CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA
Por Francisco Sidou
Ao ensejo da mudança de governo federal e, também agora, do presidente e metade da diretoria do Banco da Amazônia, vale a pena recordar que a Solução CAPAF vem sendo protelada há pelo menos 20 anos, sempre prorrogada para as próximas diretorias. Não podemos aguardar bovinamente resignados que os verdadeiros culpados pela situação falimentar da Capaf recorram a práticas recursais protelatórias mais conhecidas como "chicanas" , para protelar ainda mais o sofrimento dos aposentados e pensionistas, alguns com mais de 40 anos de contribuições previdenciárias recolhidas pela Capaf, quando o documento que assinaram ao ingressar no Banco ( Portaria 375) estabelecia 30 anos de contribuição para gozar do benefício da isenção. Muitos pleitearam e ganharam na Justiça esse direito líquido e certo. Sem querer assumir sua culpa como Patrocinador e gestor temerário confesso (Comunicado Basa/Capaf de 05 de abril de 2019), os maus gestores ainda procuraram culpar os aposentados e pensionistas pela falência múltipla da Capaf, confessada no mesmo Comunicado notificando a Transferência de Gerenciamento de Planos de Benefícios Saldados ( BD/CNPB - 2010.0033-65; Plano Misto de Benefícios Saldados - CNPB - 2010.0032-92 e Plano de Benefícios Previdenciários Prev/Amazônia - CNPB - 2010.0034-38) para a entidade multipatrocinada BB Previdência. Nesse documento Basa/Capaf confessam que "os desequilíbrios atuarias crônicos, de origem estrutural e de difícil reversão, dos Planos BD e Misto culminaram na decretação de intervenção pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) sobre a Capaf , que permanece nessa situação desde outubro/2011."
Confissão de culpa
O Comunicado conjunto lembra ainda que "as responsabilidades cada vez mais complexas inerentes à gestão de planos de benefícios exigem elevado grau de profissionalismo, capacitação e certificação dos profissionais que atuam como gestores de uma entidade fechada de previdência complementar que, para bem cumprirem suas missões , devem compreender a legislação; conhecer com acuidade o regulamento dos planos de benefícios, a política de investimentos e a sua aplicação; os sistemas de custeio , controle, parâmetros de governança e financiamento, mantendo-se permanentemente atualizados em todas as matérias pertinentes a um fundo de pensão". Informam ainda que "a transferência tem amparo legal (Lei Complementar 109/2001, artigo 33, inciso 1V ) e afigura-se como medida capaz de oferecer maior segurança ao patrimônio dos referidos planos, por ser a BB Previdência um fundo de pensão multipatrocinado, entidade com maior estrutura , expertise e conhecimento do mercado de previdência complementar fechada, que se caracteriza como setor altamente especializado", etc e tal." Tudo muito bom, tudo muito bem. Os participantes que migraram para o BB Previdência terão até mais garantias diante da iminente liquidação da Capaf. Mas o que causa estranheza é que somente após 50 anos de gestão confessadamente temerária e não profissional do Fundo de Pensão Capaf, seu Patrocinador venha somente agora a admitir isso, após ignorar sucessivos apelos e até gritos de alertas dos conselheiros eleitos para o Conselho Deliberativo da entidade, desde 1997, inicial,mente com os bravos e saudosos companheiros Orlando Martins, Aser Moraes, além do Madison Paz e, a partir de 2002, deste "locutor" que vos fala ou escreve, de preferência.
Lei da Mordaça
Queriam até impedir minha posse, pois a então presidente , mais conhecida como "Dama de Ferro acriana", teria dito que não ia concordar com um jornalista no Conselho da Capaf, embora eleito com mais de 600 votos. Foi desaconselhada a tentar qualquer medida legal pela própria assessoria jurídica do Banco e da Capaf. Depois relatei no artigo já considerado histórico "S.O.S CAPAF", publicado em "O Liberal" e neste conceituado Blog O Mocorongo, em agosto de 2008, a situação preocupante de desequilíbrio atuarial e financeira da entidade, além de protestar contra a política do "apartheid" promovida pelo Banco, ao divulgar junto ao pessoal da ativa que a Capaf estava para falir por culpa dos aposentados...Resumo da ópera : tentaram até cassar o meu mandato, sem êxito, aliás, pois a própria Assessoria Jurídica da CAPAF desaconselhou tal ato arbitrário pois certamente iria gerar mais prejuízos com ações por danos morais... Nunca culpei os colegas nomeados pelo Banco para gerir a Capaf pelo simples fato de que a gestão temerária era do próprio Patrocinador, através de ordens explícitas, como até o encaminhamento de orientações para aplicações financeiras em empresas recomendadas "de cima"..
Sem treinamento e capacitação
Por outro lado., sempre brigamos no Condel , Madison e eu, pela necessidade de treinamento especializado para os gestores e profissionais da Capaf, além da participação dos conselheiros em Congressos Nacionais sobre o tema Previdência Complementar. Sabe o que diziam nos gabinete da diretoria do Banco ? - Que queríamos apenas passear, tal era a visão tosca de alguns diretores do Patrocinador Banco da Amazônia. Lembro , ainda, que nos áureos tempos do saudoso Centro de Treinamento do Banco - CETRE , elaboramos sob a coordenação do competente técnico Zenaldo Coutinho (o pai) um programa de treinamento em Previdência Complementar para capacitar o quadro de pessoal da Capaf, isso na década de 70. Foi selecionada uma competente técnica do Banco , que passou dois anos cursando pós-graduação em Ciências Atuariais na conceituada Fundação Getúlio Vargas, no Rio. Na sua volta, previa-se a realização de cursos de capacitação e treinamentos para o quadro de pessoal da Capaf, Sabem o que aconteceu ? Nada do que foi planejado. A técnica, já atuária, foi colocada numa carteira burocrática e o Banco e a Capaf continuaram pagando caros atuários do Sul Maravilha. Desmotivada , a colega técnica e também atuária, prestou concurso para a Justiça do Trabalho, onde foi aprovada em primeiro lugar....Assim encerro essa triste crônica de uma morte anunciada.
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