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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Ônibus: Lei amplia direito

Agora é lei na capital do Pará. Todos os assentos nos transportes coletivos urbanos de Belém são preferenciais para grávidas, mulheres com crianças de colo, obesos, idosos e pessoas com deficiência física. A lei nº 9.216, de 25 de maio de 2016, foi sancionada pelo prefeito Zenaldo Coutinho e publicada na edição de anteontem do Diário Oficial do Município.

Dessa forma, todo passageiro que não se enquadre entre as prioridades, deverá ceder seu lugar no ônibus, independentemente de tratar-se de cadeira vermelha, como acontecia antes, já que são preferenciais todos os assentos. O prefeito Zenaldo informa, no decreto, que caso algum passageiro se recuse a levantar o motorista poderá interferir para fazer valer o direito das prioridades.
 
As empresas e concessionárias de transporte coletivo ficam obrigadas a afixar placas informativas nos veículos, em locais de fácil visualização dos passageiros e do público em geral. A lei sancionada “é de caráter educacional, punindo os infratores apenas com a desocupação do assento, podendo haver interferência do motorista do ônibus, se necessário”.

Matemática é assim

Por Sonia Racy - Estadão
Muito se falou sobre o jantar que Dilma deu, terça-feira da semana passada, para os senadores que a apoiaram. Seu ex-líder do governo Humberto Costa chegou a declarar que a presidente estava confiante em sua volta. Entretanto, poucos contaram quantos compareceram. Dos 22 senadores que votaram contra o impeachment, apenas 12 foram até o Alvorada. Para voltar à Presidência, ela precisa de 27 votos.

Clonando Pensamento

"Inexperientes, mas soberbos, os petistas jogaram-se de corpo, alma e apetite desmedido no poder. Parceiros não faltaram e como os donos da bola tinham na fidelização eleitoral um instrumento garantidor de impunidade, acomodaram-se naquele guarda-chuva e aderiram ao padrão do vale qualquer coisa. Ao excesso, no entanto, sucedeu a escassez. Acabou o dinheiro, minguou a popularidade, desvendou-se a manipulação e foram expostos os crimes."
Dora Kramer, jornalista

"O sucesso mora nos apesares. Apesares de idade, status, condição, desprezo, preconceito, tormenta, persistimos. Sucesso é ser feliz."
Renato Essenfelder, jornalista e blogueiro

A moda e a imagem da mulher-objeto

Por que campanhas e editoriais desumanizam a figura feminina - e como isso endossa a cultura do estupro
Recém-lançado, a campanha de primavera 2016 da Calvin Klein causou controvérsia por mostrar a atriz Klara Kristin, com a calcinha à mostra. Esse tipo de foto é designado em inglês pelo termo "upskirt" e considerado crime em alguns países.
Modelos supermagras, cenários loucos, fotógrafos badalados, vestidos de grife que custam alguns milhares de dólares. No mundo da moda, vale tudo para vender a imagem mais bacana, polêmica e “artística”. Será? A marca americana Calvin Klein divulgou recentemente uma novo foto de sua campanha “#mycalvins”, em que a modelo dinamarquesa Klara Kristin aparece fotografada de um ângulo, no mínimo, esquisito. Feita de baixo, sob a saia, deixando a calcinha da mulher evidente, a imagem que abre este texto fala por si só. Tem o erotismo como tema. E só.

Passou batido o fato da imagem fazer apologia a uma das formas mais corriqueiras de violência contra a mulher: fotos íntimas roubadas, registradas e divulgadas sem consentimento. Em inglês, há um termo próprio para isso: ‘upskirt’ - na Austrália e na Índia, inclusive, existe uma legislação específica para combater a prática e enquadrá-la como criminosa. E aí cabe a mea culpa: no calor da notícia, eu, jornalista, defensora ferrenha da liberdade e dos direitos femininos, não me choquei. Em alguns anos de moda - e em 30 vividos em uma sociedade machista - já vi tantas fotos deste tipo que ok, faz parte.

Não. Não faz. Não está ok. Quando uma garota de 16 anos é estuprada por 33 caras (e ainda tentam culpá-la) fica óbvio que a imagem fashion misógina integra, endossa e fortifica a cultura do estupro. E a moda… Ah, a moda está cheia disso. “Cultura do estupro? Lá vem vocês com mais uma bobagem feminista”. Bobagem 1: campanha da Dolce & Gabbana em que uma mulher aparece deitada e submetida a um grupo de homens. Bobagem 2: anúncio do perfume Tom Ford em que o frasco está estrategicamente posicionado no meio das pernas abertas de uma mulher. Bobagem 3: publicidade da marca de sapatos Jimmy Choo em que uma jovem aparece desacordada no porta-malas de um carro à beira da estrada enquanto um homem cava um buraco com uma pá (jura?).

