FOTO: TAMARA SARÉ
Mais um símbolo da identidade cultural paraense passa agora a ser uma referência nacional. Por unanimidade, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural declarou o modo de fazer cuias na região do Baixo Amazonas/Pará como Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão foi tomada na manhã de ontem, durante a 79ª reunião do conselho, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília.
Os 23 conselheiros foram favoráveis ao dossiê sobre a prática artesanal de fazer cuias, desenvolvida entre comunidades indígenas da região há mais de dois séculos, sendo atualmente um ofício praticado por mulheres de comunidades ribeirinhas do Baixo Amazonas. Em Aritapera, principalmente, no interior de Santarém.
Como são feitas - A preparação das cuias e sua elaboração estética demandam cuidadoso trabalho por parte das artesãs. Inicialmente, os frutos retirados da árvore popularmente chamada de cuieira são partidos ao meio com facão para secar. As duas metades são acondicionadas para amolecer na água, em bacias, quando então é realizada uma primeira raspagem das superfícies.
As cuias são então expostas ao sol, e inicia-se o processo de tingimento com o pigmento cumatê. A água tingida é passada ns cuias secas, e as peças permanecem sobre um jirau para secar. São alocadas então em um estrado denominado cama ou puçanga, que é preparado com uma camada de areia e cinzas, em local coberto. Nessa camada é borrifada urina humana (para extração da amônia) colhida durante a noite anterior a esta preparação, em cuias grandes denominadas coiós.
Assim, é colocada uma cobertura de palha sobre a camada molhada com a urina, onde as cuias são emborcadas e abafadas com pano ou lona, permanecendo assim por 6 horas. O procedimento é repetido com as cuias desemborcadas, quando se passa ao processo de ornamentação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário