No início de 2006, um decreto do então presidente Luiz
Inácio Lula da Silva criou a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, a
maior de um conjunto de unidades de conservação no sul do Pará que
ajudaria a conter o avanço das motosserras na Amazônia. Pouco mais de
seis anos depois, o governo de Dilma Rousseff estuda tirar um pedaço da
Flona de até três vezes o tamanho da cidade de São Paulo para resolver a
disputa de terras na região.
Onde deveria haver apenas atividades sustentáveis, há pastagens e plantações
A decisão tem tudo para se tornar histórica. Mais do que a terça
parte da maior Floresta Nacional do País, de pouco mais de 1,3 milhão de
hectares, está em jogo o destino da política de combate ao desmatamento
na Amazônia. Ambientalistas certamente verão nela o início do desmanche
das unidades de conservação, cujo ritmo de criação despencou desde o
início do governo Dilma.
O problema é um pouco mais complicado. Grande parte das unidades de
conservação criadas nos últimos anos não concluiu o processo de
regularização das terras. Há bilhões de reais em indenizações a serem
pagas. A reivindicação por terras no interior dessas áreas de proteção
que implica em redução das unidades de conservação pode chegar a 1
milhão de hectares apenas no sul do Pará, segundo estimativas
preliminares. (Estadão)
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