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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

RECANTO DE POETAS, ESCRITORES E COMPOSITORES

De José Wilson Malheiros: 

RÉPLICA PARA UM DEFUNTO

Desde os meus dezesseis anos sempre gostei de escrever. Eu me sentia um jornalista. Publicava quase todos os sábados minhas crônicas ou reportagens no saudoso e querido JORNAL DE SANTARÉM, que só se mantinha vivo, graças à pertinácia e o amor do Senhor Arbelo Guimarães. Comigo escreviam também meu avô Vicente Malheiros, com o pseudônimo de Visconde da Várzea (em outra oportunidade conto a origem do apelido), o colunista social Wilson Fonna, Jaime Carvalho (Jarvalho), professora Antonieta Dolores (ADolores) e outros mais.

Era um hebdomadário heroico, impresso nos linotipos do proprietário. O Google nos dá uma boa ideia do que era um linotipo: “Linotipo ou linótipo é uma máquina inventada por Ottmar Mergenthaler em 1884, na Alemanha, que funde em bloco cada linha de caracteres tipográficos, composta de um teclado, como o da máquina de escrever”.

Para sair no sábado, a matéria tinha que chegar até, no máximo, quarta feira, para ser montados nos tipos, onde cada letra tinha que ser organizada uma a uma, até formar a palavra. Para os padrões de hoje, um equipamento jurássico, mas, que prestou relevantes serviços à imprensa brasileira e santarena. Mas, vamos ao assunto lá do título da crônica.

Como eu disse, tinha que mandar a matéria até quarta.

Mas naquela semana um dos colaboradores não mandou seu escrito. Eu estava sem assunto para escrever. Aí olhei o exemplar da semana passada e vi uma matéria, cujo conteúdo eu não concordava. E nem conhecia o autor. Resolvi, então, fazer uma réplica, para rebater tudo o que dizia aquele autor desconhecido, para mim.

Preparei os escritos e levei para o sr. Arbelo. Ele colocou no bolso e nem leu. Mandou direto para a publicação. No sábado seguinte saiu minha crônica. Rebatia com veemência tudo o que o autor da semana passada ousara dizer. Então o senhor Arbelo Guimarães, com um leve sorriso, me disse: "Muito boa aquela tua matéria. Os leitores gostaram. Mas, não vai te alegrando muito. Aquilo era de 1920. Não tinha assunto e publiquei. O autor já morreu. Deverias ter disso isso pra ele, ali no cemitério".

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