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domingo, 2 de dezembro de 2012

A herança maldita

Por Ferreira Gullar (*):
Não pertenço a nenhum partido político nem tenho compromisso com nenhum deles, quer apoiem ou se oponham ao governo. Por isso, quando opino acerca de fatos políticos e critico ações de decisões governamentais, faço-o na condição de cidadão que, há muitos anos, observa e reflete sobre a vida política nacional.

Nessas condições, seria quase impossível calar-me diante do que tem ocorrido no Brasil nestes últimos anos, como é o caso do mensalão, que se tornou um episódio dominante no cenário nacional. Tanto mais depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal, que não deixou dúvidas quanto ao comprometimento dos processados nele envolvidos.

Esse julgamento, como nenhum outro, foi feito às claras, transmitido na íntegra pela televisão, sem nada esconder. Resultado: José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e quase todos os demais foram condenados a penas cuja dosimetria os ministros discutiram acaloradamente. Não obstante, o PT e os sentenciados, sem qualquer pudor, passaram a afirmar que foram injustiçados por um julgamento político, e não jurídico. E decidiram promover uma campanha nacional para denunciar essa injustiça.

Isso certamente não ocorrerá, mesmo porque, no dia seguinte àquela manifestação do PT, um novo escândalo tomou conta do noticiário: a Polícia Federal acusou Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, indiciada por corrupção ativa.

Rosemary foi nomeada para esse cargo pelo então presidente Lula e o acompanhava nas viagens que fazia. Bastante estranho, não? Antes, nos anos 1990, assessorava José Dirceu, que a apresentou a Lula.

No início do governo deste, em 2003, foi nomeada assessora especial do gabinete pessoal da Presidência da República, antes de ser alçada à direção do escritório presidencial em São Paulo.

A pedido de Lula, Dilma a manteve no cargo, e é nesse escritório que Lula e Dilma se encontram para acertar os ponteiros quando a situação política o exige.

Pois bem, naquela sexta-feira, a Polícia Federal prendeu seis pessoas e indiciou outras 12, acusadas de participar de um esquema que fraudava pareceres técnicos em agências reguladoras e órgãos federais. Entre os presos, estão os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação (Anac) e Marcelo Rodrigues Vieira. Os irmãos Vieira foram indicados para aqueles cargos por Rosemary, que mantinha com eles estreita ligação no esquema de fraudes descoberto pela PF.

Além de Rosemary, foram indiciados 11 servidores, entre os quais o advogado-geral da União adjunto, José Weber Holanda, o segundo na Advocacia Geral da União (AGU), órgão diretamente ligado à Presidência da República.

Em face de tamanho escândalo, envolvendo ocupantes de importantes cargos de confiança do governo federal, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião de emergência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e as ministras Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti, para avaliar a situação. Disso resultou a exoneração imediata de Rosemary e o afastamento dos irmãos Vieira de seus cargos. Dada a estreita ligação de Lula com Rosemary, foi a ele comunicada a sua exoneração, antes que se efetuasse.

Desta vez, Dilma agiu mais rápido do que quando demitiu os ministros corruptos que Lula lhe deixara como herança maldita. Naquela ocasião, ela chegou a defender alguns dos acusados e só os demitiu quando a situação se tornou insustentável. Agora, porém, em face do desgaste sofrido com o julgamento do mensalão e a condenação de dirigentes petistas, a coisa mudou: quem for pego com a boca na botija será defenestrado, de imediato, sem choro nem vela.

A verdade é que mais uma vez Dilma foi surpreendida por "malfeitos" envolvendo pessoas de sua equipe vinculadas ao ex-presidente Lula, que teria se queixado ao saber do novo escândalo: "Fui apunhalado pelas costas", expressão semelhante à que pronunciou por ocasião da descoberta do mensalão, em 2005. Por isso, não se surpreendam se, amanhã, ele vier a afirmar que tudo isso não passou de uma farsa, inventada pela imprensa.
 
(*) Ferreira Gullar é cronista, crítico de arte e poeta. 

