Fale com este blog

E-mail: ercio.remista@hotmail.com
Celular/watsap: (91) 989174477
Para ler postagens mais antigas, escolha e clique em um dos marcadores relacionados ao lado direito desta página. Exemplo: clique em Santarém e aparecerão todas as postagens referentes à terra querida. Para fazer comentários, eis o modo mais fácil: no rodapé da postagem clique em "comentários". Na caixinha "Comentar como" escolha uma das opções. Escreva o seu comentário e clique em "Postar comentário".

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Rinhas são desafio para polícia


Apesar de ilegais, as rinhas de galos continuam sendo um negócio lucrativo em Belém e as apostas podem chegar a R$ 50 mil. A polícia, entretanto, tem dificuldade para localizar os donos desses animais. No começo deste mês, policiais militares apreenderam 105 galos de briga, ou "galos combatentes", em um sítio em Outeiro, mas o proprietário do estabelecimento não estava no local.
Para dificultar a ação dos policiais, as rinhas funcionam em endereços isolados e cercados de muros altos. "São locais acima de qualquer suspeita", diz o delegado Marcos Lemos, diretor da Delegacia de Combate a Crimes Contra a Fauna e a Flora, da Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema), da Polícia Civil paraense. Ele explica que os donos dos galos, conhecidos como "galistas", contratam seguranças para ficar fora do imóvel, atentos a qualquer movimentação estranha. Esses ambientes, informa o delegado, também contam com mais de uma saída, para que os apostadores possam deixar rapidamente os locais e escapar de um possível flagrante. Por este motivo é difícil localizar, e identificar, os proprietários desses estabelecimentos. Eles, em muitos casos, exercem função pública e delegam a outras pessoas a tarefa de manter os animais, para não ter seus nomes associados a essa atividade ilegal.

Clonando Pensamento: Julgamento do mensalão

De Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja:
"Começa na quinta-feira o primeiro dia do resto da vida institucional no Brasil. São nove homens, duas mulheres e um destino: o do país! Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux e Rosa Weber vão decidir se o país renova a sua opção pela democracia ou se marca um encontro com a impunidade, a bandalheira, o roubo e o atraso.

 (...) Aos ministros do STF caberá avaliar a participação de cada um dos 38 réus naquela cadeia de crimes, mas sem jamais perder de vista que o crime existiu. O mensalão foi, antes de mais nada, um atentado contra o regime democrático. Se aqueles que os protagonizaram saírem do tribunal com os ombros leves, então o crime terá vencido a batalha contra os cidadãos porque livres estarão os criminosos. Inclusive para voltar a delinquir. Os 11 do Supremo estarão decidindo, também, quais armas são legítimas na luta política e quais não são. 

(...) Se o núcleo criminoso for absolvido, então os absolvedores do Supremo estarão a dizer que é legítimo usar dinheiro público para atender às necessidades de um partido. Se o núcleo criminoso for absolvido, então os absolvedores do Supremo estarão a dizer que é legítimo comprar partidos, comprar políticos, comprar consciências. Se o núcleo criminoso for absolvido, então os absolvedores do Supremo estarão a dizer que é legítimo recorrer à trapaça, à ameaças, à chantagem, à calúnia, à injúria e à difamação, sufocando a verdade com a mentira."

domingo, 29 de julho de 2012

Julgamento começa com dúvidas sobre participações de Peluso e Toffoli

Cezar Peluso e Dias Toffoli
Cezar Peluso e Dias Toffoli 
A sessão histórica que vai julgar os réus do mensalão será aberta na próxima quinta-feira com a presença dos onze magistrados que compõem o Supremo Tribunal Federal. Reportagem publicada em VEJA desta semana mostra, porém, que duas incertezas ainda pairam na corte.

