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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

'Collor sofreu impeachment por muito menos', diz ex-mulher Rosane Malta

Em 15 de março, quando mais de 500 mil pessoas foram às ruas de todo o país para protestar contra o governo e pedir o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República, Rosane Malta –a ex-primeira-dama Rosane Collor– colocou seus óculos escuros, vestiu uma calça verde e uma camiseta amarela estampada com a frase "Fora, Dilma: impeachment já!" e saiu às ruas de Maceió, capital de Alagoas.

"Por muito menos o meu ex-marido saiu da Presidência", disse ela à Folha, em entrevista por telefone.

Há exatos 23 anos, no dia 29 de dezembro de 1992, o então presidente Fernando Collor de Mello renunciava ao cargo.

"Não estou tirando a culpa de ninguém, nem dizendo que ele era inocente ou culpado. Mas as leis têm que funcionar para qualquer pessoa, independentemente de quem seja. Da mesma forma que o ex-presidente Fernando Collor foi julgado, sofreu o processo de impeachment e acabou renunciando, acredito que a Dilma tem que passar por todo esse processo", disse Rosane.

Ela acusa Dilma de prometer "diversas coisas para ser reeleita" e diz que o "o brasileiro cometeu um erro ao acreditar neste partido [o PT], dando oito anos de mandato ao Lula e mais oito a Dilma [ainda não completos]". "O povo tem o direito de errar e também tem o direito de "reivindicar por um país melhor", completou.

"Se colocamos uma pessoa lá –e graças a Deus eu não votei nela. Votei na Marina no primeiro turno e no Aécio no segundo–, o povo brasileiro a elegeu e depois viu que, realmente, o mandato não está de acordo com as promessas que ela tinha feito durante a campanha, creio que tem que haver o impeachment, sim", afirma.

