(Foto: Rodolfo Nogueira)
Fantasias, cores e muito brilho. Com esses três ingredientes a classe artística paraense homenageou a Virgem de Nazaré na noite de ontem (12) em mais um Auto do Círio. Cerca de 17 mil pessoas percorreram as ruas do bairro da Cidade Velha, em Belém, seguindo o cortejo puxado por músicos, atores e artistas convidados como Dominguinhos e Lia Sophia.
O trajeto iniciou na Praça do Carmo, por volta das 19h30, seguindo pelas ruas estreitas do bairro mais antigo da capital paraense, em direção ao Complexo Feliz Lusitânia, onde estão alguns dos principais pontos turísticos da cidade. No alto do trio elétrico que comandava a caminhada estava a cantora Mariza Black, conduzindo o público com um samba enredo da Portela sobre Nossa Senhora Aparecida, que é celebrada no dia 12 de outubro.
O evento já está entre os mais esperados da agenda cultural da quadra nazarena, tendo como forte característica a capacidade de encantar pessoas de todas as idades e vindas de todos os lugares.
O evento já está entre os mais esperados da agenda cultural da quadra nazarena, tendo como forte característica a capacidade de encantar pessoas de todas as idades e vindas de todos os lugares.
No percurso do Auto do Círio, cada palco representava uma “estação”. A primeira parada foi em frente a Catedral da Sé, com a apresentação do Grupo de Percussão de Câmara da Vale e a encenação do primeiro ato, que mostrou Nossa Senhora de Nazaré e Nossa Senhora Aparecida em uma conversa cômica.
Em seguida, o público voltou as atenções para o palco armado em frente a Igreja de Santo Alexandre. Após o segundo ato teatral, a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia impressionou tocando rock. Depois, já em cima do trio elétrico, a cantora Lia Sophia deu continuidade ao cortejo chamando todo mundo para cantar o seu sucesso “Ai menina”.
A apoteose aconteceu na Praça Dom Pedro II, ao lado da prefeitura de Belém, quando todo o elenco envolvido no Auto do Círio subiu ao palco. Encerando a festa, em meio a casais de mestre sala e porta bandeira de várias agremiações carnavalescas de Belém, o sambista Dominguinhos comandou um grande carnaval, acompanhado pela bateria da Escola de Samba Rancho Não Posso Me Amofiná. O músico prestou a sua homenagem a padroeira do Pará cantando enredos inspirados na festa de Nossa Senhora de Nazaré. Dominguinhos vem à Belém para o Círio há 29 anos e há 10 participa do Auto. “Sou envolvido direta e indiretamente com a Virgem de Nazaré. Venho todos os anos agradecer de todas as formas.”
O Auto faz parte do lado profano da festividade do Círio de Nazaré, ou seja, que não é ligado à igreja católica. O cortejo existe desde 1993, quando foi criado a partir de uma oficina de artes cênicas da Escola de Teatro da Universidade Federal do Pará (UFPA). Este ano chegou a sua 18ª edição, porque apenas no ano de 2006 ele não ocorreu.
Sobre as inovações no Auto do Círio, o diretor geral do espetáculo, Beto Benone, explicou: “sempre digo que novo são os velhos. Pessoas que todos os anos estão aqui, juntas em confraternizarão, para fazer este espetáculo, trazendo sempre o inovação e criatividade no figurino e na alegria”, destacou.
Além de estudantes de artes cênicas da UFPA, o elenco do Auto do Círio deste ano também foi composto por voluntários, atores, e bailarinos da Companhia Moderno de Dança, Grupo Moderno em Cena, Grupo Iaça, Grupo de Dança do Sesc, Grupo Paráfolclorico do Sesc e baterias das escolas de samba Bole-Bole, Deixa Falar. (DOL)


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