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sexta-feira, 4 de maio de 2018

STF decide por unanimidade restringir foro especial de parlamentares

Por unanimidade, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ontem (3) restringir o foro especial para deputados federais e senadores. Agora, a corte vai processar e julgar apenas casos em que os crimes tenham sido cometidos em razão do cargo e durante o mandato.
 
Entre os casos que estão no Supremo, cada ministro vai decidir se envia o inquérito para outra instância. 
 
Os magistrados também definiram que os casos que estiverem na fase de intimação para as alegações finais –depois da colheita de provas – o processo não vai mais mudar de instância, mesmo que o político renuncie ao cargo. 

Dos 11 magistrados, 7 votaram para que o Supremo julgue apenas crimes relacionados à função parlamentar e durante o mandato. Esta foi a posição de Luís Roberto Barroso, relator da ação, Marco Aurélio, Rosa Weber, Edson Fachin, Luiz Fux, Celso de Mello e a presidente do tribunal, Cármen Lúcia.

Os outros quatro votaram para que a corte julgue crimes cometidos durante o mandato – independentemente se o delito tem relação com a função parlamentar. A divergência foi aberta por Alexandre de Moraes e seguida por Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.
 
Além disso, Toffoli propôs estender a restrição de foro especial a todas as autoridades do país. Segundo ele, a medida atingiria 16 mil casos, incluindo “um número expressivo” de casos relativos a crimes cometidos por prefeitos antes da diplomação. Gilmar Mendes se manifestou a favor.

Hoje o processo tramita de um tribunal a outro, de acordo com o cargo que o investigado ocupa: se ele comete um crime sem ter mandato e depois é eleito deputado federal ou senador, por exemplo, o processo vai da primeira instância para o STF, mas quando deixa o cargo, o caso volta ao outro tribunal.
 
Essas idas e vindas entre diferentes instâncias da Justiça, apelidadas de "elevador processual", sobrecarregam os tribunais superiores e atrasam o desfecho dos processos, aumentando a chance de os crimes prescreverem (ficarem sem punição), segundo Barroso.
 
Esta foi a quinta sessão em que os ministros discutiram o alcance do foro especial em um período de um ano.

JULGAMENTO

Gilmar Mendes foi o único a votar ontem. Durante duas horas ele fez diversas críticas ao sistema Judiciário e alertou que a restrição do foro não a única medida que pode ser tomada para reduzir a impunidade no país. Ele criticou o tempo de férias dos magistrados e benefícios de procuradores.

“Não temos nem sequer estatísticas confiáveis da atuação da justiça criminal no Brasil. Os poucos dados existentes não são reconfortantes. A primeira instância do Poder Judiciário é notória por sua disfuncionalidade”, disse Gilmar.

Gilmar já havia criticado o fim do foro especial nos moldes propostos por Barroso. Em seu voto, disse que “a limitação proposta é incompatível com a Constituição e não traz a almejada perspectiva de uma melhora na persecução penal”.

“Tenho que, neste caso, o STF não está verdadeiramente interpretando a Constituição Federal, mas a reescrevendo. Para disfarçar o exercício do poder constituinte, tenta dar-lhe o verniz da interpretação jurídica das normas constitucionais”, afirmou.

“Medidas investigatórias e cautelares, como ficam? Poderia um juiz de primeira instância quebrar sigilo de qualquer um?”, questionou.

Gilmar disse ainda que, a partir de 2001, quando deixou de ser necessária a autorização do Legislativo para o STF processar congressistas, a corte ficou sobrecarregada.

“O julgamento do mensalão [do PT] paralisou o STF por meses. Somente o julgamento da ação penal tomou 53 sessões, ao longo de quatro meses e meio. No total, foram 69 sessões. O tribunal fez o que pôde para adaptar-se à nova realidade, movendo julgamentos para as turmas e convocando magistrados instrutores”, afirmou.

Ele comparou o mensalão petista, que tramitou no STF, com os do PSDB e do DEM, que foram para instâncias inferiores. “Notório é o caso do mensalão tucano, originalmente denunciado perante esta corte. A denúncia, oferecida em 2007, foi recebida, tendo sido instaurada a ação penal 536. Houve declinação da competência para a primeira instância, com o processo instruído, em 2014. Apenas na semana passada, a causa teve embargos infringentes julgados no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Ainda cabem embargos de declaração e recursos extraordinário e especial”, afirmou.

“O mensalão do DEM, investigado em 2009, até o momento, não gerou notícia de solução de ações penais”, acrescentou Gilmar.