Rosane, que há pouco mais de um ano lançou o livro "Tudo o que Vi e Vivi", em que, segundo diz, conta "absolutamente tudo, todos os bastidores" do curto mandato de Collor na Presidência da República afirma que o "que aconteceu em 1992 é exatamente o que está acontecendo hoje. Só muda de figura". "É importante lembrar que algumas figuras ainda estão lá, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e por aí vai."
*
Folha - Em sua opinião, quais são as razões para o impeachment da presidente Dilma Rousseff?
Rosane Malta- Fiz parte dessa história e por muito menos o Fernando teve de sair da presidência. Não estou tirando a culpa de ninguém, nem dizendo que ele era inocente ou culpado. Isso é a Justiça quem tem que dizer. Mas as leis têm que funcionar para qualquer pessoa, independentemente de quem seja. E olha que eu não o defendo. Ao contrário, estou na Justiça brigando com ele por pensão alimentícia atrasada e outras tantas coisas.
Temos que ter justiça. Da mesma forma que o ex-presidente Fernando Collor foi julgado, sofreu o processo de impeachment e acabou renunciando, acredito que a Dilma tem que passar por todo esse processo. Por que Collor foi condenado naquela época? Porque o povo quis, o povo foi às ruas, a grande maioria do Congresso quis, o Senado quis. É a voz do povo.
E, como se diz, a voz do povo é a voz de Deus. Se nós colocamos uma pessoa lá –e graças a Deus eu não votei nela. Votei na Marina no primeiro turno e no Aécio no segundo–, o povo brasileiro a elegeu e depois viu que, realmente, o mandato não está de acordo com as promessas que ela tinha feito durante a campanha, creio que tem que haver o impeachment, sim.
Você não a relaciona, então, aos escândalos de corrupção?
Ela prometeu diversas coisas para ser reeleita presidente da República. Disse que não aumentaria isso, nem aquilo. Claro que o governo também está passando por uma fase difícil na política e na economia, tanto que ela acabou de mudar um ministro para ver se consegue sair dessa situação. Agora, não sou Justiça, não tenho documento na mão para dizer se ela interfere ou não na continuidade [de ações de corrupção].
Se a Justiça detectar problemas, que ela está envolvida a alguma coisa e que ela possa atrapalhar [o andamento das investigações], a melhor coisa que tem que ter é o impeachment. Até porque quando ela estava na Petrobras e autorizou a compra por uma fortuna a refinaria [de Pasadena]. Dou minha opinião como leiga, baseada em tudo que tenho visto e lido nos jornais. Mas por tudo isso sou a favor do impeachment.
Há um sentimento de arrependimento?
Erro todo mundo comete, o brasileiro cometeu erro ao acreditar neste partido [o PT], dando oito anos de mandato ao Lula e mais oito a Dilma. O povo tem o direito de errar e também tem o direito de reivindicar por um país melhor. Porque somos nós que estamos sofrendo, é a população brasileira que está sendo prejudicada. É gente perdendo emprego, é gente que não tem dinheiro para nada.
Aprendi, desde que criança, que é preciso ensinar a pescar o peixe. Não dar o peixe pronto. É como o desenvolvimento de uma criança, que nasce, tem aquele tempo para se preparar para o mundo, e depois começa a andar com os próprios passos. Nesse governo não. Não vejo diferença nenhuma desses governos com o coronelismo que existia antigamente nos sertões das Alagoas –e que ainda existe em muitos lugares.
E é por isso que esse país não vai para frente. Enquanto tivermos esse tipo de política, que não ensine a pescar. Não é justo o Brasil estar passando por essa situação toda. É um aglomerado de coisas. Quando o Brasil não está indo bem, o povo é sábio e sabe para identificar.
Agora, não podemos negar que o Brasil mudou, que o país cresceu. Há 40 anos, nós mulheres não tínhamos o direito de escolher nosso presidente, conquistamos esse direito. Já tiramos um presidente da República e agora estamos evoluindo. Não gostou? Não está bom? Vamos modificar, vamos mudar. Eu fui às ruas, fui a todas manifestações.
Foi uma experiência maravilhosa porque eu já vivi o contrário, estava dentro do Palácio do Planalto, enquanto o povo estava na rua pedindo da saída do presidente. Agora tenho a oportunidade de estar nas ruas junto com o povo dizendo que estão certos. Isso é sabedoria.
Acha que o ex-presidente Fernando Collor foi injustiçado?
Não é que ele não mereceu passar pelo processo de impeachment. Acho que ele foi condenado antes de ser julgado. Os outros presidentes, FHC e Lula, passaram por um processo, foram julgados e depois não houve condenação. No caso do Fernando, ele foi obrigado a renunciar, senão ele seria trucidado. Ele não teve alternativa. Se a Justiça depois viu que ele era inocente, é outra história.

Reuniões com sindicalistas e discussão sobre o PT na Câmara, veja as mensagens do celular de Dirceu

O ex-ministro José Dirceu, que está preso preventivamente em Curitiba. Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo 
O ex-ministro José Dirceu está preso preventivamente em Curitiba.
Mensagens de Whastapp interceptadas pela Polícia Federal no celular do ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, mostram que ele se mantinha ativo politicamente discutindo sobre indicações políticas no governo, sobre disputas no Congresso e até agendava reuniões com líderes sindicais enquanto cumpria prisão domiciliar no ano passado sua pena de sete anos e 11 meses por corrupção ativa no escândalo do mensalão. Em agosto de 2015 ele foi preso novamente, desta vez acusado de receber propinas no esquema de corrupção na Petrobrás, e atualmente ele é réu na Justiça Federal no Paraná respondendo pelos crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Um dos diálogos que mais chamou a atenção dos investigadores da Polícia Federal foi com a historiadora e ex-assessora política do ex-ministro, Maria Alice Vieira. Em 10 de novembro de 2014 ela envia uma mensagem a Dirceu sobre o cenário político. “As coisas estão em total ebulição, mas tem questões imediatas como a disputa da câmara que vai envolver todo mundo”.