Daria para passar o dia enumerando exemplos de mau gosto de uma lista encabeçada pelo badalado fotógrafo Terry Richardson, queridinho de Kim Kardashian e companhia e especialista em clicar modelos e atrizes em situações degradantes (atualmente, inclusive, muitas se recusam a trabalhar com ele). “O feminismo coloca óculos sobre determinadas questões. Só precisamos de um gatilho para enxergá-las”, diz Jules de Faria, militante feminista e criadora da ONG Think Olga. “Hoje, na verdade, é como se eu tivesse feito uma cirurgia no olho: vejo machismo em tudo. Porque tem machismo em tudo!” Idealizadora da campanha “Chega de Fiu Fiu” e uma das principais representantes da causa no País, a Jules é minha amiga de longa data. Sempre compartilhamos a paixão por moda, sapatos lindos e looks moderninhos. Liguei para ela também para tentar entender se moda e feminismo podem conversar.

A resposta: “Muitas vezes a gente tende a pensar com um olhar artístico. Mas não dá para acreditar que vivemos num vácuo, que as coisas que produzimos não vão dialogar com o que está acontecendo no mundo e ter consequências”. Para ela (e eu assino embaixo), há na moda um ciclo de tortura feminino, em que a mulher é objetificada e desumanizada, o que começa na imagem da modelo supermagra, perfeita, com o olhar perdido. “Assim ela não parece um ser complexo como o homem, com dor, sentimento, sonho, ansiedade. É um ser raso”, diz Jules. “Elas são retratadas assim porque o pensamento sempre foi masculino. Inclusive o da própria mulher, pois muito cedo a gente aprende noções machistas, a ter uma visão masculina do mundo.”

Colocar os óculos da cultura do estupro me fez pensar em ‘Mad Men’, naqueles publicitários misóginos dos anos 1960 (eles são nossos avós, nem faz tanto tempo assim!) e nas origens da mulher colocada como coisa em anúncios. Segundo Ana Paula Passareli, coordenadora do curso Gênero na Publicidade da ESPM, a objetificação feminina na mídia reflete a sociedade e começa ainda antes, nos anos 1940, quando apareciam como ‘recatadas e do lar’, em casa, a serviço do marido e da família. “Com o cenário pós guerra e dos anos 50 e 60, que traz o jovem para o centro da publicidade, a mulher passa a ser representada por sua beleza, o que fica evidente com a disseminação da pílula anticoncepcional”, explica Ana Paula.

Ou seja: a "libertação sexual" feminina passou a fazer parte da cultura e o nosso corpo, um objeto de utilidade pública. “Então começamos a ver mulheres cada vez mais sorridentes, com menos roupas, se tornando um convite ao prazer - dos outros, porque se fundamenta aqui a sexualização dela como fator crucial de construção da imagem feminina ideal.” 

“A dominância do homem sobre a mulher fala de poder no seu estado mais puro, por isso é inacreditavelmente comum ver marcas de luxo usarem simulações de estupro e abuso para promover seus produtos”, afirma Ana Paula. Em tempo: a imagem do início do texto, da ‘upskirt’, foi feita por uma mulher, a jovem fotógrafa britânica Harley Weir. Provavelmente ela nunca teve sua intimidade devassada ou pegou um metrô lotado em que tentaram fotografá-la por debaixo da saia. Falta de empatia total. Chega, né? Na moda e na vida, colocamos os óculos. Vamos fazer um escândalo. Machistas não passarão. Misoginia não passará. Nem a cultura do estupro.
(Fonte: Giovana Romani - Estadão)

Basta de toma lá dá cá

Editorial - Estadão
Este jornal noticiou que o “Congresso só apoia pacote de Temer com alterações”, dando conta, com base em declarações de líderes dos sete maiores partidos representados no Parlamento, de que senadores e deputados não querem se comprometer prévia e incondicionalmente com a pauta econômica do presidente em exercício Michel Temer, especialmente com as duas medidas consideradas prioritárias: o teto dos gastos públicos e a reforma da Previdência. Por óbvio, não chega a ser notícia o fato de que parlamentares estejam dispostos a, antes de votar, examinar e discutir projetos apresentados pelo governo. É para isso também que senadores e deputados são eleitos.

