo, que será ocupado pelo jornalista Thomas Traummann (foto abaixo), atual porta-voz da Presidência.
Helena Chagas e Traummann
Thomas, que será empossado na segunda-feira, assume a pasta com a missão de coordenar as ações na internet e o diálogo com a imprensa para evitar que a população se volte contra o evento e cause mais desgaste à imagem da presidente. O Planalto não quer ver se repetir a queda na popularidade do governo, como ocorreu com as manifestações de junho.
A avaliação de um
interlocutor próximo à presidente é que a comunicação falhou na falta de
publicidade em relação ao governo. “Estamos sofrendo um ataque brutal
por causa da Copa. Quem sabe, por exemplo, que os investimentos em
infraestrutura são maiores que os dos estádios? Não tem uma ofensiva
para enfrentar os ataques”, analisou. O entendimento predominante é de
que o cidadão é induzido a achar que o Mundial está tirando os
investimentos de outros setores. “Mas será que se não tivesse Copa o
dinheiro chegaria aos outros setores? Isso tem que ser avaliado”,
argumenta.
A nova proposta do governo será esclarecer quanto está sendo gasto
com cada área e dizer qual a importância da Copa para o Brasil. Dados do
Ministério do Esporte mostram que, até setembro, os investimentos em
estádios estavam na ordem de R$ 8 milhões, enquanto em mobilidade
urbana, aeroportos e portos chegam a aproximadamente R$ 15 milhões.
“Esse tipo de informação isola ou reduz a importância daqueles que
querem quebrar tudo, como agências bancárias, sob o argumento de que é
símbolo do capitalismo. As manifestações vão ocorrer, mas não se pode
permitir que esse tipo de corrente acabe tomando conta do conjunto”,
ressalta.
Mesmo com o entendimento de que os protestos podem
ser abafados com a ofensiva, o maior medo, porém, é da violência.
Segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tanto a Secretaria
de Grandes Eventos quanto a Defesa têm trabalhado de forma coordenada
com os governos estaduais em um plano que buscará dar padrão
“elevadíssimo” de segurança durante a Copa. “Se existir manifestação
durante a Copa do Mundo, que se garanta a liberdade de ir às ruas, mas
sem prejuízo do turismo, sem prejuízo dos jogos, sem prejuízo dessa
grande festa que o Brasil terá com esta Copa e depois com as
Olimpíadas”, minimizou.
A promessa do governo em relação aos
protestos é atuar apenas quando a situação gerar vandalismo. Ele
ressaltou que a posição do Planalto é clara: garantia do direito de
protestar, pouco importando se concorda ou não com aquilo que é
manifestado. “Quando tem situações ilícitas, aí o aparato policial e
punitivo do Estado tem que agir para que isso não se coloque”, destacou o
ministro.