O ex-ministro então responde “eu sei, vamos ver o que dá pra fazer”. Na época, a presidente Dilma havia acabado de ser reeleita e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desafeto do governo, já articulava sua candidatura para a Presidência da Câmara que acabou saindo vitoriosa em fevereiro de 2015 contra o petista Arlindo Chinaglia. Para a Polícia Federal, o episódio aponta que Dirceu “ainda utiliza sua influência no cenário político brasileiro”.

Em outro momento da conversa Dirceu diz que não foi procurado por “Rui”, uma possível referência ao presidente do PT Rui Falcão. “Até agora Rui não me procurou, o que significa que como no (regime ) semiaberto ele não me procurará”, afirmou o ex-ministro em referência ao período em que cumpriu parte de sua pena na penitenciária da Papuda, em Brasília.

Em seguida ele afirma que vai se encontrar com “Zeca” para discutir a situação da “bancada”. “Zeca vem tomar café comigo amanhã e me relatar como foi o jantar e a situação na bancada”. O filho do ex-ministro, Zeca Dirceu, é deputado federal do PT pelo Paraná. O partido também tem um deputado federal chamado Zeca do PT, do Mato Grosso do Sul.

Mais tarde, na mesma conversa, o ex-ministro faz uma breve análise do cenário político logo após a apertada vitória de Dilma nas eleições presidenciais. “Tudo indica que aos poucos Lula e a própria bancada vão se organizando para a disputa da presidência, formação da maioria e indicação (de) ministério, mas tudo dependerá dela”, afirma.

Sindicalistas - Outros pontos do diálogo que chamaram a atenção da PF são as reuniões do ex-ministro com sindicalistas enquanto ele cumpria sua pena em regime aberto, no qual o condenado só pode sair de casa para trabalhar e tem que cumprir uma série de restrições. Em oito de novembro Maria Alice cumprimenta Dirceu e este avisa que está em uma reunião com “Jacy”, que segundo a PF seria o secretário de Organização Política e Sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT) ligada ao PT. O ex-ministro avisa que o sindicalista saiu tarde e pede para conversar no dia seguinte.

No dia 10, então, ele relata: “Jacy Afonso esteve aqui e vamos trabalhar juntos algumas questões, ele está muito interessado na questão da mídia”, e segue “marque com o Wagner Freitas (presidente da CUT) o mais rápido possível”. O ex-ministro é logo respondido por Maria Alice “ok, falo com ele hoje”. Eles então acertam o encontro para uma quinta-feira e Maria Alice questiona se vai ser na residência de Dirceu, ao que ele responde “sim, com descrição total”.

O conteúdo das mensagens confirma que Dirceu, embora afastado oficialmente da política, ainda acompanhava de perto as movimentações do PT.

No último dia 24 de dezembro a presidente Dilma publicou um decreto de indulto natalino que pode livrar o ex-ministro de sua pena pelo mensalão. A defesa de Dirceu deve pedir o benefício ao Supremo. O indulto, contudo, não livra o ex-ministro do processo do qual é réu na Lava Jato.

Dilma reajusta mínimo acima da inflação: R$ 880

Apesar da crise econômica, a presidente Dilma Rousseff manteve a política de reajustes reais do salário mínimo e fixou em 11,1% o aumento do piso salarial no País.

A partir de sexta-feira, 1º de janeiro de 2016, o salário mínimo no Brasil passará dos atuais R$ 788 para R$ 880,00. O decreto será publicado na edição desta quarta-feira 30 do Diário Oficial da União.

O valor também é superior às previsões iniciais do Palácio do Planalto, que trabalhou com uma estimativa inicial de R$ 865,50 quando enviou a proposta de Orçamento de 2016 ao Congresso Nacional.