“Ainda assim, está claro que a prerrogativa de foro, com a amplitude dada pela Constituição Federal, tornou-se insustentável”, disse o ministro.

AJUSTES
Quando o julgamento acabou, Barroso disse a jornalistas que os ajustes vão ser feitos à medida que os casos surgirem.

“Há muitas situações em aberto. Acho que há um princípio geral que estabelecemos, mas é preciso que venham outros casos com próprias peculiaridades para definir cada situação”, acrescentou.

A decisão vai passar a valer depois que for publicada, “mas agora todo mundo já sabe”, disse Barroso.

“Eu mesmo estava esperando essa decisão para baixar casos no meu gabinete. Nos novos, eu já estava começando a baixar”, acrescentou.

“É preciso repensar sistema de justiça criminal, mas foro trazia problemas de politização [dos processos]. Nenhum país do mundo funciona como tribunal penal de primeiro grau como aqui”, disse Barroso.

Em seu voto, Gilmar foi muito crítico com as possíveis consequências que a restrição ao foro pode ter. “Além do verniz de técnica jurídica, a nova interpretação vem embalada em argumentos consequencialistas. É apresentada como a solução para desafogar os tribunais, acelerar a punição de poderosos, afastar influências políticas dos processos penais”, disse. “A preocupação com o andamento dos trabalhos do STF, supostamente assoberbado pelo número de investigações e processos contra parlamentares federais, é válida. Mas o diagnóstico de que o Supremo Tribunal falha no exercício da competência penal originária é construído sem a correta avaliação das bases empíricas”, afirmou.

Deputados e senadores serão afetados por restrição do foro
 
Sete ministros votaram a favor de o Supremo julgar apenas crimes relacionados à função parlamentar e cometidos durante o mandato

Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio, Rosa Weber, Edson Fachin, Luiz Fux, Celso de Mello, Cármen Lúcia

Quatro ministros votaram a favor de o Supremo julgar crimes cometidos durante o mandato, independentemente se o delito tem relação com a função parlamentar. Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes


Outra mudança decidida pela corte

Ficou definido que os casos que estiverem na fase de intimação para as alegações finais –-depois da colheita de provas-– não vão mais mudar de instância, mesmo que o político renuncie ao cargo

OAB diz que não basta reduzir foro, ‘outras regalias precisam ser extintas’

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, disse ontem, 3, que a decisão do Supremo de restringir o alcance do foro privilegiado ‘está em compasso com as aspirações democráticas e republicanas descritas na Constituição Federal de 1988’.

Em nota, a principal entidade da Advocacia assinala que ‘muito ainda há de ser feito’.

“Outras regalias precisam ser extintas”, afirma Lamachia. “É o caso da concessão indiscriminada de veículos oficiais, das viagens com fins privados em aviões públicos e dos penduricalhos salariais que, muitas vezes, ultrapassam o teto do funcionalismo público.”

“O julgamento desta quinta-feira, 3, marca uma evolução do direito nacional na busca pela eliminação dos privilégios que aumentam o fosso entre algumas autoridades públicas e a população em geral”, considera Lamachia.

Segundo o presidente da Ordem, a decisão dos ministros do Supremo representa ‘um passo concreto contra a impunidade’.

“O foro privilegiado como era até hoje obrigava o principal tribunal do país, que tem como missão se ocupar das grandes questões constitucionais, a se ocupar com causas corriqueiras do dia a dia de alguns privilegiados, congestionando o STF e contribuindo para a morosidade”, afirma.

Ele destacou que a OAB ‘tem defendido mudanças drásticas na forma como o foro por prerrogativa de função tem sido usado’.

“O foro deveria existir para proteger as instituições e não os ocupantes temporários das funções públicas”, declara Claudio Lamachia. “A decisão de hoje do Supremo é muito importante. Ainda é preciso, no entanto, perseguir a eliminação dos outros privilégios que continuam em desacordo com os valores republicanos.”

A vida de Lula no cárcere

O elevador para no 3º andar do prédio da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Quando se sai dele, à esquerda, um agente fardado, com uma espingarda calibre 12 em punho, impede o acesso à escada de incêndio. Subindo-se as escadas, em direção ao 4º andar, há duas portas corta-fogo de ferro. Cada uma delas exibe um alerta impresso em papel sulfite branco: o ambiente é monitorado por câmeras. O acesso é permitido somente a pessoas autorizadas. Atravessando-se a última porta, logo à direita, percebe-se que ali existe algo diferente. Uma fita azul, semelhante às usadas nos aeroportos para formar filas, dificulta o avanço de quem aparece. Ultrapassando-se a barreira, dois agentes fardados com uma pistola, do Grupo de Pronta Intervenção (GPI), a tropa de elite da PF, fazem uma espécie de barricada ao lado de uma porta de madeira. Cruzando-se essa porta tem-se acesso a uma sala. É nesse espaço, de 15 metros quadrados, isolado e protegido da curiosidade alheia, que se encontra “o cliente”, apelido dado pelos policiais ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril.