A primeira é sobre a participação do ministro Cezar Peluso, um dos mais experientes juízes, que completará 70 anos no dia 3 de setembro. Por lei, ele será obrigado a se aposentar. Se tentar antecipar seu veredicto, a defesa dos réus planeja pedir a anulação do voto. Os advogados acreditam que Peluso, conhecido pelo rigor em matéria penal, se alinhará à tese da acusação.

A segunda e mais grave questão é a participação do ministro José Antonio Dias Toffoli. Ex-advogado do PT, ex-assessor de José Dirceu, ex-integrante do governo que inventou o mensalão, ex-sócio do escritório que defendeu três mensaleiros e até hoje amigo de alguns dos mais destacados réus do processo, Toffoli já disse a amigos que não vê razão para não atuar no julgamento. “A imparcialidade do julgamento passa necessariamente pela definição do ministro em relação a sua participação”, avalia Alexandre Camanho, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República.

O ministro já atuou diretamente como advogado do principal réu do mensalão, o ex-ministro José Dirceu. Inclusive com registro em cartório, como mostra uma procuração de 2000 obtida por VEJA. Na ocasião, Dirceu era deputado e Toffoli foi encarregado por ele de mover uma ação popular contra a privatização do Banespa. Além disso, antes de ser indicado para o STF, em 2008, ele mantinha um escritório em sociedade com sua atual companheira, Roberta Rangel. Nesse período, a advogada foi contratada por três mensaleiros, José Dirceu entre eles. No próprio processo do mensalão, defendeu os ex-deputados petistas Paulo Rocha e Professor Luizinho, acusados de receber o dinheiro sujo do esquema. Ou seja, o ministro Dias Toffoli, caso não se considere suspeito, vai julgar o processo que já teve sua atual companheira como advogada dos réus, no período em que ele mesmo, Toffoli, era sócio dela no escritório.

Por lei, juízes de quaisquer instâncias são impedidos de julgar uma causa quando forem parentes ou cônjuges de advogados de alguma das partes. Nesse caso, o impedimento é imperativo. Dias Toffoli argumenta, porém, que é apenas namorado de Roberta Rangel.

O ministro tem o direito de se declarar suspeito ou não, uma decisão de caráter subjetivo. Existe também a possibilidade de a Procuradoria-Geral da República requerer seu impedimento legal. Seja por um caminho, seja por outro, Toffoli não deveria julgar o mensalão. Quem diz é o jurista Luis Flávio Gomes: “O juridicamente correto, o moralmente correto e o eticamente correto seria ele se afastar”.

Marina diz que governo brasileiro tentou 'apequenar' sua participação na cerimônia olímpica

Em entrevista ao Estado, em Londres, Marina Silva disse que o governo brasileiro tentou "apequenar" a sua participação na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos 2012, ontem, "em uma disputa política". A ex-ministra chorou ao saber sobre a reação da presidente Dilma Rousseff e de ministros e disse que a equipe de Dilma "não sabe separar as coisas." 
Marina Silva segura bandeira ao lado de Muhammad Ali e Ban Ki Moon. - Jonne Roriz/AE
Marina Silva segura bandeira ao lado de Muhammad Ali e Ban Ki Moon.
A convite do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres (Locog), Marina entrou carregando a bandeira olímpica na festa de abertura do evento, ao lado de nomes como Haile Gebrselassie, Ban Ki Moon, Shami Chakrabarti e Muhammad Ali. Ela é reconhecida internacionalmente por sua luta em defesa do meio ambiente. A situação gerou constrangimento, porque Marina é adversária política de Dilma, cuja presea como presidente do país que se a próxima sede dos Jogos Olímpicos foi ofuscada pela ex-ministra.