Teto da Previdência deve ir para R$ 5.203 com novo salário mínimo

O ministro da Previdência Social, Miguel Rossetto, afirmou que não há risco de o governo federal e de outros governos não terem recursos para garantir o pagamento do aumento do salário mínimo, que passará para R$ 880 a partir de janeiro.

Segundo ele, os parâmetros de arrecadação também serão aumentados, garantindo recursos para o pagamento. Ele citou o aumento do teto do valor da Previdência Social, que deverá passar de R$ 4.663 para R$ 5.203. Este valor teto baliza o desconto do INSS no salário dos trabalhadores.

Rossetto defendeu a política de valorização do salário mínimo, que foi responsável por um aumento real de 76% desde 2003. Segundo ele, essa política está assegurada até 2019 por iniciativa da presidente Dilma Rousseff aprovada pelo Congresso.

"A renda nacional é responsável por grande parte da dinâmica econômica, mais de 60% do dinamismo. Essa política tem permitido fortalecer e ampliar o mercado interno. Tem diminuído as desigualdades de renda e elevado a qualidade de vida. É uma política correta valorizar e estimular o mercado interno. É um vetor forte do nosso desenvolvimento", afirmou Rossetto.
Leia também > Governo confirma aposentadoria para mulheres aos 65 anos

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Tristeza: Morre o meu amigo Gilberto Aquino.

Gilberto Aquino, 62 anos, corretor de imóveis, faleceu hoje em Santarém. Seu corpo está sendo velado na Igreja de Nossa Senhora das Graças e o sepultamento será amanhã (30).
Descanse em paz meu dileto amigo. 
Aos seus familiares, as minhas condolências.

Vale a pena ler: Oração de ano novo

Por Tânia Fusco, jornalista mineira - O Globo
São Jorge (Foto: Arquivo Google)
Foi difícil ser feliz em 2015. Um ano lascado! Mas chegamos até aqui e daqui, com crenças ou sem crenças, não custa invocar São Jorge para que nos proteja – muito – em 2016.

Andaremos vestidos e desarmados com as armas de Jorge. Para que os maus, os malas, idiotas e medíocres, tendo patas, não alcancem os da paz. Tendo garras, arranhem a si próprios e aos seus pares, mas não nos alcancem de jeito nenhum.

Sua benção, santo guerreiro! Faça com que os de olhos injetados por raivas e ódios troquem o escuro por luz amena e doce.

Que preconceitos de credo, raça, ideologia e classe social não nos alcancem. Que os espíritos sejam amansados e corações suavizados.

São Jorge proteja-nos dos bêbados mal criados, que andam soltos de Ipanema ao Leblon, da Avenida Paulista aos points do litoral inteiro. Leve esses todos para Ibiza, Santorini e Bora Bora. E que lá, felizes e chapados de branco, fiquem o verão inteiro.

Vamos ser generosos. Até o carnaval, pelo menos, pode deixa-los todos nos seus iates, em alto mar ou nas marinas.

Na volta, São Jorge, faça com que paguem contas e impostos, não soneguem mais IR, não comprem recibos, não apresentem atestados falsos e notas frias, não andem pelos acostamentos, nem ultrapassem pela direita, não subornem guardas, não furem filas e nem estacionem em vagas reservadas a idosos e cadeirantes.

Faça também com que não se incomodem tanto de registrar e pagar direitos dos empregados domésticos. Dê-lhes discernimento. Ensine: pequena ou grande, corrupção é corrupção e que, os que praticam as pequenas, se chance tivessem, sem cerimônia, também avançariam nos cofres públicos.

São Jorge, dê simancol aos que abordam fumantes ameaçando com morte próxima e, por favor, faça com que eles todos cuidem só de seus próprios cânceres.

Santo guerreiro, afaste de nós os praticantes do caixa 2 e os falsos todos – aqueles de discurso politicamente correto e atitudes fascistas, machistas, sexistas, homofóbicas, os que, proclamando-se cristãos, são cruéis, rancorosos, vingativos, impiedosos e mesquinhos.