Onipotência da soberba

Por Tostão (*):

Rinus Michels, revolucionário técnico holandês na Copa de 1974, deve ter ficado arrepiado ao ver as seleções brasileiras de 1958, 1962 e 1970. Suas ideias sonhadoras, com novos conceitos, foram assimiladas e aprimoradas por Cruyff, uma das maiores inteligências coletivas do futebol. O craque e treinador holandês criou variações e transmitiu esses conhecimentos ao Barcelona, que foram modificados por Guardiola e pela seleção espanhola. Todo esse saber evolutivo, associado ao recente pragmatismo criativo do técnico José Mourinho, se espalhou por toda a Europa.

Os principais times europeus, além de contratarem os melhores jogadores do mundo, priorizam, cada vez mais, o jogo coletivo, a troca de passes, que começa com os zagueiros, a diminuição dos espaços entre os setores, a alternância entre a marcação por pressão e a mais recuada, para contra-atacar, as múltiplas funções de um jogador e vários outros detalhes. É o futebol do presente e do futuro.

O futebol brasileiro, por prepotência, ao achar que só aqui tinha craques e se jogava em alto nível, involuiu coletivamente. Pior, o atual estilo de jogar dificulta o aparecimento de grandes talentos. Temos muitos bons jogadores, mas apenas um fora de série, Neymar.

Muitos outros fatores contribuíram para essa queda, como os gramados ruins, a promiscuidade e a ineficiência dos dirigentes de clubes, de federações e da CBF, e a pressão aos técnicos e jogadores para ganhar de qualquer jeito, consequência da violência na sociedade, na arquibancada e no gramado.

Como já tinha escrito, ficou mais evidente, após a entrevista coletiva para anunciar a comissão técnica, que teremos uma época de exacerbação do nacionalismo.

Só faltou Zagallo. Na entrevista, houve também uma exaltação das conquistas de 1994 e 2002, motivo principal, alegado pela CBF, para chamar Parreira e Felipão. A comissão técnica será quase a mesma de 2002. Os conceitos devem também ser os mesmos.

Muitas pessoas, em todas as atividades, acham que o que deu certo tem de ser repetido, como se houvesse apenas um jeito de ganhar. Esquecem também que há coisas erradas nas vitórias e acertos nas derrotas. Existe um grande número de fatores envolvidos nos resultados, ainda mais quando se tem craques, como Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho.

São indiscutíveis os méritos de Felipão e Parreira nas conquistas das Copas de 1994 e 2002.

Por outro lado, o assunto me faz lembrar de alguns médicos que justificavam suas condutas pelas experiências anteriores, que tinham dado certo, contrariando a evolução e as publicações científicas. Achavam que a experiência pessoal estava na frente do conhecimento e da ciência. É a onipotência da soberba.

(*) Tostão, médico e ex-jogador, é um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1970. Afastou-se dos campos devido ao agravamento de um problema de descolamento da retina.

Em campanha por vaga no STF, Fux levou seu currículo a José Dirceu

O ministro Luiz Fux, 59, diz que desde 1983, quando, aprovado em concurso, foi juiz de Niterói (RJ), passou a sonhar com o dia em que se sentaria em uma das onze cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ministro Luiz Fux no prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
Ministro Luiz Fux
Quase trinta anos depois, em 2010, ele saía em campanha pelo Brasil para convencer o então presidente Lula a indicá-lo à corte.

Fux era ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o penúltimo degrau na carreira da magistratura. "Estava nessa luta" para o STF desde 2004 --sempre que surgia uma vaga, ele se colocava. E acabava preterido. "Bati na trave três vezes", diz.

AVAL
Naquele último ano de governo Lula, era tudo ou nada. Fux "grudou" em Delfim Netto. Pediu carta de apoio a João Pedro Stedile, do MST. Contou com a ajuda de Antônio Palocci. Pediu uma força ao governador do Rio, Sergio Cabral. Buscou empresários. E se reuniu com José Dirceu, o mais célebre réu do mensalão. "Eu fui a várias pessoas de SP, à Fiesp. Numa dessas idas, alguém me levou ao Zé Dirceu porque ele era influente no governo Lula."