"Não acho que a gente deve apequenar isso em uma disputa política. Aqui é o interesse maior do Brasil. Isso me entristece", disse Marina, no Hotel Corinthia, onde está hospedada a convite do Locog, na capital londrina. A ex-ministra disse que esperava apoio da comitiva brasileira e, principalmente, da presidente Dilma para a sua participação. "Meu apelo é para a presidente Dilma: que a causa que eu represento, e ali não era eu como figura política, não seja uma afronta para o Brasil, que seja uma dádiva. Porque eu tenho tanto respeito pelo Brasil pela nossa história e a presidente Dilma sabe como, na minha divergência, eu sou leal. As pessoas com quem eu convivi durante 30 anos não são meus inimigos. Do mesmo jeito que eu fico feliz de ver as autoridades brasileiras cumprindo seu papel num evento dessa magnitude, eu imaginava que, nesse momento, eles não misturariam as coisas. Eu estou aqui em nome de uma causa que na história do Brasil é de todos nós. Começou lá atrás com o Chico Mendes e o presidente Lula, como companheiro do Chico Mendes, tem participação nisso."

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ironizou a participação da ex-ministra no evento dizendo que o motivo foi o fato de que "Marina sempre teve boa relação com as casas reais da Europa e com a aristocracia europeia". Os dois são inimigos políticos desde que bateram de frente nas discussões sobre o Código Florestal.  Marina, no entanto, preferiu "relevar" as declarações do ministro. E disse que gostaria que Rebelo "entrasse no espírito olímpico sugerido por aquela cerimônia". "Não quero apequenar esse momento com qualquer tipo de desconstrução da grandiosidade de saber que o Brasil é uma referência na luta ambiental pelo mundo. Desconsiderar isso é o mesmo que desconsiderar toda a contribuição dada pelo PT na construção da democracia brasileira", reagiu."Eu estava ali pela causa que defendemos do desenvolvimento sustentável, quando digo defendemos, falo de todos aqueles que acreditam que o mundo precisa mudar. Não sou oposição ao governo da presidente Dilma, eu apenas tenho uma posição. Mas há quem não entenda assim." 

Segundo Marina, o convite do Locog para participar da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres também a surpreendeu. Os organizadores a sondaram no domingo para saber se concordaria com o uso de sua imagem no evento e apenas na tea-feira confirmaram como seria a sua participação. Marina desembarcou em Londres na quinta-feira. Sobre manter segredo, disse que foi instruída pelo Locog. "Eu fiz como eles me disseram. Falei apenas com meus filhos e marido e pedindo a eles segredo. Não tinha como revelar isso ao governo, a ninguém. Foi um pedido", disse. "Vim para cá com o espírito olímpico de lutar pelo Brasil, pela paz, pelo desenvolvimento sustentável e eu posso te dizer que quando passei ali diante das autoridades, eu senti uma boa dose de orgulho de saber que nesses 500 anos de história do Brasil nós tínhamos eleito a primeira mulher presidente da República. Era esse espírito que estava ali presente." Marina disse que as críticas do governo não importam. "O mais importante é que estou fazendo meu trabalho. E isso ficará como legado para o Brasil."  (Estadão)

Mega-Sena acumulada deve pagar R$ 42 milhões

A Mega-Sena acumulou e deve pagar R$ 42 milhões na próxima quarta-feira, dia 1° de agosto. As seis dezenas sorteadas neste sábado, pelo concurso 1410, foram: 18 - 29 - 40 - 42 - 50 - 54. 

Ninguém acertou a sena da loteria, mas 70 pessoas fizeram a quina e vão receber R$48.372,46, cada. Outras 6.917 apostadores acertaram a quadra e vão receber R$699,32, cada uma.

Polícia encontra corpo de empresário na mala de carro

A Polícia Civil de Castanhal está investigando o assassinato do comerciante Mikael de Souza Tavares, de 30 anos, encontrado morto na tarde de ontem (28). O corpo dele foi achado no porta-malas de um carro cor prata, com um saco plástico na cabeça e marcas de tiros no rosto e nas costas.