Livrai-nos dos direitistas e dos esquerdistas cegos porque servem perigosamente aos manipuladores de todas as vertentes. São sempre massa de manobra para os golpes, para as ditaduras e assemelhados.

São Jorge, santo forte, proteja-nos dos espancadores de mulheres e crianças, dos pedófilos e dos torturadores, dos que humilham e, de muitas formas, assediam os mais fracos, os desprotegidos da lei e da sorte.

A lista está grande, mas eles são muitos e, cada vez mais, saem das tocas e dos porões. Como são covardes, usam a distancia e o anonimato dos meios eletrônicos para expor sua ignorância, seu autoritarismo, disparando nas redes sociais as muitas formas de seu nazi-fascismo.

Livrai-nos e protegei-nos deles todos. São pusilânimes e perigosos – particularmente quando estão em grupos. Sozinhos são uns merdas, como o Santo já está careca de saber, né?

São Jorge abençoado, afasta de nós o cálice amargo da inflação, e os cínicos maus governantes que deixam faltar tudo nos hospitais, que roubam dinheiro até da merenda escolar, que têm a cara de pau de prometer tudo e não entregar nada.

Livrai-nos de candidatos que são reincidentes espancadores de mulheres. E também dos pregadores do caos, dos devoradores de esperanças, e dos call centers de bancos, telefônicas, serviços públicos, empresas aéreas e da NET.

Afasta de nós as secas e as cheias. Ajuda a salvar Mariana e o rio Doce, pune a Vale e todos os filhas-da-mãe responsáveis pela barreira que rompeu.

Protegei-nos do zica vírus, da chikungunya, de todas as consequências das picadas dos aedes aegypti, da mosca zul, do EL, da Fifa e da CBF. São muito do mal.

São Jorginho, meu querido, arranja rápido um castigo para os falsos profetas, pastores e padres homofóbicos, corruptos e corruptores de todas as bitolas. Livrai-nos da soberba e dos soberbos, da prepotência e dos prepotentes.

Com fé, armas de fogo não nos alcançarão. Facas e lanças serão quebradas. Cordas e correntes amarrarão braços e pernas dos que, mesmo muito vivendo, nada aprenderam, os vaquinhas de presépio.

São Jorge guerreiro, perdoe tantos adjetivos e seja nosso defensor contra todos os aqui nomeados e adjetivados. Que 2016 faça esquecer 2015 e suas mazelas.

Se não for pedir demais, santo forte, traga tolerância, alguma inocência, mais doçura, amor e paz para todos no mundo inteiro. Amém.

PT, CUT e MST empurram Dilma para a esquerda

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Ontem (28), última segunda-feira de 2015 foi marcada por manifestações firmes de importantes aliados da presidente Dilma Rousseff no campo dos movimentos sociais.

Com o arrefecimento do projeto golpista da oposição, em sua grande parte debelado com a ajuda da militância petista e de movimentos sociais, como a CUT e o MST, a presidente Dilma terá, agora, que administrar as cobranças por um governo mais à esquerda, o que irá dificultar, por exemplo a realização do propostas do ajuste fiscal como as reformas da previdência social e trabalhista.

Segundo pesquisa feita pela Vox Populi a pedido da Central Única dos Trabalhadores (CUT), 90% dos trabalhadores rejeitam a possibilidade de mudança nas regras previdenciárias. Quanto aos programas sociais, 75% dos trabalhadores responderam que o governo não deve cortar recursos e outros 82% responderam que diminuir impostos sobre salários ajudaria o país (leia mais).

Mudanças na atual política econômica também foi reivindicada pelo líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile. "Que o governo volte a assumir os compromissos que fez na campanha. Se o governo não der sinais que vai mudar, que vai assumir o que defendeu na campanha, será um governo que se autocondenará ao fracasso", afirmou (leia aqui).

