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domingo, 15 de julho de 2012

Amor e negócio são arriscados. Casais que unem as duas esferas correm o risco de perder tudo.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) é cada vez maior o número de empreendedores em busca de subsídios para a constituição de uma empresa familiar. "Muitos negócios surgem como um anseio da família, uma necessidade de construir algo que garanta a segurança financeira do casal e dos filhos", disse Marcos Tadeu Alves, gerente de atendimento do Sebrae.


No entanto, o sonho de um negócio em família corre o risco de se tornar um pesadelo se o casamento termina no meio da empreitada. "A sociedade familiar costuma ser mais difícil justamente porque é preciso separar muito bem a vida pessoal da vida profissional. O nível de profissionalismo exigido nem sempre é atingido pelos casais", explicou Alves. Segundo o Sebrae, um passo importante para garantir a prosperidade do negócio - até mesmo com o fim do casamento - está na elaboração do contrato social, que precisa ser claro e muito bem definido quanto aos direitos de cada parte, além da estruturação da empresa. "O que notamos hoje, é que a maioria desses empreendedores ainda não se preocupa com a possibilidade de um divórcio, tanto no aspecto econômico quanto no aspecto legal". Em função disso, muitas empresas familiares acabam se dissolvendo com o fim do casamento.

Essa, porém, não é uma regra. É sim possível manter o negócio (bem e prosperando) mesmo que o casamento termine. Os empresários Roger Loureiro e Carolina Azevedo são um exemplo disso. Sócios em uma empresa de iluminação e designer, em Belém, os dois foram casados por cinco anos, mais ou menos o mesmo período em que estão divorciados, e há 9 mantém a empresa funcionando e em expansão. "Acho que o fundamental é a relação de confiança que estabelecemos, independente de ser marido e mulher", disse Roger. Para Carolina, o envolvimento dos dois com o projeto também pesou na hora de manter o negócio, mesmo com o fim do casamento. "Quando nos separamos nós já tínhamos encarado a parte mais difícil do projeto, estava começando a dar os frutos. Conversamos e tivemos a maturidade de separar as duas coisas", contou.

Mas se algumas vezes o negócio sobrevive ao divórcio, em outras é o casamento que não sobrevive à pressão de administrar uma empresa junto da cara metade. "Acredito que a loja acabou contribuindo para a nossa separação. Estávamos começando e eu estava muito focado em fazer com que o projeto desse certo. Acho que acabei deixando que isso interferisse na nossa relação de casal", avaliou Loureiro. Hoje, mais experiente, ele acredita que sociedade e casamento têm sim como dar certo. Mas Carolina não arriscaria outra sociedade com atual marido. "Prefiro assim como está. Ele com os negócios dele e eu com os meus", brincou.

Para o consultor financeiro Alberto Soares, a manutenção ou dissolução de uma sociedade entre ex-casais deve considerar uma série de fatores. No caso de um dos dois optar por deixar o negócio, por exemplo, a parte que fica precisa avaliar alguns riscos. "Existem situações em que a expertise de cada envolvido é fundamental para a manutenção do negócio e, portanto, em caso de dissolução de uma das partes o negócio passa a correr sério risco de continuidade e devemos avaliar a sua viabilidade neste novo cenário", ensinou. Outra sugestão importante é deixar "amarrado" no contrato social da empresa os papéis de cada um e as regras que nortearão o negócio tanto no início quanto no caso de dissolução da sociedade. Afinal, assim como na sociedade entre amigos, para o casais também vale o velho ditado que diz "negócios à parte."  (Por Anna Peres - jornal Amazônia)

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