Ainda não há estimativa de investimentos na educação, saúde e infraestrutura do Pará. A informação foi dada ontem pelo governador do Estado, Simão Jatene (PSDB), em entrevista ao "Jornal Liberal 1ª Edição", da TV Liberal. O tucano alegou ter recebido o Estado "com desequilíbrio entre receita e despesa para pagar as contas do mês e com dívidas a serem pagas em curto prazo que totalizam R$ 700 milhões".
Jatene disse que neste momento a prioridade é reduzir os custos, elevar a receita para depois investir. O governador garantiu, porém, que os cortes orçamentários não afetarão os investimentos ou parcerias já previstas para este ano. O governador preferiu, no entanto, não falar em valores quando foi questionado sobre investimentos previstos para as escolas, hospitais e estradas paraenses.
Simão Jatene aproveitou o espaço para comentar o último levantamento divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (Segup). O boletim apontou que o número de roubos registrados no Estado durante o mês de janeiro caiu de 7.283, em 2010, para 5.979 este ano. Também houve redução na quantidade de estupros e homicídios registrados no primeiro mês deste ano, em relação a janeiro do ano passado. O número de estupros caiu de 89 para 81 e os homicídios passaram de 259 para 245. As autuações por tráfico de drogas, entretanto, estão maiores este ano. Foram feitas 257 no último mês contra 167 em janeiro do ano passado.
O aumento das autuações por tráfico foi justificada pelo governador como uma prova da maior eficiência da polícia. Segundo ele, os números comprovam o crescimento da ação policial. "Os policiais estão mais motivados e a eficiência aumentou. A polícia está agindo mais e combatendo mais o tráfico de drogas", alegou. Ainda sobre segurança pública, o governador informou que a restrição quanto ao horário de funcionamento dos bares e consumo de bebidas alcoolicas deve ser encarada como uma medida preventiva e definiu a insegurança como uma doença.
"Que a sociedade está doente, todo mundo sabe. Porém é a própria sociedade, unida ao governo, que pode curar essa doença. A violência chegou a um ponto em que todos precisam se unir para combatê-la. A restrição no horário de funcionamento é um freio para que a sociedade e a polícia voltem a ser respeitadas. A pior regra é não ter regras", declarou.
Carnaval: "A sociedade precisa entender que existem regras"
Sobre a proibição do carnaval no bairro da Cidade Velha, também foi a ausência de regras o argumento defendido pelo governador Simão Jatene. Segundo ele, as medidas proibitivas foram necessárias para atender os anseios dos moradores do bairro. "Temos que recuperar a credibilidade, a crença no Estado. A sociedade precisa entender que existem regras a serem seguidas. Não quero acabar com a diversão de ninguém, mas não dá para tolerar os exageros que vinham sendo cometidos nos eventos da Cidade Velha", ponderou.
Questionado sobre a falta de infraestrutura das delegacias do Estado - como a carceragem da Polícia Civil de Parauapebas, onde não há agentes prisionais -, o governador declarou que não houve no governo anterior investimentos voltados para a abertura de vagas no sistema prisional. Ele destacou ainda que o correto é não ter presos em delegacias e que o ideal é prevenir a violência e coibir a criminalidade ao invés de construir novos presídios. "O principal é trabalhar a prevenção e investir em programas como o ProPaz que atua na disseminação de uma cultura de paz entre os jovens", disse.
Jatene comentou ainda sobre a polêmica em relação à hidrelétrica de Belo Monte. O governador fez questão de destacar que historicamente a região amazônica e o Estado do Pará acolhem grandes projetos, porém com eles não chegam apenas os benefícios. Segundo ele, o governo do Estado discute com a mineradora Vale a elaboração de um levantamento que apresente o quanto o projeto renderá no futuro, para garantir que as melhorias para a área afetada. (No Amazônia)
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