Dentro do próprio partido da presidente, a posição majoritária é por uma política mais voltada à expansão do crédito e pela manutenção dos direitos trabalhistas e previdenciários. O presidente do PT, Rui Falcão, afirmou também nesta segunda-feira que o governo precisa se concentrar na "construção de uma pauta econômica que devolva à população a confiança perdida após a frustração dos primeiros atos de governo". "Agora que o risco do impeachment arrefeceu, é hora de apresentar propostas capazes de retomar o crescimento econômico, de garantir o emprego, preservar a renda e os salários, controlar a inflação, investir, assegurar os direitos duramente conquistados pelo povo" (leia mais).

Até agora, o discurso de Dilma e de seu novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, mantém a defesa do ajuste fiscal; no entanto, os aliados que foram às ruas em defesa da legalidade condicionam seu apoio e querem um governo mais à esquerda.
Leia também>Stedile: 'não aceitaremos um desempregado a mais'
O novo salário mínimo deverá ser de R$ 880, a partir de 2016. O decreto com o valor será assinado nesta terça-feira (29) pela presidente Dilma Rousseff, segundo informou o ministro do Trabalho e da Previdência Social, Miguel Rossetto.

O valor é R$ 92 maior do que o piso pago atualmente, de R$ 788, e está acima das previsões iniciais do governo, que trabalhava com um valor de R$ 871.

Em novembro, o governo avaliou a possibilidade de adiar o reajuste do mínimo de janeiro para maio, mas a proposta não foi adiante.

Escrito em 2004, artigo de Moro sobre operação na Itália espelha Lava Jato

Há 11 anos, o juiz Sergio Moro, então um desconhecido, escreveu o artigo "Considerações sobre a Operação Mani Pulite" [Operação Mãos Limpas], a megainvestigação nos anos 1990 que desvendou um esquema de corrupção na Itália.
Hoje, ele usa os princípios defendidos em 2004 como uma espécie de manual para a Lava Jato.
Veja a comparação entre o que Moro escreveu e o que ocorre na Lava Jato.

Corrupção em petrolíferas
Em 2004
"A Operação Mani Pulite também revelou que a ENI [Ente Nazionale Idrocarburi, a empresa petrolífera estatal italiana] funcionaria como uma fonte de financiamento ilegal para os partidos"
Hoje
A Lava Jato começou investigando uma rede de doleiros em vários Estados e descobriu um vasto esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo políticos e as maiores empreiteiras do país

Juízes contra a corrupção
Em 2004
Uma nova geração dos assim chamados 'giudici ragazzini' (juízes jovenzinhos), sem qualquer senso de deferência em relação ao poder político (e, ao invés, consciente do nível de aliança entre os políticos e o crime organizado), iniciou uma série de investigações sobre a má-conduta administrativa e política"
Hoje
Com a criação das varas especializadas em lavagem de dinheiro e crimes financeiros, um grupo de jovens juízes federais dedicou-se ao processamento e julgamento desses crimes, entre os quais Sergio Moro, Fausto De Sanctis, Jorge Costa (mensalão do PT), Abel Gomes, Gerson Godinho Costa, Cassio Granzinolim e Danilo Fontenelle

Colaboração de réus presos
Em 2004
"A estratégia de investigação adotada desde o início do inquérito submetia os suspeitos à pressão de tomar decisão quanto a confessar, espalhando a suspeita de que outros já teriam confessado e levantando a perspectiva de permanência na prisão pelo menos pelo período da custódia preventiva no caso da manutenção do silêncio ou, vice-versa, de soltura imediata no caso de uma confissão"
Hoje
Os acordos de colaboração foram adotados pela primeira vez no Brasil em 2003, por iniciativa do Ministério Público Federal. Posteriormente, o Ministério da Justiça e o Congresso aderiram ao modelo de "réu colaborador", disciplinado pela nova Lei do Crime Organizado, de 2013. Na Lava Jato já são mais de 30 delatores. Muitos aderiram após prisão preventiva ou temporária