Os policiais encontraram o corpo de Tavares após receberem uma denúncia de que um carro havia sido abandonado no bairro de Inatema, na periferia de Castanhal. Durante a inspeção do veículo, o corpo foi encontrado. Segundo os policiais, provavelmente a vítima foi morta em outra localidade, e o corpo removido para Inatema durante a madrugada para tentar dificultar as investigações.

O corpo da vítima já foi liberado pelo Instituto Médico Legal de Castanhal e será velado em uma Igreja evangélica no bairro do Benguí, em Belém. O enterro deve acontecer na manhã deste domingo (29) na capital paraense.

Exame preliminar não detecta tumor maligno em Roberto Jefferson

Roberto Jefferson chega ao Hospital Samaritano, em Botafogo (Foto: Hudson Pontes / Agência o Globo) 
Roberto Jefferson chega ao Hospital Samaritano,
em Botafogo, na quinta-feira (26)
A cirurgia no advogado e presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson Monteiro Francisco, 59 anos, realizada ontem (28), ocorreu dentro do previsto, e não há sinais de que o tumor no pâncreas do político seja maligno. A informação foi divulgada pela assessoria do Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, através de boletim médico.

Segundo o boletim, embora o resultado preliminar indique que o tumor não é maligno, será necessário aguardar o resultado definitivo da análise do material e o exame imuno-histoquímico para a conclusão do diagnóstico.

Jefferson foi submetido a cirurgia para a retirada de um tumor no pâncreas. O procedimento, realizado pelos médicos José de Ribamar Saboia de Azevedo, Alexandre Prado de Resende e Aureo Ludovico de Paula, durou oito horas.

Réu no mensalão - Jefferson é um dos 38 réus do julgamento do mensalão programado para ter início no dia 2 de agosto, no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por, supostamente, ter recebido R$ 4 milhões do chamado “valerioduto”, que, segundo a denúncia, era operado por Marcos Valério e abastecia parlamentares aliados ao governo.

Cuias de Aritapera

FOTO: TAMARA SARÉ
O livro “Aritapera: Terra, Água, Mulheres & Cuias”, organizado pelos antropólogos Antônio Maria de Souza Santos, do Museu Paraense Emílio Goeldi, e Luciana Gonçalves de Carvalho, da UFOPA, é o primeiro volume da coleção “Mapeamento Cultural do Pólo Tapajós”. A coleção versa sobre manifestações artístico-culturais dos municípios de Santarém, Belterra e Oriximiná, pelo Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo no Estado do Pará (Prodetur).

“Aritapera” aborda a importância da utilização das cuias ornamentais no universo amazônico e como elas estão inseridas no cotidiano das comunidades ribeirinhas, com enfoque no distrito de Aritapera, situada na área de várzea do rio Amazonas, distante cerca de 4 horas de barco de Santarém. O trabalho na comunidade envolve cerca de 200 famílias, inseridas na Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém, criada em 2003 para aprimorar a produção e a comercialização das cuias, valorizando os conhecimentos artesanais da região.
 (No blog da Franssinete Florenzano com o título Cultura Tapajoara)