VEJA teve acesso com exclusividade ao local onde o petista está detido e reconstituiu o cotidiano de seu primeiro mês na prisão — uma rotina diferente da dos outros 22 presos na carceragem da PF em Curitiba. O ex-presidente não tem hora para acordar ou dormir, não tem hora para o banho de sol, pode receber os advogados quando desejar, as visitas não passam pela revista íntima e a cela, confortável se comparada às demais, não fica trancada. Normalmente, a porta permanece apenas fechada. Mesmo sem horários rígidos, o dia de Lula na prisão começa por volta das 7 horas — e segue uma rotina especial. Após pular da cama, Lula tem o hábito de ligar a televisão para acompanhar o noticiário da manhã. O desjejum é servido por volta das 7h30. O cardápio é frugal e o mesmo dos demais presos: café preto e pão com manteiga. Em deferência ao prisioneiro, o encarregado de servir a refeição bate na porta antes de abri-la. Entra, coloca a marmita sobre a mesa redonda e aplica uma dose de insulina no ex-presidente, necessária para o tratamento do diabetes.

Lula é quem mais envergonha o País, diz pesquisa

Levantamento exclusivo do instituto Paraná Pesquisa em todo o País para o Diário do Poder mostra que o ex-presidente Lula, cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro, lidera a lista dos dez políticos que mais fazem vergonha aos brasileiros. Lula envergonha 26,4% dos entrevistados, seguido de Michel Temer (20,3%) e Aécio Neves (PSDB) 11,7%. Outro presidiário, Sérgio Cabral, tem 10%. Veja (abaixo) os detalhes e a lista da vergonha. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Retirada da Presidência da República em maio de 2016, Dilma Rousseff (8,6%) está em 5º lugar entre os que mais nos envergonham.

Símbolo da corrupção tanto quanto Lula, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, para 5,4%, também cobre o País de vergonha.

Os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Renan Calheiros (MDB-AL) também estão na lista de políticos que fazem vergonha aos brasileiros.

Para 4,9%, Bolsonaro envergonha, e Alckmin, 1%. Foram 2002 ouvidos em 154 cidades, de 27 de abril a 2 de maio. 
 
Registro da Pesquisa: Nº BR-02853/2018/TSE.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

"Galeria de Amigos": CLÁUDIO RENDEIRO

Juiz de Direito, competente e íntegro, Cláudio Rendeiro, dono do personagem Epaminondas Gustavo, lançará os seus dois primeiros livros - um de Líricas e outro de Sátiras - no dia 8 de junho, no Hangar, por ocasião da Feira do Livro. Merece ser prestigiado.

Gleisi esperneia contra Raquel Dodge

Gleisi Hoffmann foi ontem à tribuna do Senado para dizer que entrará com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público contra Raquel Dodge, relata O Globo.

O motivo, claro, é a denúncia apresentada pela PGR ontem contra Lula, Antonio Palocci, a presidente do PT e seu marido, Paulo Bernardo.

Lançando mão de seu rico vocabulário, Gleisi chamou a peça de Dodge de “irresponsável”, “inepta”, “mentirosa” , “sem provas”, “infantil” , “falsa” e de “má-fé”.
Fonte: O Antagonista 

Outra de Gleise
Ao saber da declaração do ex-ministro Jaques Wagner de que o PT pode indicar um vice numa chapa de Ciro Gomes, a presidente Gleisi Hoffmann reagiu: “Mas ele não sabe que o Ciro não passa no PT nem com reza brava?”.

Frescuras da realeza

Todos os olhares estão voltados para Londres. No dia 19 de maio, o príncipe Harry vai se casar com Meghan Markle e o dress code dos noivos, padrinhos e convidados é um dos quesitos que serão mais observados. Confira, abaixo, protocolos que devem ser seguidos na ocasião – já que ir a uma cerimônia dessas envolve muito mais questões do que simplesmente escolher um belo vestido. Afinal, ninguém quer cometer uma gafe com a rainha. Tome nota!

É obrigatório o uso de chapéus na igreja
Se visto de cima, um casamento real é forrado de chapéus, como pede a tradição. A forma apropriada de uma convidada se vestir para a ocasião implica cobrir os ombros e os cabelos – é aí que o chapéu entra. O acessório é um símbolo de status – quanto mais elaborado o modelo, maior a classificação social.