Não foi, portanto, a obviedade da declaração que chamou a atenção dos repórteres que levantaram o assunto. O que não escapou aos jornalistas habituados ao trato de questões políticas complexas e controvertidas foi a intenção sutilmente implícita naquilo que disseram as lideranças partidárias: os parlamentares não pretendem entregar de bandeja ao Planalto os votos nos quais muitos já estão colocando preço, até mesmo antes de conhecer precisamente o conteúdo de projetos que ainda nem lhes foram apresentados. Nenhuma novidade. É assim, infelizmente, que funciona esse Parlamento em que as preocupações dos representantes eleitos pelos cidadãos raramente vão além do controle que pretendem manter sobre seus redutos eleitorais e seu patrimônio material.

Mais do que ninguém, senadores e deputados deveriam saber que o Brasil vive um momento extremamente delicado, de uma crise econômica e social grave – para não falar na crise política e moral – que exige de todos, principalmente dos governantes e representantes do povo, competência, determinação e desprendimento. É hora de colocar de lado interesses pessoais e de grupos para concentrar-se no objetivo, que deveria ser comum, de criar condições objetivas para o saneamento das contas públicas e a aprovação de medidas estruturantes que propiciem a retomada do crescimento, condição indispensável para a garantia e ampliação dos direitos dos cidadãos e das conquistas sociais. Não é hora, portanto, de espertezas para garantir vantagens em nefasto toma lá dá cá.

A atitude que se espera de lideranças políticas responsáveis, no momento em que os parlamentares vão votar medidas, muitas delas impopulares, urgentes e indispensáveis para a correção dos erros praticados pelo tsunami populista do lulopetismo, é de inequívoca disposição de fornecer ao governo os instrumentos de que ele acredita necessitar para enfrentar o desafio que tem pela frente. Não significa, é claro, que os parlamentares devam entregar a Michel Temer um cheque em branco. Ninguém imagina que as medidas que o governo vai propor não possam ser eventualmente corrigidas e aperfeiçoadas pelo bom debate, que tenha como objetivo o bem comum e não interesses mesquinhos.

Melhor serviço teriam prestado ao Brasil os líderes partidários ouvidos pelo Estado – todos de legendas aliadas ao Planalto – se, sem renunciar às prerrogativas inerentes ao mandato parlamentar, tivessem dado ênfase à intenção de ajudar o governo a fazer o que for necessário para enfrentar a crise, assumindo patrioticamente a corresponsabilidade pelo programa de austeridade. Isso seria política sadia.

A responsabilidade de assumir essa postura construtiva de que o futuro do País depende deveria ser liderada pelo PMDB que, afinal, é o partido do presidente em exercício. Se assumiram o poder e pretendem mantê-lo pelos menos até 2018, Michel Temer e seus companheiros devem se compenetrar de que as mudanças pelas quais o País anseia passam necessariamente pela moralização das práticas políticas. Acordos e alianças fazem parte do jogo democrático. No momento, são indispensáveis para garantir apoio parlamentar às mudanças importantes e polêmicas que o governo precisa implementar porque a Nação exige mudanças. Mas existe uma enorme diferença entre formar maioria na defesa de interesses nacionais e vender voto, no varejo ou no atacado, pagos em pixulecos. Os tempos mudaram e com eles devem mudar os costumes. Basta de toma lá dá cá.

Leilão de relíquias do Rei Pelé

Quem quiser ver as medalhas que Pelé recebeu ao ganhar as Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970 a bola do milésimo gol ou o certificado dado pelo Guinness Book e que comprova que ele é o maior artilheiro de todos os tempos precisa correr. Abre nesta quarta-feira e fecha na segunda-feira, em Londres, a última exibição pública de cerca de 2 mil relíquias do Rei do Futebol. A faixa (foto acima) que Pelé recebeu como campeão do mundo de 1958 será uma das peças disponíveis no leilão.

Todos esses itens fazem parte de um gigantesco leilão que será realizado pela Julien’s Auctions, uma das mais famosas casas de leilão do mundo, também em Londres. A coleção é anunciada como a mais importante de esportes já levada a leilão.
O leilão, cujo cartaz mostra uma bicicltea do Rei, será feito pela casa Julien's Auction, de Londres, nos dias 7 a 9 de junho

Mais roubo, mais corrupção petista: Delator diz que ex-ministro das Cidades Marcio Fortes recebeu propina de R$ 1 mi

marciofortes
O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, afirmou em delação premiada que o ex-ministro Marcio Fortes (foto), do governo Lula, recebeu R$ 1 milhão de um esquema que resultou na contratação da agência de publicidade Propeg, em 2010.

Segundo o delator, outro ex-ministro da Pasta, Mário Negromonte – hoje conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia -, sucessor de Fortes, e o ex-deputado e ex-líder do PP na Câmara Pedro Corrêa teriam recebido valor equivalente a 10% do contrato de publicidade.

