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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

ADEUS AO EMIR...

Por Padre Sidney Canto:

“Não se pertube o vosso coração, na casa do Pai, há muitas moradas” (Jo 14, 1-2). Na vida fazemos muitas festas. Aniversários, casamentos, bailes... Mas, todas estas festas que fazemos acabam, pois não as estamos realizando em nossa verdadeira casa: a Casa de Deus. Nestes dias em que cantamos: “A cidade outra
vez, se embandeira”... Lembramos da alegria, das bandeirinhas que ornamentam a cidade, anunciando a alegria de um novo Círio, de uma nova Festa da Conceição, deveria ser a mesma alegria que devemos ter ao anuncio de uma nova vida, de uma nova festa no céu.

Vivemos neste mundo, como se em nada, em nenhum momento, pudéssemos deixar de sermos alegres e felizes... Mas entre tantas e tantas festas, a mais importante, não podemos realizar aqui, neste vale de lágrimas, onde os diletos filhos de Deus caminham, em meio a tantas dores e tristezas... “Na casa do Pai há muitas moradas”, nos diz Jesus. Quando a nossa estiver pronta, ele virá nos levar para que possamos viver junto a Ele, numa alegria eterna, que jamais passa, na festa única e verdadeira.

Nosso irmão e amigo Emir Bemerguy, cumpriu o fim de sua jornada terrena, mas iniciou uma nova vida, sem dores, sem sofrimento, sem morte, na casa de Deus... Sim, porque estamos aqui (vivendo), não para celebrar ou exaltar a morte, estamos aqui para celebrar a vida, as alegrias que as pessoas nos proporcionam enquanto seus passos caminharam neste mundo, enquanto suas mãos escrevem os mais lindos versos, enquanto sua voz nos contam as mais belas histórias...

Emir foi uma dessas pessoas que soube ser tudo isso, com uma fé inabalável na Graça de Deus. Sabia-se necessitado desta graça, mas sabia também que ela lhe era garantida em meio a tantos desafios que a vida lhe colocava. Na graça e no amor de Deus encontrou as forças que precisava para viver a fé, para servir com amor a sua família, os seus amigos, a sua Igreja, fosse como ministro da Eucaristia, fosse nos Cursilhos, fosse trabalhando com dedicação para confeccionar o programa da Festa por mais de vinte anos...

Emir, fazia isso sem sentir vergonha de ser católico, sem esperar alguma recompensa em troca, soube servir pelo amor do serviço. Deixou por escrito, bem claramente, o quanto amava a Igreja Católica, na qual recebeu o seu batismo e onde procurou vivê-lo tanto quanto pode. Frequentava a Eucaristia diariamente, testemunhando, por meio de suas ações, simples, mas concretas, o seu amor pela fé. Não foi um homem de grandes posses ou riquezas, mas foi um homem rico da graça e da misericórdia de Deus.

E seu amor não foi em vão. Emir não ficou desamparado por Deus, nem mesmo na hora de sua morte. Recebeu os sacramentos e mesmo sofrendo, não perdeu a fé em Deus que lhe amava tanto e não deixou de amar Maria, Mãe de Jesus (a quem escreveu seu primeiro poema) que também tanto lhe amava. Sua amizade com Deus, não lhe deixou sozinho, ficando sempre cercado pelo carinho de sua esposa, filhos, parentes e amigos, jamais poderia desejar outra coisa senão a união de sua família e entre seus amigos.

Em várias conversas, Emir fazia questão de demonstrar seu carinho para com sua Terra Querida, que agora lhe acolhe em seu seio, como semente plantada no chão, de onde poderão brotar lindas flores e bonitos frutos. Emir, a cidade que tanto amastes, que tanto exaltastes em teus versos e canções, te é devedora do mesmo amor e carinho que tiveste por tua terra, a ponto de declarares profundamente: “Não permito, senhores, que ninguém, goste mais do que eu de Santarém”.

Permite, amigo poeta, que possamos gostar sim, senão mais, ao menos tanto quanto ti, de nossa querida cidade, de nosso rio Tapajós, dos nossos igarapés, das nossas praias, da nossa arte e da nossa cultura. Pois somos todos amantes desta terra que tanto nos ama e nos quer bem. Teus irmãos santarenos, ao cantarem estes teus versos, se recordem sempre deste valor que é a Fé. Que possamos acreditar que em Deus somos capazes da eternidade e que a morte jamais poderá tirar de nós, o amor fraterno que sentimos uns pelos outros, um amor verdadeiro, que vindo de Deus, nos mantém unidos como irmãos e irmãs.

Vai em paz, Emir... Sentiremos saudade, pois a saudade só sente quem ama... Nossa gratidão ao nosso Pai do Céu, pela tua existência... E assim como bem disseste de nossa querida mãe, Maria: “Santarém, nunca mais, poderia, retirar-vos do seu coração”, deixe que a Nossa Senhora da Conceição, leve hoje o teu coração de poeta, de pai, esposo, amigo, irmão, coração de santareno, até a presença do Deus da Vida, que tanto esperou que voltasses para casa, e que hoje te acolhe no amor, na misericórdia e na paz... Assim seja!

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