O buquê de Meghan
Desde o casamento da rainha Victoria com o príncipe Albert, em 1840, é tradição que noivas façam seus buquês com a flor muguet, símbolo de sorte. Victoria passou a plantá-la em seu jardim depois de sua cerimônia e desde então todas as noivas da família real britânica – incluindo a rainha Elizabeth II, Diana e Kate – as usam em seus buquês.

O vestido de noiva de Meghan Markle deverá ser criado por um estilista britânico
Outra tradição que começou com a rainha Victoria é a de encomendar o vestido com um estilista britânico, para prestigiar um talento local e impulsionar a economia do país. Na época, Victoria usou vestido branco de renda para dar atenção aos fabricantes de tecidos artesanais que estavam arruinados depois da Revolução Industrial. A tática funcionou e o artesanato voltou a ser valorizado por lá. Entre as noivas reais que seguiram o exemplo estão a rainha Elizabeth II, que vestiu Norman Hartnell, a princesa Diana, que usou Elizabeth Emanuel, e Kate Middleton, que apostou em Alexander McQueen.

Príncipe Harry deverá usar traje militar
Assim como sua mulher, o príncipe Albert também era um impulsionador de tendências. Foi ele o primeiro a vestir, em 1840, um uniforme militar. Desde então noivos da família real passaram a seguir o exemplo e Harry deverá fazer o mesmo. Os príncipes Phillip e Charles usaram uniformes de comandantes navais, enquanto o príncipe William, de coronel da guarda irlandesa. Lembrando que Harry passou dez anos de sua vida no exército, incluindo duas temporadas no Afeganistão, onde assumiu o posto de capitão, é de se esperar que ele não fuja à regra.

Esmaltes? Só tons de nude
Esmaltes de tons fortes ou com brilhos deverão ser descartados por Meghan Markle para o grande dia. É regra que, em eventos oficiais, mulheres da família real estejam com as unhas pintadas com esmaltes de tons neutros.

Saltos plataforma estão proibidos
A rainha Elizabeth II detesta saltos plataforma, então, em um protocolo não oficial, nenhum convidado do casamento tem permissão para usá-los no casamento.

Ô loco, meu! Faustão é o que mais fatura na TV.

No ar há 29 anos com seu “Domingão do Faustão”, e com mais de 50 de carreira, Fausto Silva, que ontem (2) completou 68 anos de idade, é o apresentador mais bem pago da televisão brasileira. Entre o salário da Globo e ações de merchandising em seu programa, ele recebe cerca de R$ 5 milhões por mês. A casa onde mora, no Morumbi, está listada como a 8ª maior da cidade a partir de dados do IPTU. O imóvel está avaliado em R$ 32 milhões.

Casamenteiro
O apresentador está no seu terceiro casamento. Sua primeira mulher foi Lucia Helena, com quem ficou casado durante 10 anos. A segunda, com quem viveu por mais de 10 anos, foi a ex-modelo e artista plástica Magda Colares. Atualmente, Faustão está há mais de 15 anos, muito bem casado, com a ex-modelo e jornalista Luciana Cardoso (foto). 

Com Lula preso, instituto faz vaquinha, organiza brechó e corta custo para sobreviver

A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva agravou a já agonizante situação financeira do instituto que leva seu nome.

Com previsão de gasto de R$ 120 mil mensais, o Instituto Lula tem pouco menos de R$ 200 mil em caixa. E esse dinheiro está bloqueado pela Justiça.

Para pagamento de despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários de seus funcionários, o instituto tem sido obrigado a pedir à Justiça a liberação dos recursos.

No dia 15 de março, a entidade lançou uma campanha para arrecadar R$ 720 mil, suficientes para cobrir gastos do primeiro semestre. Desses, 68% são para funcionários. Outros 14% referem-se a custos com água, luz e telefone.

Um mês e meio depois de iniciada, porém, a vaquinha só conseguiu amealhar 26,8% da meta. Foram R$ 193 mil até esta quarta-feira (2).

Como as doações foram feitas via internet, esse dinheiro também está bloqueado. Sem a presença de Lula para impulsionar a campanha de arrecadação e com aumento das despesas de viagens a Curitiba, onde o ex-presidente está preso, o instituto intensificou os cortes de custos.

Uma das medidas foi a transferência do aluguel de um prédio anexo para o PT, onde funcionavam administração e diretorias da instituição. Assim pouparia R$ 10 mil mensais.