A delação de Bené foi homologada na semana passada pelo Superior Tribunal de Justiça, no âmbito da Operação Acrônimo – investigação da Polícia Federal que atribui crime de corrupção ao governador de Minas Fernando Pimentel (PT), ex-ministro do Desenvolvimento do governo Dilma.

Em sua delação, Bené afirmou que o Grupo CAOA, do setor automotivo, teria pago R$ 20 milhões a Pimentel. A CAOA nega categoricamente o repasse ilegal.

A delação do empresário preenche 20 anexos. Um deles é dedicado aos ex-ministros Marcio Fortes e Mário Negromonte e ao ex-deputado Pedro Corrêa – este também delator, mas de outra operação, a Lava Jato.

Bené afirmou que por volta de 2010 Negromonte o procurou. Segundo o delator da Acrônimo, Negromonte pretendia ‘influenciar’ em licitação da área de publicidade do Ministério das Cidades. O plano seria beneficiar a Propeg.

Negromonte e Pedro Corrêa – na época, réu do Mensalão – iriam receber, segundo Bené, 10% do ‘resultado’ da operação.

O acordo previa que o ministro Márcio Fortes, que ocupou o cargo entre 2005 e 2011, e um assessor dele, conhecido por ‘Alcione’, ficariam com uma parte do valor do contrato, desde que a Propeg fosse a escolhida.

Segundo Bené, Mário Negromonte e Pedro Corrêa receberam total de R$ 1 milhão cada. O ex-ministro Marcio Fortes também teria recebido R$ 1 milhão, valor pago, segundo ele, ‘durante mais de um ano’

Com aval de Renan, Temer avalia nomes de tribunais para ministério

Com a saída de Fabiano Silveira da chefia do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, o presidente interino, Michel Temer, começou a avaliar desde a noite de segunda-feira (30) nomes para substituí-lo no cargo.

O intuito do peemedebista é que a escolha passe pelo presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), a quem coube indicar o antigo ocupante da pasta. Temer já informou inclusive a Renan por meio de um interlocutor a disposição de ouvi-lo antes da definição de um nome.

A ideia estudada pelo governo federal é de escolher um nome da área jurídica com um currículo respeitado em um grande tribunal, o que, na avaliação da gestão peemedebista, diminuiria resistências tanto do Congresso Nacional como de servidores da pasta.

Pelo critério estabelecido, três nomes cotados pelo presidente interino são do ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Torquato Jardim, da ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Nancy Andrighi e do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Velloso. Os dois últimos chegaram a ser estudados para o Ministério da Justiça quando o peemedebista compôs sua equipe de governo. 
 
Com a abertura de um posto na Esplanada dos Ministérios, há aliados do peemedebista que têm defendido ao presidente interino que ele escolha uma mulher para o cargo, arrefecendo assim as críticas da ausência de nomes femininos no primeiro escalão da gestão provisória.

Além de Nancy Andrighi, que conta com a simpatia de Michel Temer, outros nomes que têm sido lembrados são da ex-ministra do STJ Eliana Calmon e da ex-ministra do STF Ellen Gracie, que já recusou o cargo antes.

Os aliados do peemedebista acreditam, contudo, que dificilmente um novo ministro será definido nesta semana, devido à cautela do governo interino em escolher um nome que evite novas dores de cabeça.

Seleção brasileira: Esperanças de Tostão

Por Tostão, médico e ex-jogador, é um dos heróis da conquista da Copa de 1970.
Como não sou um otimista prepotente, que nega a realidade, nem um pessimista convicto, que só enxerga o pior, tenho esperança de que a seleção brasileira evolua nos próximos anos.

Tenho esperança que Thiago Silva, um dos melhores zagueiros do mundo, e Marcelo, o principal lateral esquerdo apoiador do planeta, sejam reconvocados.

Os dois são os únicos brasileiros na seleção dos melhores da Liga dos Campeões. Como o Brasil já tem outro ótimo lateral, Filipe Luís, Marcelo poderia ser uma alternativa quando o time precisasse de um lateral mais avançado ou como um meia pela esquerda.

Tenho esperança que alguns jovens, como Gabriel e Gabriel Jesus, evoluam e sejam rotineiramente convocados para a seleção principal. Por outro lado, ficarei surpreso se algum deles se tornar uma estrela do futebol mundial. Gabriel se destaca mais por poucos lances e pela precisão nas finalizações, enquanto Gabriel Jesus é mais driblador, envolvente e com repertório mais amplo.

Por causa do gol de Gabriel contra o fraquíssimo Panamá, o apressado Galvão Bueno já o pediu no time titular, além de repetir o bordão do primeiro gol de Ronaldinho Gaúcho na seleção: "Menino Gabigol".