sábado, 28 de julho de 2012

Com Bond, Bean e Beatles, Londres encanta em abertura

Apresentação de Paul McCartney na abertura dos Jogos Olímpicos de Londres
 Sete jovens atletas carregam a tocha olímpica
 Família Real durante a abertura dos Jogos
Vista geral da abertura dos Jogos Olímpicos de Londres
 David Beckham "dirige" a lancha que leva a Tocha Olímpica pelo Rio Tâmisa
   Bandeira do Reino Unido projetada sobre o Palácio de Westminster junto ao Big Ben, na margem do rio Tâmisa em Londres durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos
 Delegação brasileira
Para muita gente, cerimônias de abertura de Olimpíada são sempre a mesma coisa. Mas jamais houve uma festa como que inaugurou Londres-2012. Depois da pirotecnia, do rigor marcial e da grandiosidade de Pequim-2008, a capital britânica dispensou a pompa e apresentou uma celebração solta, divertida e emocionante. Apesar de mais leve na forma, foi muito mais impactante na substância. Os britânicos aproveitaram a ocasião para desfilar toda a sua influência sobre o resto do mundo. Dos Beatles a James Bond, da revolução industrial às revoluções da moda, do poderio naval do antigo império ao fascínio exercido por sua música e por seu cinema, Londres abriu, em cerca de três horas, uma cápsula do tempo cheia de referências sociais e culturais. Foi a solenidade de abertura mais pop da história olímpica - e também uma celebração do impacto notável dos britânicos na civilização ocidental. Depois da apresentação desta sexta-feira, ficará difícil superar a façanha londrina. Afinal, além de saber como narrar bem uma história, os anfitriões tinham muito a contar. Após cerca de uma hora e meia do espetáculo conduzido pelo cineasta Danny Boyle, começava o desfile das delegações, trazendo o evento de volta à esfera esportiva. A bela festa acabou mostrando, entretanto, que a Olimpíada é também muito mais - é uma chance de um país mostrar do que é feito (e o que é capaz de fazer).

Desde o início da festa, com um cenário rural que remetia às origens da nação britânica, a abertura foi uma aula de história e cultura. Para representar a revolução industrial, Boyle fez surgir no gramado chaminés gigantes. Os anéis olímpicos surgiram do alto do estádio, incandescentes, como se fossem forjados de aço. Um dos melhores trechos da festa, no entanto, veio logo em seguida. Um clipe exibido nos telões do estádio mostrou o ator Daniel Craig, o agente 007 do cinema, entrando no Palácio de Buckingham para escoltar a rainha Elizabeth II até a cerimônia. E a própria monarca apareceu no vídeo, cheio de referências bem humoradas aos gostos de sua majestade, como os cães da raça Corgis. A dupla entra num helicóptero e, ao sobrevoar o estádio, um jogo de cena faz parecer que tanto Bond como a rainha saltaram de para-quedas para chegar à festa. Depois do hino britânico e do hasteamento da bandeira do país-sede, a cerimônia tem uma coreografia inspirada na literatura infanto-juvenil britânica, com personagens como Mary Poppins, Peter Pan e Capitão Gancho, Cruella de Vil e Harry Potter. A autora da série de livros de Potter, J.K. Rowling, aparece para ler um trecho de Peter Pan. Antes, Kenneth Branagh já tinha entrado no cenário para recitar Shakespeare.
 
O tributo ao cinema britânico, puxado pela trilha sonora de Carruagens de Fogo, tem mais uma cena bem humorada para quebrar o tom solene. Outro personagem do mundo pop britânico, o Mr. Bean, criação do humorista Rowan Atkinson, aparece inserido na orquestra, participando da performance (de forma desastrada, evidentemente). Bean, aliás, surge numa montagem do próprio filme, na cena clássica dos atletas correndo na praia. O segmento seguinte, um dos mais empolgantes da noite, retrata uma casa de família típica da Grã-Bretanha dos anos 1960 aos 1990, com um repertório arrasador, que incluiu Beatles, Rolling Stones, The Who, David Bowie, Queen, Sex Pistols e Prodigy. Depois do desfile das delegações e de um show da banda Arctic Monkeys, o presidente do Comitê Organizador Local, Sebastian Coe, e o presidente do COI, Jacques Rogge, discursaram sob a enorme árvore cenográfica colocada numa das extremidades do estádio. "Nunca senti tanto orgulho de ser britânico quanto hoje", disse Coe. "Obrigado, Londres, por receber os Jogos pela terceira vez nesta cidade vibrante e diversificada", completou Rogge. Elizabeth II fez o rápido pronunciamento que abre oficialmente a Olimpíada, e começou a procissão da chama olímpica rumo ao estádio. O astro David Beckham trouxe a tocha desde a Torre de Londres, através do Tâmisa, até um dos canais que cercam o Parque Olímpico.

