"Há, sim, discriminações contra mulher. Há, sim, discriminação, mesmo como em casos de juízas como nós, que conseguimos chegar em condições de igualdade", criticou.
O plenário estava analisando uma ação para determinar se funcionárias têm direito a 15 minutos de descanso antes de iniciarem uma jornada de hora-extra.
No início do julgamento, o advogado Humberto Grillo, representante de uma das partes do processo, felicitou a chegada de mais uma ministra à presidência da Corte. Disse que o fato significava a ocupação de espaços que as cidadãs "lutaram por tantos anos".
Ao proferir seu voto, Gilmar Mendes discorreu a respeito das conquistas femininas e se disse preocupado com a obrigatoriedade do descanso de 15 minutos em alguns casos.
"Encontramos, hoje, comandantes de avião (do sexo feminino) mulheres dirigem caminhões, tratores, táxis [...] Muitos autores, inclusive mulheres, deploram essa proteção, entendo que ela é discriminatória contra a mulher", disse.
O ministro também abordou dificuldades enfrentadas por candidatas dentro dos partidos políticos e citou estudos relativos a diferenças e igualdade de gêneros.
Fazendo questão de frisar que não se tratava do caso do colega, Cármen Lúcia afirmou que exemplos como o dado por Mendes, por si só, já revelam discriminação.
"Há tanta discriminação contra a mulher, ao contrário do que aqui foi dito... 'Temos mulheres conduzindo boeing'. Boeings são conduzidos por homens e ninguém faz referências. A simples referência disso já é demonstração de discriminação. Ninguém diz que tinha um homem sentado aqui, desde 1828, e que isso era novidade", comparou.
"Acho que não preciso de muitos dados de literatura. Preciso da experiência da minha vida e da experiências das mulheres com quem convivo. Há a minha vida e dou o testemunho da minha vida. Temos uma sociedade extremamente preconceituosa. Estou falando de cátedra", acrescentou.
Mais uma vez, usando como ponto de partida uma frase de Mendes, ela falou sobre a atuação de políticos do sexo feminino dentro de seus partidos.
"[...] Na hora em que se põem mulheres como candidatas, não nos dão conhecimento, não nos dão a participação no financiamento, não nos dão tempo de televisão e nas direções partidárias. Depois, vêm com o discurso: 'viu, não foi eleita'", acusou.
Ao final de seu desabafo, ela voltou a dizer para Gilmar Mendes que sabia do zelo do colega pelo tema que estava sendo julgado e resolveu descontrair. "Nós queremos a igualdade de direitos que se encerra na identidade de cada um, e que é diferente entre homens e mulheres, graças a Deus. Dá certinho esse negócio de homem e mulher. É ótimo, inclusive", finalizou,
Meu caro Ercio, como ela sabe que esse negócio de homem e mulher é ótimo? Ela é solteira.
ResponderExcluirÉgua, é muito estranho mesmo, opinar sem ter provado a fruta.
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