De
acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae) é cada vez maior o número de empreendedores em busca de
subsídios para a constituição de uma empresa familiar. "Muitos negócios
surgem como um anseio da família, uma necessidade de construir algo que
garanta a segurança financeira do casal e dos filhos", disse Marcos
Tadeu Alves, gerente de atendimento do Sebrae.
No
entanto, o sonho de um negócio em família corre o risco de se tornar um
pesadelo se o casamento termina no meio da empreitada. "A sociedade
familiar costuma ser mais difícil justamente porque é preciso separar
muito bem a vida pessoal da vida profissional. O nível de
profissionalismo exigido nem sempre é atingido pelos casais", explicou
Alves. Segundo o Sebrae, um passo importante para garantir a
prosperidade do negócio - até mesmo com o fim do casamento - está na
elaboração do contrato social, que precisa ser claro e muito bem
definido quanto aos direitos de cada parte, além da estruturação da
empresa. "O que notamos hoje, é que a maioria desses empreendedores
ainda não se preocupa com a possibilidade de um divórcio, tanto no
aspecto econômico quanto no aspecto legal". Em função disso, muitas
empresas familiares acabam se dissolvendo com o fim do casamento.
Essa,
porém, não é uma regra. É sim possível manter o negócio (bem e
prosperando) mesmo que o casamento termine. Os empresários Roger
Loureiro e Carolina Azevedo são um exemplo disso. Sócios em uma empresa
de iluminação e designer, em Belém, os dois foram casados por cinco
anos, mais ou menos o mesmo período em que estão divorciados, e há 9
mantém a empresa funcionando e em expansão. "Acho que o fundamental é a
relação de confiança que estabelecemos, independente de ser marido e
mulher", disse Roger. Para Carolina, o envolvimento dos dois com o
projeto também pesou na hora de manter o negócio, mesmo com o fim do
casamento. "Quando nos separamos nós já tínhamos encarado a parte mais
difícil do projeto, estava começando a dar os frutos. Conversamos e
tivemos a maturidade de separar as duas coisas", contou.
Mas
se algumas vezes o negócio sobrevive ao divórcio, em outras é o
casamento que não sobrevive à pressão de administrar uma empresa junto
da cara metade. "Acredito que a loja acabou contribuindo para a nossa
separação. Estávamos começando e eu estava muito focado em fazer com que
o projeto desse certo. Acho que acabei deixando que isso interferisse
na nossa relação de casal", avaliou Loureiro. Hoje, mais experiente, ele
acredita que sociedade e casamento têm sim como dar certo. Mas Carolina
não arriscaria outra sociedade com atual marido. "Prefiro assim como
está. Ele com os negócios dele e eu com os meus", brincou.
Para o consultor
financeiro Alberto Soares, a manutenção ou dissolução de uma sociedade
entre ex-casais deve considerar uma série de fatores. No caso de um dos
dois optar por deixar o negócio, por exemplo, a parte que fica precisa
avaliar alguns riscos. "Existem situações em que a expertise de cada
envolvido é fundamental para a manutenção do negócio e, portanto, em
caso de dissolução de uma das partes o negócio passa a correr sério
risco de continuidade e devemos avaliar a sua viabilidade neste novo
cenário", ensinou. Outra sugestão importante é deixar "amarrado" no
contrato social da empresa os papéis de cada um e as regras que
nortearão o negócio tanto no início quanto no caso de dissolução da
sociedade. Afinal, assim como na sociedade entre amigos, para o casais
também vale o velho ditado que diz "negócios à parte." (Por Anna Peres - jornal Amazônia)
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