O ministro diz não se lembrar quem era o "alguém" que o apresentou ao petista. Fux diz que, na época, não achou incompatível levar currículo ao réu de processo que ele poderia no futuro julgar. Apesar da superexposição de Dirceu na mídia, afirma que nem se lembrou de sua condição de "mensaleiro". - "Eu confesso a você que naquele momento eu não me lembrei", diz o magistrado. "Porque a pessoa, até ser julgada, ela é inocente."

Conversaram uma só vez, e por 15 minutos, segundo Fux. Conversaram mais de uma vez, segundo Dirceu.

A equipe do petista, em resposta a questionamento da Folha, afirmou por e-mail: "A assessoria de José Dirceu confirma que o ex-ministro participou de encontros com Luiz Fux, sempre a pedido do então ministro do STJ". Foram reuniões discretas e reservadas.
Mais aqui >Em campanha por vaga no STF, Fux levou seu currículo a José Dirceu

Planalto preocupado com desgaste da imagem de Lula

Apesar da tentativa do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) de demonstrar tranquilidade em relação a Lula – ao negar que a Operação Porto Seguro traga complicações para o ex-presidente – a avaliação feita no Palácio do Planalto é diferente.
Já há uma preocupação com o desgaste da imagem de Lula por causa das muitas citações ao ex-presidente feitas em mensagens por Rosemary Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo.
Para interlocutores da presidente Dilma, Lula deveria “mergulhar” por um tempo e só reaparecer quando toda a investigação da PF tiver sido divulgada. “Seria um risco Lula falar neste momento, sem saber o que ainda pode aparecer”, ressaltou um ministro petista, apreensivo com o cenário político.  (No Blog do Camarotti)

Clonando Pensamento

De Ismaelino Valente sobre a postagem "Clonando Pensamento" - Mudança de nome de rua
Me parece desnecessária e meramente virtual essa polêmica. Pegunte-se a qualquer transeunte em Santarém se ele sabe quem foi o Maestro Isoca e pergunte-se ao mesmo tempo se ele sabe quem foi Floriano Peixoto. Isoca, dirão de bate-pronto, é um dos representantes-mor da cultura santarena, ao lado do Emir Bemeguy, do Paulo Rodrigues dos Santos, dos irmãos Sussuarana, dos irmãos Fonna, do João Santos, da Dica Frazão (que graças a Deus ainda vive, lúcida e atuante) e muitos e muitos outros. Nada mais justo, portanto, do que nomear logradouros públicos da cidade com seus nomes para perpertuar-lhes as memórias. Floriano – ah, o Floriano, se for lembrado, talvez o seja somente pelos mais idosos (e nada contra os idosos, pois já sou um deles!), porque ele foi o vice do Deodoro da Fonseca (atenção: acho queese Deodoro nem é parente do Maestro!), que assumiu a presidência da República para completar o mandato do primeiro e sufocou com mão de ferro algumas revoltas, daí ter ficado conhecido na história como o “Marechal e Ferro”. Como personagens da história – bons ou maus – como, por exemplo, como Garrastazu Medici, Costa e Silva e o próprio Getúlio que foi um tremendo ditador, e todos com nomes de avenidas, vilas, cidades estradas e pontes -, não tenho nada contra eles serem lembrados com seus nomes em ruas, praças e outros locais públicos. Uma única sugestão, que, aliás, eu já fiz há tempos à Câmara da minha terra, em Alenquer: quando tiverem que trocar o nome tradicional de uma rua ou logradouro público, por favor, aproveitem o embalo e não esqueçam de transferir o nome do substituído para uma outra rua ou logradouro – principamente nos novos bairros onde as ruas são nomeadas por letras ou número que nada representam -, pois assim teremos mantida e preservada a memória da cidade. Santarém deve estar cheia de ruas sem denominações específicas que podem receber tranquilamente o nome do Floriano. O centro da cidade tem muito mais a ver com o Maestro Isoca do que com Floriano. É ou não é? Meus aplausos, portanto, ao projeto aprovado. Ficando o lembrete para os vereadores: encontrem logo outra rua para plotar o nome do Floriano e a polêmica se descanece. Não deve ser tão difícil fazer isso.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Vandick Lima é eleito o novo presidente do Paysandu

