A Rosane Collor que vi no 'Fantástico' e a primeira-dama que conheci em 1990
Também acompanhei a entrevista de Rosane Collor ao 'Fantástico' como milhões de brasileiros. E fucei a noite inteira as redes sociais para ver a repercussão. As maiores críticas dos internautas eram com relação à pensão de R$ 18 mil que recebe do ex-marido Fernando Collor de Mello e que ela acha pouco. A frase de Rosane durante a entrevista foi: "Pela vida que ele tem, sim (acho pouco). Eu vejo amigas
minhas que se separaram. Agora, há pouco tempo, eu tenho um caso de uma
amiga minha que se separou, o marido não é ex-presidente, não é senador
da República, e tem uma pensão de quase R$ 40 mil". Fiquei pensando
aqui sobre tudo o que ela falou...
Mas, vamos em frente... Revirando os arquivos do JORNAL DO BRASIL,
encontrei a primeira reportagem que fiz com a ex-primeira-dama, em
Brasília, e publicada no dia 24 de novembro de 1990, com chamada de
primeira página. Eu era repórter e fui convocada para fazer uma
entrevista para a coluna 'Canto do Rio'. Precisava focar na paixão de
Rosane pelo Rio de Janeiro, os lugares que ela frequentava, os passeios
que gostava de fazer... Peguei a ponte Rio-Brasília e cheguei cedo ao
gabinete da ex-primeira-dama, na Legião Brasileira de Assistência. Na
ante-sala, quem me recebeu foi Eunícia Guimarães, amiga
de longa data de Rosane e que era chefe de gabinete. Enquanto aguardava
a minha vez de entrar na sala da então-primeira-dama do país, que tinha
26 anos à época, reparei no look de Eunícia e na bolsa Louis Vuitton
sobre a mesa e uma pasta LV, no chão. Sobre a mesa de madeira, algumas
revistas de moda, que ela, tranquilamente, conferia. Lembro
bem disso, porque assim que entrei na sala de Rosane, eu vi a mesma
cena: uma bolsa clássica modelo Speedy e uma pasta LV sobre a mesa de
mármore. Observei também a foto do marido-presidente da República.
A conversa fluiu sobre a LBA. À época, ela lembrou que seguia à risca o que tinha captado com a leitura de O Alquimista, sucesso editorial de Paulo Coelho:
"O livro me ensinou que quando queremos uma coisa, todo o universo
trabalha em conjunto para que a gente consiga atingir o objetivo. É
questão de pensamento positivo e união de forças. Estou dando a minha
alma, o meu corpo e o meu coração pelo meu trabalho. Tudo o que a gente
faz com vontade, com garra e perseverança, dá certo".
Rosane falou que adorava vir ao Rio e ficar hospedada na casa da ex-sogra Leda Collor de Mello,
no Parque Guinle, mas lembrou que também amava ficar no Copacabana
Palace. Sobre o seu visual, ela revelou que suas roupas eram assinadas
por Glorinha Pires Rebelo - "do estilo esportivo à alta-costura" - e que comprava também os couros de Frankie&Amaury.
Seu exemplo de mulher (com a cara do Rio) era Carmen Mayrink Veiga ("muito carioca"). Homem? Vinicius de Moraes
("pela música, por tudo"). Quando perguntei sobre o Rio chique, ela
disse a seguinte frase: "Chique é jantar no Antiquarius. Isso me
agrada".
Rosane visitava o Rio com frequência. A reportagem diz:
"Quando visita a cidade, Rosane gosta de observar paisagens e estar em
lugares que lhe transmitam a magia da cidade: Cristo Redentor. "Acho
aquela cena do Cristo de braços abertos, muito emocionante". Ela
recorda, na reportagem, que veio ao Rio pela primeira vez aos 10 anos,
acompanhada pelos pais. Depois do casamento com Fernando Collor, em
1984, esteve algumas vezes no Rio para visitar amigos do casal - como Maninha e Leleco Barbosa e a cantora Simone -, para fazer tratamento dentário com Olympio Faissol; para ver desfiles de moda e comprar roupas de alta-costura com Glorinha Pires Rebelo.
Tudo passado. Rosane, agora, é uma "mulher de Jesus".
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