Steve Redgrave, britânico pentacampeão olímpico, a carregou até o estádio - onde, enquanto isso, a bandeira olímpica era carregada por um grupo de notáveis escolhido pelo COI, entre eles a ex-senadora Marina Silva e o ex-campeão de boxe Muhammad Ali, um dos nomes mais aplaudidos da noite. Depois do já tradicional mistério sobre quem seria indicado para acender a pira olímpica, revelou-se a escolha de um grupo de jovens atletas, apadrinhados por sete lendas do esporte britânico, como Daley Thompson, Kelly Holmes e Mary Peters. A fila de atletas novatos correu até o centro do gramado e acendeu um grande círculo preenchido por hastes metálicas. Já iluminadas pelo fogo, elas ergueram-se lentamente, formando o caldeirão olímpico - uma cena de beleza singela, bem adequada ao tom da solenidade. Um espetáculo pirotécnico precedeu a entrada de Paul McCartney no estádio. Depois de cantar um de trecho da canção The End, o beatle deu início a um dos poucos momentos da festa já conhecidos com antecedência: sua interpretação de Hey Jude, para fazer o público cantar em uníssono o famoso refrão enquanto os atletas acenavam e comemoravam. Enquanto McCartney cantava sobre "pegar uma canção triste e fazê-la melhor", ficava claro que era bem isso que Londres faria com os Jogos Olímpicos - quatro anos depois do artificialismo chinês, uma antiga capital do mundo devolvia vida à grande festa do esporte.

Marina Silva revela orgulho por integrar festa olímpica

Marina Silva rouba a cena da presidente Dilma Rousseff em Londres. Entre as surpresas guardadas a sete chaves pelos organizadores dos Jogos estava a participação de Marina entre as personalidades mundiais para carregar a bandeira olímpica no estádio em Londres. Apresentada como” líder e referência na luta pela proteção ao meio ambiente”, Marina não disfaava o entusiasmo ao terminar de carregar a bandeira.  “Levei ao estádio a mensagem de que a paz se faz com a proteção do meio ambiente”, disse em entrevista ao Estado.
Marina sorri carregando a bandeira olímpica - Jonne Roriz/AE
 Marina sorri, muito feliz, carregando a bandeira olímpica
Emocionada por ter sido acompanhada por milhões de pessoas pelo mundo, a brasileira confessou que não conseguia falar. Marina estima que levou para os Jogos a mensagem de que existe hoje no mundo “a possibilidade de quebrar com paradigmas de crescimento e estabelecer novos padrões”. Marina levou a bandeira ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, do maestro Daniel Baremboin e de premios Nobeis da Paz.

Se na ala VIP Dilma teve de ficar de pé para aplaudir os atletas entrando no estádio, ao lado da filha, e foi mostrada por apenas alguns segundos, Marina ganhou os holofotes mundiais por vários minutos, enquanto desfilava com a bandeira. Marina revelou que só recebeu a confirmação de que seria convidada na última terça-feira. Na quarta viajou para Londres e conta que foi mantiva em um local discreto. “Ficamos concentrados. A ordem era sigilo total sobre como seria o evento”, contou. Segundo ela, nem Dilma, que representa o país anfitrião dos próximos Jogos de 2016, sabia de sua presença

Ao passar por Mohamed Ali, Marina comoveu muitos ao lhe fazer um gesto de carinho. 'Ele representa todo o esforço do mundo e a prova de que não há limites para a humanidade", completou. 
Para a brasileira, a relação entre a proteção ambiental e os Jogos é evidente. “As Olimpíadas se referem a uma competição que não gera uma perda traumática e é essa competição saudável que precisamos ter no mundo”, disse. “A ideia é a de que se pode conseguir harmonia e crescimento e usar o palco olímpico para passar essa mensagem é algo maravilhoso”, disse. (Estadão)