Vandick é carregado por eleitores de sua chapa
Após mais de seis horas de apuração de votos, o líder da chapa 'Novos Rumos', que teve 479 votos e uma vantagem de 201 para Victor Cunha, da chapa 'Centenário', conquistou a vitória antes mesmo do término da apuração e, no dia 6 de janeiro de 2013, assumirá a gestão alviceleste até dezembro de 2014. 
No total, 757 associados participaram do pleito. 'É uma responsabilidade imensa sair do campo, onde fui tão feliz no Paysandu, para a presidência. Sei que, também pelo que fiz pelo clube como jogador, minha missão é difícil. Mas nós nos preparamos para isto e só tenho a agradecer a todos que me apoiaram', declarou o presidente eleito do Papão. Baiano de Conceição do Coité (BA) e paraense de coração, o vereador reeleito Vandick, de 47 anos, terá a missão de ser o primeiro ex-jogador a sentar na cadeira de presidente do clube, manter o Papão na Série B do campeonato paraense e, principalmente, de não deixar o time voltar à Série C. Tabu - 
A vitória de Vandick Lima, que representou a oposição nas eleições, entrou para a história do clube como, além de ser a primeira com a participação dos sócios, ainda quebrou um tabu de 38 anos na história alviceleste. Esta é a apenas a segunda vez em que a oposição vence as eleições presidenciais no Paysandu. A primeira aconteceu em 1974, com o triunfo de Antônio Couceiro sobre o então presidente Paulo Castro.
Mais aqui > Confusão nas eleições do Paysandu acabou com sangue

Posse: nova presidente do TRT8 anuncia gestão baseada na cooperação

A desembargadora federal do Trabalho, Odete de Almeida Alves, tomou posse na noite de ontem como a nova presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (Pará e Amapá) - TRT8 para o biênio 2013/2014, em cerimônia no salão nobre da Corte. Com 23 anos de experiência na magistratura trabalhista, a desembargadora anunciou que sua gestão será baseada nos princípios da responsabilidade, cuidado e cooperação. Também foram empossados ontem o novo vice-presidente, desembargador Luís José de Jesus Ribeiro, e o corregedor regional, desembargador Marcus Augusto Losada Maia.

A presidente eleita destacou em seu discurso de posse como pretende conduzir a administração. "O que pretendo fazer é prosseguir com as boas práticas. E para isso, eu elegi, ao invés de metas, princípios de comportamento e relacionamento. O primeiro deles é o da responsabilidade, a obrigação de ser o máximo o que você puder em relação aos servidores, ao cumprimento das leis, ao Tribunal como um todo. O segundo seria o cuidado, entendido o cuidado como um ato de amor. E a outra questão seria a cooperação, poder cooperar com todos e esperar que todos cooperem comigo na busca do que for melhor para o Tribunal", afirmou a magistrada, ressaltando ainda que a aproximação da Justiça Trabalhista de seus jurisdicionados é outra prioridade. Na avaliação de Odete Alves, a implantação das novas Varas Trabalhistas - as próximas a serem efetivadas são a 17ª Vara, em Belém, e outra em Macapá -, a criação de novos cargos e a realização de concurso público são os maiores desafios daqui para frente.

A cerimônia também foi marcada pela despedida do atual presidente da Corte Trabalhista, José Quadros de Alencar, que fez um balanço dos avanços alcançados na sua administração. Dentre estes, foram citadas a boa avaliação do TRT da 8ª Região na última visita correcional; a modernização do Tribunal; índices como a menor taxa de congestionamento de processos obtida em 2011 e a 6ª posição nacional no ranking do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre gestão estratégica; além de vários prêmios de gestão obtidos pela Corte por práticas inovadoras que levaram o TRT8 a servir de modelo para os demais tribunais de país. "Graças ao esforço de todos conseguimos estes bons resultados", afirmou.
 (Jornal Amazônia)

Candidata do Pará leva o título de Miss Bumbum

Candidata do Pará leva o título de Miss Bumbum (Foto: Divulgação)
Carine Felizardo (fotos), 25, foi eleita a vencedora do Miss Bumbum 2012, em cerimônia realizada na noite de ontem (30) em São Paulo.
A representante do Pará conquistou, além do título, um prêmio de R$ 5.000 e será a capa da próxima edição da revista "Sexy". A ex-Latino Andressa Urach, 24, ficou com a segunda posição, e a paulista Camila Vernaglia, 21, com a terceira.  (DOL)