O PT instalou no endereço a comissão responsável pela elaboração do programa de governo de Lula, a cargo do ex-prefeito Fernando Haddad. O instituto também reduziu a folha de pessoal à metade. Hoje, conta com sete funcionários. Pelo menos cinco colaboradores diretos do ex-presidente, como seus assessores de imprensa, estão hoje contratados pelo PT.

As despesas com a permanência de auxiliares do ex-presidente em Curitiba correm por conta do partido.
Desde o ano passado, diretores do instituto foram incorporados à estrutura partidária com direito à remuneração. É o caso do ex-ministro Luiz Dulci, hoje na vice-presidência do PT.

O partido custeou ainda as caravanas que Lula protagonizou pelo Nordeste, Sul e Sudeste.
A crise é efeito da Operação Lava Jato. As investigações afugentaram empresas contratantes de palestras do ex-presidente, pelas quais Lula recebia cerca de R$ 200 mil.

De 2011 até 2016, a arrecadação chegou a R$ 32 milhões. Como o instituto era enquadrado como uma instituição sem fins lucrativos, pagou cerca de R$ 2 milhões em impostos. Os outros R$ 30 milhões foram gastos com seu funcionamento.

Em agosto de 2016, a Receita suspendeu a isenção tributária do instituto retroativamente a cinco anos, alegando que a instituição realizou gastos estranhos a atividades típicas de uma ONG.

A cobrança de impostos, somada à aplicação de multas, supera R$ 15 milhões. Por isso, as contas pessoais de Lula e do presidente do instituto, Paulo Okamotto foram também bloqueadas.

Diante das dificuldades financeiras, Okamotto planeja lançar uma campanha de arrecadação em espécie, evitando novo bloqueio dessas doações. Os apoiadores do ex-presidente organizaram um brechó em busca de recursos para o acampamento em defesa de Lula em Curitiba.

"Estamos aumentando as atividades realizadas com voluntários", afirma Okamotto. Sobre a baixa arrecadação da campanha, ele diz que o instituto pagará suas despesas. "Só foi iniciada há um mês. O instituto não irá fechar". (Folha de SP)

Editorial - Folha de SP: Burocracia eleitoral

Reportagem desta Folha mostrou que o número de ações por propaganda antecipada ajuizadas na Justiça Eleitoral despencou 70% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o período correspondente de 2014.

De lá para cá, o total de processos caiu de 140 para 44, e o principal motivo é uma inovação introduzida pelos parlamentares em 2015.

Até então, quase tudo o que um postulante fizesse antes da oficialização das candidaturas poderia ser interpretado como campanha antes da hora. Com a nova redação do art. 36-A da lei n° 9.504/97, houve considerável flexibilização.

Ficaram autorizadas a menção ao intento de participar do pleito, a exaltação às próprias qualidades e a participação em atos como entrevistas e prévias. Basicamente apenas o “pedido explícito de votos” permanece proibido.

Não resta dúvida de que a alteração representou um avanço. Inexistia sentido em ocupar as engrenagens da Justiça para aplicar multas àqueles que estão se posicionando para a disputa eleitoral.

A lógica política, afinal, prevalece sobre o ímpeto controlador da burocracia —e é evidente que os candidatos precisam se apresentar ao público bem antes da data prevista na legislação para o início das campanhas, que é 15 de agosto.

Compreende-se a necessidade de evitar abusos. Entretanto a tentativa de regular todos os passos do processo, ainda presente na legislação, é exercício fadado ao fracasso.

Como resultado temos uma lei extensa, detalhista em excesso, que provoca discussões metafísicas sem fim —quando o autoelogio, por exemplo, se transforma num pedido de voto?

Saem ganhando com isso não os eleitores, mas aqueles que querem atravancar e judicializar a disputa, dado que se torna quase impossível que candidatos, e mesmo cidadãos, não acabem por violar algum dispositivo da norma.

Definem-se até mesmo a área máxima e o material dos adesivos de propaganda que o militante pode afixar na janela de sua casa.

Pior, os mandamentos da Lei Eleitoral não raro conflitam com princípios e regras da Constituição. A Carta afirma que parlamentares são invioláveis por suas opiniões e palavras, mas a legislação específica na prática limita o que um deputado ou senador pode dizer sem sofrer algum tipo de sanção.

Uma vez que será preciso nos próximos anos proceder a uma reforma política de maior fôlego, os legisladores deveriam aproveitar a ocasião para simplificar tais regulamentos. A Justiça Eleitoral não deve ser protagonista do processo, mas um mero coadjuvante que só interfere em situações graves.