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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Cai na real, cara

Por Ercio Bemerguy:
Ele é do tipo “conservador”. Sempre procurou viver em clima de plena harmonia e felicidade com a sua esposa, ambos com 70 anos de idade, casados há mais de três décadas, sem filhos. Infelizmente, a sua querida companheira faleceu há pouco mais de um ano. Ele, desnorteado, solitário, resolveu de repente curtir a noite belenense, freqüentar barzinhos e as baladas turbinadas pelos ritmos alucinantes da moda e com a presença de muitas jovens, todas querendo “ficar” com alguém.

Coitado, o espanto do coroa foi grande ao constatar o assédio explicito dessas belas mulheres rebolativas, com olhares e gestos provocantes. Uma delas, aproximando-se dele, que estava em um dos cantos do salão apenas apreciando o agito da moçada, disse: “Pô, cara, vai ficar aí paradão? Dança comigo, vai!" A resposta foi esta: “Muito obrigado, ‘minha filha’, mas infelizmente eu já vou embora, fica pra próxima vez!” E saiu de fininho... Também, pudera, o distinto senhor ainda é do tempo em que nos bailes, nas tertúlias, a música não era mecânica e contínua. O som musical era a cargo de boas orquestras, ao vivo, e a festa dividia-se em ´partes` para dançar, ou seja, com intervalos de uma música para outra e, quando os músicos iniciavam a execução de um bolero, de uma valsa, de um samba-canção, o cavalheiro ia até à mesa onde estava sentada a ´moça`, a ´donzela`, o ´brotinho` e, respeitosamente, sob os olhares severos dos pais da pretendida, fazia o convite: “Senhorita, permita-me dançar com você esta parte?” É amigo, o jeito é entrar na onda do modismo, pois os tempos mudaram... são outros.

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