"Cantinho do Emir" - Uma serenata para o doutor Emir


UMA SERENATA PARA O DR. EMIR (Por José Wilson Malheiros)
Esta me foi contada pelo Emir.
Quando mais novo, ele adorava pescarias e fazia serenatas (bem comportadas, por sinal).
Sei que era fã do Nelson Gonçalves, do Dilermando Reis, do Laudelino, do Machadinho e de outros seresteiros competentes.
Inesquecível o seu programa na rádio, o "Poemas e Canções".
Pois bem, certo jovem, sabendo que ele gostava de serestas, prometeu que na primeira noite de luar, iria levar alguns amigos para tocarem violão ao pé da janela do poeta.
Não havia luz na cidade, mas a noite seguia embalada pelas asas da Lua, que escrevia com letras de prata a paisagem mocoronga.
Lá pelas tantas da madrugada, Emir é acordado pelos os acordes maravilhosos de um violão, que coloriam a quietude da noite.
Pelas músicas que estavam tocando, o violonista era um virtuose e estava apaixonado.
Ele ficou sentado na cama estasiado com o romance daquelas notas musicais que embalavam a madrugada, sem vontade de se levantar, abrir a janela para ver quem era o artista.
Depois de algum tempo, quase hipnotizado pelas melodias, seu coração começou a sonhar.... versos dançavam na sua inspiração, canções pediam para serem compostas...
Então, Emir resolveu abrir a janela, de mansinho... tomando o cuidado para não ser visto. Levou um susto enorme e o encanto acabou-se.
Sobre a calçada, uma vitrolinha de pilha, plebéia, daquelas que antigamente em Santarém se comprava da Zona Franca de Manaus, tocava toda orgulhosa um LP do Dilermando Reis.
O poeta, então, fechou a janela com cuidado, ajeitou a blusa de pijama, deitou-se, outra vez, na cama e foi dormir.
Jamais reclamou daquele concerto, para não estragar os sonhos dos rapazes...
Assim era Emir Bemerguy
=====
MAL  SEM CURA
Quando cintila em céu formoso a Lua,
Como se pedra preciosa fosse,
No coração da gente se insinua
Uma tristeza estranhamente doce.

Sempre gostei de, em meio à madrugada,
Escutar as românticas batidas
De um violão na rua enluarada,
A pontear canções enternecidas.

Ouvindo a voz bonita do cantor, 
Não posso reprimir reminiscências:
Do fundo d'alma emergem, já sem dor,
Recordações de lacrimais ausências...

Abro a janela e vejo: alguém acena
Ao trovador, detrás de uma vidraça...
Lá fora esplende a noite santarena
- Linda, meu Deus!... - E a serenata passa...

É tentação demais!... O mal antigo
Da boemia em mim se manifesta...
Não me contenho: o pinho vai comigo,
E eu me incorporo, eufórico, à seresta!...
 (Emir Bemerguy - julho de 1968 - poema dedicado "aos caros amigos Edenmar Machado e Laudelino Silva")

Eike perde título de mais rico do Brasil

Jorge Paulo Lemman  
 Eike Batista (Foto: Agência Brasil) 
Eike Batista
O empresário Eike Batista, do grupo EBX, perdeu ontem (30) o posto de homem mais rico do Brasil, segundo ranking da Bloomberg. O posto, agora, pertence ao investidor Jorge Paulo Lemann, da InBev.
A fortuna de Eike está hoje estimada em US$ 18,6 bilhões quase metade do que ele possuía no final de março, ainda de acordo com o ranking de bilionários da publicação. Lemman, por sua vez, tem US$ 18,9 bilhões.
Até quinta-feira, o ranking mostrava Eike na 35ª posição entre os maiores bilionários do mundo, com US$ 18,9 bilhões, duas posições acima de Lemann, com US$ 18,7 bilhões.
Jorge Paulo Lemann controla, junto com os empresários Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, a Anheuser-Busch InBev, maior fabricante de cerveja do mundo. Por meio do fundo 3G Capital, os três controlam ainda a rede de fast food Burger King e as Lojas Americanas.