Delação premiada e confissões na prisão
Em 2004
"Há quem possa ver com maus olhos tal estratégia de ação e a própria delação premiada [...] Não se prende com o objetivo de alcançar confissões. Prende-se quando estão presentes os pressupostos de decretação de uma prisão antes do julgamento. Caso isso ocorra, não há qualquer óbice moral em tentar-se obter do investigado ou do acusado uma confissão ou delação premiada, evidentemente sem a utilização de qualquer método interrogatório repudiado pelo Direito"
Hoje
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o "Kakay", afirmou que os investigadores da Lava Jato forçam a prisão de executivos e políticos por tempo indeterminado para garantir a delação premiada, o que caracteriza antecipação da pena. Outros defensores de réus têm críticas parecidas

Morosidade da Justiça Em 2004
"A prisão pré-julgamento é uma forma de se destacar a seriedade do crime e evidenciar a eficácia da ação judicial, especialmente em sistemas judiciais morosos"
Hoje
Dez anos depois da criação das varas especializadas em lavagem, muitos processos com condenações em primeira instância ainda ficavam parados nos tribunais; na Lava Jato, até agora mais de 100 suspeitos foram presos antes de julgamento

Prêmios a colaboradores
Em 2004
"Não há motivo para o investigado confessar e tentar obter algum prêmio em decorrência disso se há poucas perspectivas de que será submetido no presente ou no futuro próximo, caso não confesse, a uma ação judicial eficaz"
Hoje
Colaboradores/delatores da Lava Jato são beneficiados rapidamente. Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, deixou a prisão, está no regime semiaberto. Pedro Barusco, ex-diretor da Sete Brasil e ex-gerente da Petrobras, nunca chegou a ser preso. Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, usa tornozeleira e está em prisão domiciliar

Uso da imprensa
Em 2004
"Os responsáveis pela Operação Mani Pulite ainda fizeram largo uso da imprensa. Com efeito: para o desgosto dos líderes do PSI (Partido Socialista Italiano), que, por certo, nunca pararam de manipular a imprensa, a investigação da 'mani pulite' vazava como uma peneira"
Hoje
Na Operação Lava Jato, como em qualquer caso dessa natureza e com essa repercussão, isso não é diferente. Vários réus e advogados já reclamaram do que chamam de vazamentos seletivos

Opinião pública
Em 2004
"Apesar de não existir nenhuma sugestão de que algum dos procuradores mais envolvidos com a investigação teria deliberadamente alimentado a imprensa com informações, os vazamentos serviram a um propósito útil. O constante fluxo de revelações manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva"
Hoje
A força-tarefa da Lava Jato dá notável importância à forma como as informações sobre o caso são veiculadas. Os resultados são perceptíveis. Neste ano, conforme o Datafolha, o tema corrupção passou a ser visto pelos brasileiros, pela primeira vez, como o principal problema do país. Mas também há riscos nessa relação. O relator da Lava Jato no STF, o ministro Teori Zavascki, já afirmou que há "um perigoso canal de vazamento" de informações sigilosas para beneficiar pessoas poderosas

Obstruções aos juízes
Em 2004
"A publicidade conferida às investigações teve o efeito salutar de alertar os investigados em potencial sobre o aumento da massa de informações nas mãos dos magistrados, favorecendo novas confissões e colaborações. Mais importante: garantiu o apoio da opinião pública às ações judiciais, impedindo que as figuras públicas investigadas obstruíssem o trabalho dos magistrados, o que, como visto, foi de fato tentado"
O ex presidente do STF Joaquim Barbosa
Hoje
Sergio Moro foi alvo de tentativas de afastá-lo da Lava Jato, sob a alegação de "parcialidade" e "pré-julgamento". Os mesmos argumentos foram usados, sem sucesso, contra o ministro Joaquim Barbosa na ação penal do mensalão do PT
Fonte: Folha de SP