Haja paciência. São situações bem diferentes. Ronaldinho já pintava como fenômeno. Compararam também o primeiro gol de Gabriel com o primeiro de Neymar, contra os EUA. A semelhança é só no gol. Neymar já mostrava que seria um dos grandes do futebol mundial, o que já é.

Muitos jornalistas esportivos têm o hábito de, indevidamente, precocemente, exaltar demais os jovens promissores, para, depois, criticá-los, por não terem se tornado os craques que esperavam. O erro está na avaliação, não no atleta.

Tenho esperança que Ganso seja convocado, o que já deveria ter acontecido. Mesmo jogando demais, continua o discurso pronto, repetitivo, de que ele é lento, irregular, apático e que está distante do Ganso do Santos. Hoje, é melhor. Além de excepcionais passes, faz mais gols, atua em um espaço maior e participa da marcação.

Tenho esperança que Casemiro seja o volante titular da seleção e superior a Luiz Gustavo. Casemiro não é um Busquets, mas é forte, alto, desarma muito, se posiciona bem e tem bom passe. Não é surpresa seu sucesso no Real Madrid. Ele já mostrava talento nas seleções de base e no São Paulo, apesar de muito criticado e rotulado de lento e de mascarado. Queriam que ele fosse mais um volante brucutu, grosso, rápido e trombador.

A diferença de Casemiro na seleção é que, no Real Madrid, ele tem Kroos de um lado e Modric do outro. No Brasil, há bons armadores, como Elias, Renato Augusto, Lucas Lima e outros, mas o nível técnico é muito menor. Tenho esperança que Dunga evolua, que alargue sua visão estreita, que se preocupe menos com picuinhas e que seja menos reativo nas entrevistas. O ideal seria que ele e outros treinadores tivessem ao lado um auxiliar ou companheiro com bons conhecimentos, com conceitos próprios, para discutir, em vez da companhia apenas de fiéis e silenciosos escudeiros, como Murtosa (auxiliar de Felipão), Cebola (auxiliar de Dunga) ou de parentes e amigos. O Vasco está à frente dos outros, com Jorginho e Zinho.

Deem a cajadada

Editorial - Estadão
Como se o nível de respeito aos eleitores e à ética já não estivesse rebaixado o bastante na Câmara, e como se a maioria dos deputados federais já não houvesse dado suficientes demonstrações de desfaçatez e vigarice, eis que o presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), volta a atacar.

Nesta terça-feira (31), Maranhão encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça uma consulta que poderá resultar em mudanças importantes nas regras relativas à tramitação de processos por quebra de decoro. A depender das respostas, será mais fácil para o plenário salvar a pele de quem tenha sido renegado pelo Conselho de Ética.

Trata-se, obviamente, de mais uma descarada manobra com o propósito de impedir a cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Câmara por decisão unânime do Supremo Tribunal Federal. As inúmeras chicanas do peemedebista já transformaram o seu processo no mais longo da história da Casa.

Com a intervenção de Maranhão, pode terminar neutralizado o relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), que na mesma terça finalizou o documento com a sugestão de que Cunha seja cassado por ter mentido à CPI da Petrobras, ainda em 2015. Na ocasião, o peemedebista negou possuir contas bancárias no exterior.

Enquanto os deputados não tomam em relação a Cunha a atitude que deles espera a população, o pitoresco Maranhão continua à frente da Câmara. Sem exibir a força política daquele a quem substitui, no entanto, o pepista não assumiu propriamente o comando das deliberações legislativas.

Ao contrário, terminou enxotado da Mesa Diretora, tendo sido obrigado a delegar a presidência da Casa, nas votações, ao segundo-vice, Giacobo (PR-PR).

Maranhão sofre, por assim dizer, espécie de bullying parlamentar, mas esse fato não anula os 428 votos que seus colegas lhe deram no ano passado para o cargo de primeiro-vice-presidente, na mesma eleição em que Cunha recebeu 267 votos para dirigir a Câmara.

Desde que o STF afastou Cunha, muitos deputados procuram um meio regimental de tirar Maranhão da linha de frente.

Existe um caminho, mas a maioria, não se sabe bem por que motivo, prefere não trilhá-lo: basta cassar o peemedebista, com o que seriam realizadas novas eleições para a presidência da Casa legislativa. De uma só vez destituiriam não dois coelhos, mas duas raposas.

Pois então que derrubem os dois com uma única cajadada. Não proceder dessa forma equivalerá a admitir que Eduardo Cunha e Waldir Maranhão são mesmo os seus legítimos representantes.